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Saúde

Vacina 100% nacional contra dengue em dose única chega ao SUS

O Instituto Butantan entrega ao SUS a primeira vacina de dose única contra dengue do mundo, com eficácia de 74,7% e proteção total contra hospitalizações.

Profissional de saúde aplicando vacina contra dengue
Foto: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde

O Brasil acaba de dar um passo histórico no combate à dengue. A Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a doença no mundo, começou a ser distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após aprovação da Anvisa em dezembro de 2025. Com produção inteiramente nacional, o imunizante representa uma virada de página na saúde pública do país.

Como funciona a Butantan-DV

A vacina é composta por versões atenuadas dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1 a DENV-4). Diferentemente da Qdenga, fabricada pela japonesa Takeda e que exige duas doses, a Butantan-DV confere proteção com uma única aplicação.

Os ensaios clínicos, com mais de 16 mil voluntários, demonstraram eficácia global de 74,7%. Contra casos graves, a proteção sobe para 91,6%. E o dado mais expressivo: 100% de eficácia contra hospitalizações: nenhum voluntário vacinado precisou ser internado.

Quem recebe primeiro

A Anvisa aprovou o uso para a faixa etária de 12 a 59 anos. O Ministério da Saúde iniciou a estratégia piloto em janeiro de 2026, priorizando profissionais da Atenção Primária à Saúde. O contrato prevê investimento de R$ 368 milhões para as primeiras 3,9 milhões de doses.

Produção em larga escala

O grande trunfo da Butantan-DV é ser inteiramente fabricada no Brasil, reduzindo a dependência de importações. Com parceria com a WuXi Biologics, a meta é entregar 30 milhões de doses até o fim de 2026 e alcançar 100 milhões de doses anuais a longo prazo.

O impacto na saúde pública

A dose única simplifica radicalmente a logística de vacinação, não é preciso reconvocar o paciente. A produção nacional protege o Brasil de oscilações do mercado internacional. Enquanto a Qdenga custava cerca de US$ 40 por dose, a Butantan-DV será distribuída gratuitamente pelo SUS a custo muito menor.

Especialistas ressaltam que a vacina não substitui o combate ao Aedes aegypti, mas a combinação de vacinação em massa com controle vetorial pode, pela primeira vez, reduzir drasticamente o impacto da dengue no país.