Os mercados financeiros globais tiveram uma quarta-feira (8) de forte otimismo após o anúncio do cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã. O barril de petróleo WTI despencou 16,4%, fechando a US$ 94,41, enquanto o Ibovespa subiu mais de 2%, ultrapassando os 192 mil pontos.
Por que o mercado reagiu tão forte
A queda do petróleo foi a mais acentuada em um único dia desde março de 2020. O motivo é direto: o cessar-fogo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% do petróleo mundial. Com a passagem bloqueada desde fevereiro, o mercado havia precificado cenários de escassez prolongada. O acordo reverteu essa expectativa de uma hora para outra. Entenda: O que é o Estreito de Ormuz e por que afeta os combustíveis no Brasil.
Ibovespa e dolar
No Brasil, a combinação de menor aversão ao risco, petróleo mais barato e juros americanos estáveis devolveu fluxo para ativos brasileiros. Bancos, exportadoras e ações ligadas a commodities metálicas lideraram as altas. O dólar recuou frente ao real, refletindo o apetite por mercados emergentes.
O movimento reforça a expectativa de que o Copom poderá adotar um tom mais dovish na reunião de 28 e 29 de abril. Com o petróleo recuando, a pressão inflacionária diminui e abre espaço para cortes mais agressivos na Selic, atualmente em 14,75%. O Boletim Focus havia projetado Selic de 12,5% para o fim do ano.
Combustiveis no Brasil
Se o petróleo se mantiver abaixo de US$ 100, a Petrobras pode reverter a pressão por reajustes que vinha enfrentando. O governo, que havia zerado impostos sobre combustível de aviação e ampliado subsídios ao diesel, ganha margem fiscal para reavaliar essas medidas.
Cautela permanece
Analistas alertam que o cessar-fogo é provisório e as rachaduras já são visíveis. Se as negociações em Islamabad fracassarem, o petróleo pode voltar rapidamente acima de US$ 110. A volatilidade nos próximos dias será alta, e investidores devem monitorar cada declaração de Washington e Teerã.




