A decisão
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de março de 2026, levando os juros básicos de 15% para 14,75% ao ano. Foi o primeiro corte em quase dois anos.
A decisão foi unânime entre os nove membros do comitê, liderados pelo presidente Gabriel Galípolo. No comunicado, o Copom usou a palavra calibragem para descrever o início do ciclo de afrouxamento monetário.
Agora, o mercado volta as atenções para a próxima reunião, marcada para 28 e 29 de abril, quando o comitê decidirá o ritmo da queda dos juros.
O cenário até aqui
A Selic permaneceu estacionada em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas, o maior patamar desde julho de 2006. O IPCA de 2025 fechou em 4,26%, dentro do teto da meta. A inflação acumulada em 12 meses recuou para 3,81% em fevereiro.
O ambiente externo segue instável. O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã trouxe volatilidade aos preços do petróleo e pressão sobre o câmbio.
Por que importa
A taxa Selic é a referência para todas as demais taxas de juros da economia brasileira. Quando ela cai, o crédito fica mais barato, o consumo tende a crescer e os investimentos ganham fôlego.
O que muda na prática
- Financiamentos e empréstimos: Bancos tendem a reduzir taxas gradualmente. Se o corte de abril for de 0,50 ponto, a Selic cairia para 14,25%.
- Renda fixa perde atratividade: Tesouro Selic e CDBs passam a render menos a cada corte.
- Bolsa de valores ganha impulso: Setores como varejo e construção civil se beneficiam.
- Câmbio e importados: A redução do diferencial de juros pode enfraquecer o real frente ao dólar.
O que dizem os especialistas
Gal��polo afirmou que a gordura acumulada com uma posição mais conservadora permitiu ganhar tempo. Gustavo Sung, da Suno Research, projeta a Selic em 12,5% ao final de 2026.
Indicadores-chave
- Selic atual: 14,75% ao ano
- IPCA acumulado em 12 meses: 3,81%
- Projeção da Selic para fim de 2026: 12,50% (boletim Focus)
- Projeção do IPCA para 2026: 4,31%
- Crescimento do PIB esperado: 1,85%
Para ficar de olho
A reunião do Copom de 28 e 29 de abril será decisiva. A ata de março abriu espaço para aceleração dos cortes caso a inflação siga comportada. O calendário prevê reuniões em junho, agosto, setembro, novembro e dezembro.
O essencial
O fato: O Copom cortou a Selic para 14,75% e o mercado espera novo corte em abril.
Por que importa: O ritmo dos cortes define a velocidade com que o crédito ficará mais barato.
O que fazer: Avalie reposicionar investimentos de renda fixa para prazos mais longos.




