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Saúde

H5N1, Oropouche e mpox: os três vírus que mais preocupam a saúde global em 2026

A OMS reforçou o alerta sobre três vírus emergentes em 2026: gripe aviária H5N1, Oropouche e mpox. Todos demonstram capacidade de cruzar barreiras entre espécies e ameaçar populações humanas.

Pesquisador analisa amostras em microscópio de laboratório de virologia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou em abril de 2026 o alerta sobre três vírus que podem representar a próxima grande ameaça à saúde pública global: a gripe aviária H5N1, o vírus Oropouche e a mpox. A preocupação não é apenas teórica. Os três patógenos já demonstraram capacidade de cruzar barreiras entre espécies e alcançar populações humanas em escala crescente.

Gripe aviária H5N1: do gado ao ser humano

O subtipo H5N1 da gripe aviária saltou de aves para mamíferos, incluindo gado leiteiro nos Estados Unidos, aumentando o temor de que o vírus possa se adaptar à transmissão entre humanos. Em 2025, os EUA registraram os primeiros casos humanos ligados ao contato com vacas infectadas, e em 2026 o vírus foi detectado em rebanhos de mais três países.

Especialistas do CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA) avaliam que o risco de pandemia ainda é baixo, mas não desprezível. A principal preocupação é a possibilidade de recombinação genética caso o H5N1 infecte simultaneamente um ser humano portador de gripe comum, como a que já antecipou a temporada no Brasil. Veja: gripe chega mais cedo e casos graves dobram no Brasil em 2026.

Oropouche: da Amazônia para o mundo

Identificado pela primeira vez em 1955 no Pará, o vírus Oropouche era considerado restrito à região amazônica. Em 2024, surtos em estados do Nordeste e Sudeste do Brasil mudaram esse cenário. Em 2026, a OMS classificou a febre do Oropouche como uma ameaça emergente nas Américas.

O vírus é transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis (maruim), mas estudos recentes indicam que o Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da chikungunya, também pode transmiti-lo em condições de laboratório.

Mpox: a cepa que não desapareceu

A mpox (antiga varíola dos macacos) ressurgiu em 2024 com uma nova cepa mais agressiva, o clado Ib, que se espalhou pela República Democrática do Congo e países vizinhos. Embora a cepa que circula globalmente (clado IIb) seja menos letal, ela se estabeleceu de forma endêmica em dezenas de países.

No Brasil, o Ministério da Saúde mantém vigilância ativa e recomenda vacinação para grupos de risco. A campanha Dia Mundial da Saúde 2026 reforçou que a resposta a esses vírus depende de investimento contínuo em ciência e vigilância epidemiológica.

O que o Brasil está fazendo

O governo brasileiro ampliou a rede de laboratórios sentinela para monitoramento de vírus emergentes e investiu R$ 180 milhões na construção do primeiro hospital inteligente do SUS, que usará inteligência artificial para detectar surtos em tempo real. A estratégia de Saúde Única, que integra vigilância humana, animal e ambiental, é considerada essencial para antecipar a próxima ameaça.