O IBGE divulga nesta quinta-feira (10) o IPCA de março de 2026, um dos indicadores mais aguardados pelo mercado. O resultado vai mostrar se a trajetória de queda da inflação é sustentável e tem impacto direto em dois custos que pesam no bolso do brasileiro: preço de medicamentos e reajuste de planos de saúde.
O que esperar do resultado
O IPCA de fevereiro veio em 0,70%, e o acumulado de 12 meses recuou para 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez em quase dois anos. O mercado espera que março mostre uma desaceleração adicional, com projeções entre 0,35% e 0,50%, puxada pela queda nos preços de alimentos e pelo efeito do petróleo mais barato sobre transportes.
A queda da inflação acumulada é o principal fator que permitiu o menor reajuste de medicamentos em 20 anos (teto de 2,47%). Se o IPCA de março confirmar a tendência, o Copom terá mais espaço para cortar a Selic em abril.
Impacto nos planos de saúde
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) usa o IPCA como um dos componentes para calcular o reajuste anual dos planos individuais. Um IPCA mais baixo em março fortalece o argumento por reajustes menores em 2026. No ano passado, o reajuste médio dos planos individuais foi de 6,91%. Para 2026, analistas projetam algo entre 5% e 6%, caso a inflação continue cedendo.
O que observar
O grupo “Saúde e cuidados pessoais” do IPCA é historicamente o que mais sobe: em 2025, acumulou alta de 6,2%, bem acima da inflação geral. Consultas médicas, planos de saúde e medicamentos puxam esse índice. Se março trouxer alívio nesse grupo específico, é sinal de que o barateamento de medicamentos com genéricos está começando a fazer efeito.