O Ministério da Saúde instituiu abril como mês nacional de mobilização pela segurança do paciente no SUS, com o tema “Qualidade, segurança e vidas protegidas: um compromisso permanente do SUS”. A campanha reúne hospitais, UBSs e secretarias de saúde de todo o país em torno de práticas que reduzem erros médicos e eventos adversos durante o atendimento.
Números que justificam a campanha
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o Brasil registrou mais de 380 mil notificações de incidentes relacionados à segurança do paciente em 2025. Desses, cerca de 12% resultaram em danos graves ou óbito. Os eventos mais comuns incluem erros de medicação, infecções hospitalares e quedas de pacientes internados.
A OMS estima que, globalmente, eventos adversos evitáveis são a terceira maior causa de morte, atrás apenas de doenças cardiovasculares e câncer. No Brasil, a implementação de protocolos de segurança avançou nos últimos anos, mas ainda há disparidades significativas entre hospitais públicos e privados e entre as regiões do país.
O que muda com a campanha
Durante o mês de abril, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde coordena ações em três frentes. A primeira é a capacitação de profissionais de saúde em protocolos de identificação do paciente, higienização das mãos e administração segura de medicamentos. A segunda envolve a implementação de checklists cirúrgicos padronizados em hospitais que ainda não adotaram a prática. A terceira é a criação de canais de escuta para que pacientes e familiares reportem falhas no atendimento.
Tecnologia a favor da segurança
Hospitais de referência no Brasil já utilizam pulseiras com código de barras e sistemas eletrônicos de prescrição que alertam automaticamente sobre interações medicamentosas e dosagens incorretas. O governo federal anunciou em janeiro a construção do primeiro hospital inteligente do SUS, que terá sistemas de IA integrados para monitoramento de pacientes em tempo real.
A expectativa é que essas tecnologias, hoje restritas a grandes centros, sejam gradualmente incorporadas à rede pública de saúde nos próximos cinco anos.

