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Saúde Única: entenda o conceito que conecta a saúde de humanos, animais e do planeta

No Dia Mundial da Saúde de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu como tema central a defesa da ciência e o conceito de Saúde Única. Mas o que exatamente é essa abordagem, por que ela ganhou destaque agora e o que ela significa para a saúde do brasileiro?

O que é Saúde Única

Saúde Única, ou One Health em inglês, é uma abordagem que reconhece que a saúde humana, a saúde animal e a saúde ambiental são interdependentes. Isso significa que doenças em animais podem afetar humanos, e que a degradação do meio ambiente cria condições para o surgimento de novas epidemias.

O conceito não é novo. Cientistas falam sobre essa conexão desde o século 19. Mas foi a pandemia de Covid-19, causada por um vírus que provavelmente saltou de animais para humanos, que transformou Saúde Única de teoria acadêmica em prioridade política global.

Exemplos práticos no Brasil

O Brasil já aplica o conceito de Saúde Única em pelo menos duas áreas importantes. Na vigilância da febre amarela, a morte de macacos em áreas de mata funciona como sistema de alerta precoce: quando primatas começam a morrer, as autoridades sabem que o vírus está circulando e podem vacinar populações humanas antes que o surto chegue às cidades.

Na dengue, a abordagem envolve o controle do mosquito Aedes aegypti (saúde animal e ambiental), o monitoramento de casos em humanos (saúde humana) e a urbanização planejada para evitar acúmulo de água parada (saúde ambiental). Quando um desses pilares falha, os surtos se agravam.

Por que a OMS defende essa abordagem agora

A OMS identificou que 75% das doenças infecciosas emergentes nos últimos 30 anos tiveram origem animal. Desmatamento, tráfico de animais silvestres, criação industrial intensiva e mudanças climáticas aumentam o risco de novas pandemias. A abordagem propõe que médicos, veterinários, biólogos e ambientalistas trabalhem juntos na prevenção.

O que muda na prática

Para o cidadão comum, Saúde Única pode parecer um conceito abstrato, mas seus efeitos são concretos. Ela influencia decisões como onde construir novos bairros (longe de áreas com risco de zoonoses), como regular a criação de animais (para reduzir o uso de antibióticos que geram superbactérias) e como monitorar a qualidade da água e do ar.

No SUS, a integração entre vigilância epidemiológica humana e animal já avança, mas especialistas apontam que o Brasil precisa investir mais em sistemas de monitoramento ambiental e na formação de profissionais que entendam a interseção entre saúde e meio ambiente.