Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de cessar-fogo de duas semanas na noite de terça-feira (7), poucas horas antes do prazo que o presidente Donald Trump havia dado para bombardear toda a infraestrutura civil iraniana. O acordo, mediado pelo Paquistão, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de negociações de paz em Islamabad a partir de sábado (11).
Os termos do acordo
O cessar-fogo exige que o Irã reabra o Estreito de Ormuz de forma “completa, imediata e segura”, sem cobrança de pedágio ou restrições a navios comerciais. Em troca, os EUA suspenderam os ataques aéreos e navais contra o território iraniano. Israel também aderiu ao cessar-fogo no que diz respeito ao Irã, mas deixou claro que as operações contra o Hezbollah no Líbano não estão incluídas no acordo.
O vice-presidente JD Vance foi designado para liderar a delegação americana nas negociações de Islamabad. O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que mediou o acordo, convidou ambos os lados para discutir os termos de uma paz definitiva. O plano inicial prevê um “Acordo de Islamabad” a ser concluído em até 15 dias.
Rachaduras imediatas
Menos de 12 horas após o início do cessar-fogo, o Irã acusou os EUA de violação. A Guarda Revolucionária informou que a refinaria de Lavan foi atacada após o horário de início do cessar-fogo. Do outro lado, países do Golfo reportaram a interceptação de drones e mísseis iranianos direcionados a instalações na Arábia Saudita e no Bahrein.
A Casa Branca negou qualquer violação americana e atribuiu o ataque à refinaria a “operações israelenses independentes” que não estão cobertas pelo acordo. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu confirmou que Israel continuará atacando alvos do Hezbollah no Líbano e na Síria. Para entender os ataques anteriores, veja: O que é a Ilha de Kharg e por que os EUA a atacaram.
Impacto nos mercados
Os mercados reagiram com forte otimismo. O petróleo WTI despencou 16,4%, fechando a US$ 94,41 o barril, o maior recuo diário desde a pandemia. Bolsas ao redor do mundo dispararam: o Ibovespa subiu mais de 2%, e o S&P 500 avançou 1,8%. A expectativa de reabertura do Ormuz aliviou o temor de recessão global provocada pela crise energética.
O que vem pela frente
O cessar-fogo é frágil e depende de ambos os lados cumprirem os termos nos próximos 14 dias. Se as negociações em Islamabad avançarem, o acordo pode se tornar permanente. Se falharem, Trump já sinalizou que retomará a campanha de bombardeio “com força total”. A cúpula Trump-Xi em maio também pode influenciar o desfecho, já que a China é o maior comprador de petróleo iraniano.



