Neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, o mundo volta seus olhos para Lyon, na França. A cidade sedia o One Health Summit, o maior encontro global dedicado à interconexão entre saúde humana, animal e ambiental. Pela primeira vez, o evento reúne chefes de Estado, governos, organizações internacionais, cientistas e sociedade civil em torno da abordagem Saúde Única.
O que é o conceito One Health e por que importa agora
A abordagem One Health parte de um princípio transformador: a saúde das pessoas é inseparável da saúde dos animais, das plantas e dos ecossistemas. Doenças como Covid-19, gripe aviária e dengue têm origens zoonóticas. A OMS estima que, entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas causarão aproximadamente 250 mil mortes adicionais por ano por desnutrição, malária e estresse térmico.
Lyon como palco de decisões globais
O summit acontece de 5 a 7 de abril de 2026, com a cúpula de alto nível no dia 7. Organizado pelo governo francês como evento-bandeira da presidência francesa do G7, o encontro tem peso diplomático significativo. No dia 8 de abril, a OMS assume a presidência da parceria Quadripartite, que reúne OMS, FAO, WOAH e PNUMA.
Quatro ameaças no centro da agenda
Reservatórios zoonóticos: vigilância de patógenos que circulam entre fauna selvagem, animais domésticos e humanos.
Resistência antimicrobiana: considerada uma pandemia silenciosa, já causa centenas de milhares de mortes por ano globalmente.
Sistemas alimentares sustentáveis: transformar cadeias produtivas para reduzir emissões e preservar biodiversidade.
Exposição a poluentes: integrar políticas de saúde pública com regulação ambiental.
O tema de 2026: Confie na Ciência
O lema “Together for Health. Stand with Science” confronta diretamente a onda de desinformação e desconfiança na ciência que cresceu após a pandemia. A OMS convoca governos a fortalecer o investimento em pesquisa e a incorporar evidências científicas nas decisões sobre saúde, clima e alimentação.
O que o Brasil tem a ver com isso
País com a maior biodiversidade do planeta, vastas fronteiras agrícolas e desafios urbanos de saneamento, o Brasil está na intersecção de todas as quatro ameaças discutidas em Lyon. A experiência brasileira com vigilância integrada de arboviroses e controle de resistência antimicrobiana na agropecuária são referências citadas pela OMS. As decisões de Lyon devem influenciar políticas públicas globais pelos próximos anos.


