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Economia

Vagas de até 2 salários mínimos representam 87% do crescimento do emprego no Brasil desde 2023

Levantamento mostra que trabalhadores na faixa de 1 a 2 salários mínimos foram responsáveis por 4 milhões de novas ocupações em três anos.

Notas de real representando o salário mínimo e o mercado de trabalho
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Um levantamento recente revelou que os trabalhadores brasileiros que recebem entre um e dois salários mínimos foram os grandes protagonistas da expansão do emprego no país nos últimos três anos. Segundo dados compilados pela Folhapress com base em estatísticas do IBGE, essa faixa salarial respondeu por impressionantes 87,3% do crescimento da população ocupada entre 2023 e 2025.

Quatro milhões de novas ocupações na base salarial

Os números são expressivos: em três anos, houve um aumento de 4 milhões no número de ocupados que ganham entre um e dois pisos nacionais. No mesmo período, a ocupação total no Brasil cresceu 4,6 milhões de pessoas. Até dezembro de 2025, os trabalhadores nessa faixa representavam 37,1% de toda a força de trabalho ocupada no país, um salto em relação aos 34,8% registrados em 2023.

Salário mínimo de R$ 1.621 e seus efeitos em cadeia

O cenário ganha contexto com o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 em janeiro de 2026, um aumento de 6,79%. De acordo com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a valorização somada à nova faixa de isenção do Imposto de Renda deve injetar cerca de R$ 110 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026.

Mudanças no Bolsa Família estimularam busca por trabalho

Especialistas apontam que alterações nas regras do Bolsa Família implementadas a partir de 2023 também contribuíram. Com ajustes que reduziram o receio de perder o benefício ao ingressar no mercado formal, mais brasileiros de baixa renda passaram a buscar emprego ativamente, preenchendo vagas em setores como comércio, serviços e construção civil.

O debate sobre a qualidade das vagas geradas

Embora os números sejam positivos, economistas alertam para a concentração na faixa de menor remuneração. Setores como tecnologia e engenharia, que oferecem salários mais elevados, tiveram participação modesta. Isso sugere que o crescimento brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais para avançar em produtividade.

Perspectivas para o restante de 2026

Com o salário mínimo já reajustado e a injeção de recursos na economia, a expectativa é de que o mercado de trabalho continue aquecido. No entanto, a taxa Selic elevada e a incerteza no cenário internacional podem moderar o ritmo de criação de vagas. O IBGE deve divulgar nos próximos meses os dados consolidados do primeiro trimestre de 2026.