O Estreito de Ormuz voltou ao centro das manchetes mundiais após o Irã bloquear a passagem em resposta à ofensiva militar dos Estados Unidos. Mas o que exatamente é esse estreito, por que ele é tão importante e como o seu fechamento afeta o Brasil? Este guia explica tudo o que você precisa saber.
Onde fica e o que é
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Irã, ao norte, e Omã e os Emirados Árabes, ao sul. Com apenas 33 quilômetros de largura no ponto mais estreito, ele conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, a partir daí, ao Oceano Índico. É a única rota marítima de saída para boa parte do petróleo produzido no Oriente Médio.
Por que ele é tão importante
Cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, o equivalente a aproximadamente 21 milhões de barris por dia. Países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Qatar e Emirados Árabes dependem dessa rota para exportar sua produção. Além de petróleo, o estreito também é rota para gás natural liquefeito, produtos petroquímicos e minerais industriais.
Não existe alternativa viável para a maior parte desse tráfego. Oleodutos terrestres existem, mas têm capacidade limitada e não substituem o volume transportado por navios-tanque.
O que acontece quando ele é fechado
Quando o fluxo pelo Estreito de Ormuz é interrompido, a oferta mundial de petróleo cai abruptamente. Isso faz os preços dispararem nos mercados internacionais. Na crise atual, o barril de Brent saltou de US$ 72 para mais de US$ 111 em poucas semanas. A gasolina nos Estados Unidos atingiu US$ 4,08 por galão, e países asiáticos como Japão e Coreia do Sul enfrentam risco de racionamento.
Como isso afeta o Brasil
O Brasil produz mais petróleo do que consome e é exportador líquido, mas os preços domésticos de combustíveis são influenciados pela cotação internacional. Quando o barril sobe no mercado global, a Petrobras pode reajustar os preços nas refinarias, o que encarece gasolina, diesel e gás de cozinha.
Além disso, o preço do petróleo afeta o custo de fretes, fertilizantes e produtos petroquímicos, pressionando a inflação em setores como transporte e agronegócio. Por outro lado, a alta beneficia a balança comercial brasileira, já que o país exporta mais petróleo a preços maiores.
Já aconteceu antes?
O Estreito de Ormuz nunca foi completamente bloqueado antes desta crise. Em 2019, o Irã chegou a apreender navios-tanque britânicos na região, e em 2012 ameaçou fechar a passagem durante tensões nucleares. Nos dois casos, a ameaça bastou para elevar os preços do petróleo. O bloqueio efetivo de 2026 é, portanto, um evento sem precedentes no mercado de energia.

