Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) anunciaram nesta terça-feira (8) uma técnica que pode resolver um dos maiores problemas da computação quântica: a perda de dados. O novo método de medição ultrarrápida permite rastrear, em tempo real, como a informação quântica desaparece dos qubits, os bits quânticos que são a base dos computadores do futuro.
O problema da decoerencia
Computadores quânticos operam com qubits, que podem existir em múltiplos estados simultaneamente, diferente dos bits clássicos que são apenas 0 ou 1. O problema é que essa informação é extremamente frágil: qualquer interferência do ambiente – temperatura, vibração, campos eletromagnéticos – faz os qubits perderem seus dados em frações de segundo. Esse fenômeno é chamado de decoerência.
Até agora, medir a decoerência era lento e impreciso. Os pesquisadores só conseguiam verificar se os dados tinham sido perdidos depois do fato. A nova técnica da NTNU permite medir a perda enquanto ela acontece, abrindo caminho para sistemas de correção de erro em tempo real.
Como funciona a nova tecnica
A equipe desenvolveu um sensor de medição ultrarrápido que monitora o estado do qubit milhares de vezes por segundo, sem destruir a informação quântica no processo, algo que antes era considerado contraditório pela própria física quântica. A técnica usa pulsos de micro-ondas calibrados que “perguntam” ao qubit seu estado sem forçá-lo a colapsar.
Na prática, isso permite que futuros computadores quânticos detectem erros antes que se acumulem e apliquem correções automaticamente, semelhante ao que sistemas de inteligência artificial já fazem em redes de dados clássicas.
Impacto para o futuro
A computação quântica promete revolucionar áreas como descoberta de medicamentos, criptografia, logística e simulações climáticas, mas a instabilidade dos qubits tem sido o principal obstáculo. Empresas como IBM, Google e Microsoft investem bilhões para construir computadores quânticos estáveis, e a técnica da NTNU pode acelerar esse processo significativamente.
Combinada com os avanços em eficiência energética da IA, a computação quântica pode se tornar viável comercialmente antes do previsto. Analistas do Morgan Stanley já alertaram que um salto significativo na IA pode chegar em 2026, e a computação quântica é uma das peças desse quebra-cabeça.




