O dólar comercial encerrou a primeira semana de abril de 2026 cotado a R$ 5,16, o menor patamar do ano e uma queda acumulada de 1,8% em apenas cinco dias de negociação. A Ptax de referência, divulgada pelo Banco Central em 1 de abril, já apontava para a tendência de valorização do real frente à moeda americana.
O que está puxando o dólar para baixo
Três fatores convergem para explicar a queda. Em primeiro lugar, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil se intensificou nas últimas semanas, atraído pela taxa Selic ainda elevada em 14,75% ao ano, que oferece um dos maiores retornos reais do mundo em renda fixa.
Em segundo lugar, a expectativa de novos cortes na Selic pelo Copom na reunião de 28-29 de abril não tem, paradoxalmente, afastado investidores. O mercado interpreta que o ciclo de afrouxamento será gradual, mantendo o diferencial de juros atrativo por vários meses.
Em terceiro lugar, a queda nos preços internacionais do petróleo reduz a pressão sobre a conta corrente brasileira, já que o país é exportador líquido de combustíveis fósseis e se beneficia de receitas em dólar quando os preços estão elevados, mas sofre menos quando caem.
Real lidera entre moedas emergentes
Na comparação com outras moedas de países emergentes, o real brasileiro apresentou o melhor desempenho da semana. Enquanto o peso mexicano se desvalorizou 0,3% e a lira turca perdeu 0,8%, o real se apreciou 1,8%. Analistas atribuem o destaque à combinação de juros altos, superávit comercial robusto e a percepção de que o Banco Central brasileiro mantém credibilidade na condução da política monetária.
Impacto no bolso do consumidor
A valorização do real traz efeitos práticos para o dia a dia. Produtos importados, de eletrônicos a vinhos, tendem a ficar mais baratos nas prateleiras. Viagens internacionais ficam mais acessíveis. E a pressão inflacionária sobre combustíveis derivados do petróleo diminui, já que a Petrobras precifica em dólar.
Por outro lado, exportadores de commodities agrícolas recebem menos reais por cada dólar de receita, o que pode pressionar margens no agronegócio. Empresas com dívida em dólar, porém, se beneficiam diretamente da queda.
O que o mercado projeta
O Boletim Focus do Banco Central projeta o dólar a R$ 5,40 ao final de 2026, o que sugere que o mercado espera uma correção parcial da valorização recente. No entanto, se o fluxo estrangeiro se mantiver e o Copom conduzir os cortes de juros de forma cautelosa, o real pode sustentar patamares abaixo de R$ 5,30 por mais tempo.
O próximo catalisador será a decisão do Copom em 29 de abril. Um corte de 0,25 ponto percentual, como espera a maioria dos analistas, deve ser bem recebido pelo mercado. Um corte mais agressivo de 0,50 ponto, porém, poderia gerar pressão vendedora sobre o real.
Para ficar de olho
Investidores e consumidores devem acompanhar três indicadores nas próximas semanas: o IPCA de março (divulgado em 10 de abril), a decisão do Copom (29 de abril) e a evolução do conflito no Oriente Médio, que pode reverter a tendência de queda do petróleo a qualquer momento. Por ora, o real vive um dos seus melhores momentos do ano.



