O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, anunciado há menos de 48 horas, está à beira do colapso. Na quarta-feira (8), Israel lançou a maior onda de ataques ao Líbano desde março: 50 caças atingiram mais de 100 alvos em 10 minutos, usando 160 munições. Pelo menos 250 pessoas foram mortas, incluindo civis em Beirute central, sem aviso prévio. Em resposta, o Irã fechou novamente o Estreito de Ormuz.
A maior onda de ataques desde o início da guerra
Segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Nadav Shoshani, a operação teve como alvo infraestrutura do Hezbollah em todo o Líbano. Hospitais, equipes de resgate e áreas residenciais foram atingidos. A Defesa Civil libanesa classificou o dia como um dos mais letais do conflito, superando os 150 mortos do dia anterior.
Nesta quinta-feira (9), Israel continuou bombardeando o Líbano, agravando a crise. A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, classificou os ataques como “profundamente prejudiciais” e pediu que o Líbano seja incluído no cessar-fogo: “Caso contrário, toda a região será desestabilizada”.
Irã fecha Ormuz e reporta minas no estreito
Em resposta aos ataques israelenses, o Irã fechou novamente o Estreito de Ormuz ao tráfego de navios petroleiros. A Guarda Revolucionária suspendeu o trânsito de petroleiros e, segundo agências iranianas, publicou um gráfico indicando que minas marítimas foram colocadas no estreito durante a guerra. Os EUA classificaram o fechamento como “completamente inaceitável”.
O Estreito de Ormuz é a passagem de 20% do petróleo mundial. Sua reabertura era a principal condição do cessar-fogo firmado na terça. Com o novo fechamento, o acordo perde seu pilar central.
Disputa sobre o escopo do cessar-fogo
O principal ponto de atrito é se o Líbano está ou não incluído no acordo. O Paquistão, que mediou o cessar-fogo, afirma que sim. Já Trump e Netanyahu dizem que não. O vice-presidente JD Vance declarou que Israel se ofereceu para “restringir” os ataques ao Líbano durante as negociações de Islamabad, previstas para sábado, mas não para cessar completamente.
O que esperar
As negociações de Islamabad são agora o último fio que sustenta o processo diplomático. Se o Irã se retirar do acordo por causa dos ataques israelenses ao Líbano, o cenário volta ao que era antes da terça: petróleo em disparada, ameaças de bombardeio americano e risco de escalada nuclear. Para entender como funcionam os cessar-fogos e por que falham, veja: O que é um cessar-fogo.