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Saúde

Surto de chikungunya em Dourados (MS) já soma 5 mortes e mais de 3,6 mil notificações

Comunidades indígenas concentram quase 70% dos casos confirmados; Ministério da Saúde envia força-tarefa para conter a crise sanitária.

Agentes de combate às endemias atuando no enfrentamento à chikungunya em Dourados
Foto: Edjalma Borges/Ministério da Saúde

O município de Dourados, no Mato Grosso do Sul, vive uma emergência sanitária provocada pelo avanço acelerado da chikungunya. Até o dia 4 de abril de 2026, a cidade registrou 3.596 notificações da doença, com 1.314 casos confirmados, 459 descartados e 1.823 ainda em investigação.

Comunidades indígenas no epicentro da crise

Das 1.314 confirmações, 914 ocorreram em território indígena, o equivalente a 69,6% do total. Todas as cinco mortes confirmadas aconteceram dentro da Reserva de Dourados, incluindo dois bebês com menos de quatro meses e um adolescente de 12 anos.

A vulnerabilidade se explica por fatores estruturais: acesso limitado a saneamento básico, acúmulo de reservatórios de água que servem como criadouros do Aedes aegypti e dificuldades no acesso rápido a atendimento médico. A taxa de positividade nos testes alcança 74,42%.

Pressão sobre o sistema de saúde local

A UPA de Dourados registrou média de 456 atendimentos diários nas últimas duas semanas, salto de mais de 50% em relação à média anterior de 302. Ao todo, 96 pacientes precisaram ser transferidos para unidades hospitalares com maior capacidade.

Diferentemente da dengue, a chikungunya se caracteriza por dores articulares intensas que podem persistir por semanas ou meses. A letalidade em Mato Grosso do Sul em 2026 está sete vezes maior do que nos anos anteriores.

Resposta federal em múltiplas frentes

A Força Nacional do SUS está presente desde 17 de março, com 40 profissionais que realizaram mais de 1.400 atendimentos médicos na reserva indígena. No início de abril, o governo enviou 50 agentes de combate às endemias, que já visitaram mais de 4.300 residências e planejam instalar 1.000 Estações Disseminadoras de Larvicida.

Investimentos e reforço para os próximos meses

O Ministério da Saúde liberou R$ 900 mil em recursos emergenciais. Para maio, está prevista a contratação de 102 profissionais adicionais, incluindo agentes indígenas de saúde, enfermeiros e psicólogos. Uma distribuição de 2 mil cestas de alimentos também foi anunciada.

Prevenção continua sendo a principal arma

Eliminar recipientes com água parada, utilizar repelentes, manter caixas d’água tampadas e instalar telas em janelas são medidas essenciais. A situação em Dourados serve de alerta: as arboviroses continuam sendo uma ameaça concreta, e populações em condições mais frágeis pagam o preço mais alto quando a prevenção falha.