O Brasil alcançou um marco histórico na saúde pública mundial. A OMS certificou o país pela eliminação da transmissão vertical do HIV, quando o vírus passa da mãe para o bebê. O Brasil se torna o primeiro país continental e o mais populoso das Américas a atingir esse feito.
Uma conquista de décadas
A certificação, entregue em dezembro de 2025 com a presença do presidente Lula e representantes da OPAS e UNAIDS, coroa um esforço de mais de três décadas do SUS. O Brasil comprovou taxa de transmissão abaixo de 2% e incidência abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos, com cobertura superior a 95% em pré-natal e testagem.
O papel fundamental do SUS
O programa brasileiro de combate à AIDS é reconhecido internacionalmente desde os anos 1990, quando o país se tornou pioneiro na distribuição gratuita de antirretrovirais. As estratégias decisivas incluem testagem rápida no pré-natal, terapia antirretroviral imediata para gestantes soropositivas, parto cesariano quando indicado e acompanhamento do recém-nascido.
O que significa eliminação como problema de saúde pública
Não significa que nenhum caso ocorra, mas que a transmissão foi reduzida a níveis tão baixos que deixa de constituir um problema de saúde pública. O Brasil se junta a 19 países validados pela OMS, incluindo Cuba (2015), Jamaica e Tailândia.
Desafios que permanecem
O país ainda registra cerca de 40 mil novos casos de HIV por ano, e o estigma continua sendo barreira para o diagnóstico precoce. A cobertura de testagem é desigual entre regiões, com áreas rurais tendo menor acesso.
Referência para o mundo
A certificação reafirma o Brasil como referência global em políticas públicas de saúde. O modelo brasileiro, baseado no acesso universal ao tratamento, serve de inspiração para outros países de grande porte. Para a OMS, a mensagem é clara: com vontade política, investimento em saúde pública e ciência, é possível vencer desafios sanitários que pareciam intransponíveis.




