A 22a edição do Acampamento Terra Livre (ATL) começou neste domingo, 5 de abril, em Brasília, e deve reunir entre 7 mil e 8 mil participantes até o próximo sábado, dia 11. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o evento é considerado a maior mobilização indígena do país.
Um grito que ecoa há duas décadas
Desde 2004, o ATL se consolidou como o principal espaço de articulação política dos povos originários brasileiros. O tema deste ano, “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, carrega um recado direto às pressões econômicas sobre territórios indígenas em ano pré-eleitoral.
A expectativa é que representantes de grande parte dos 391 povos originários existentes no Brasil marquem presença, além de delegações internacionais.
Demarcação de terras no centro do debate
Entre 2023 e 2025, o governo federal homologou 20 novos territórios, totalizando aproximadamente 2,5 milhões de hectares protegidos. No entanto, cerca de 110 áreas adicionais permanecem em análise. Outras demandas incluem oposição à mineração em terras indígenas e resistência ao marco temporal.
Programação inclui marchas e debates eleitorais
Na terça-feira, 7 de abril, está prevista uma grande marcha pela Esplanada dos Ministérios sob o lema “Congresso inimigo dos povos”. Na quinta, 9 de abril, o painel sobre candidaturas indígenas nas eleições de outubro ganha destaque.
Desafios persistentes em ano eleitoral
Com estímulos econômicos do governo que devem superar R$ 740 bilhões em ano eleitoral, lideranças indígenas alertam para o risco de grandes obras avançarem sobre áreas protegidas. A violência contra comunidades indígenas também permanece como preocupação central.
O que esperar até sábado
O ATL 2026 deve produzir um documento final com as principais reivindicações ao Estado brasileiro. A presença massiva de indígenas na capital reafirma que a luta por reconhecimento territorial e dignidade está longe de ter fim.




