A missão Artemis II, da NASA, completou nesta segunda-feira (7) o sobrevoo ao redor da Lua e iniciou a trajetória de retorno à Terra. Os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion passaram pelo lado oculto do satélite natural e atingiram o ponto mais distante já alcançado por seres humanos em toda a história da exploração espacial.
O momento mais aguardado da missão ocorreu quando a cápsula atingiu o ponto mais afastado de sua órbita lunar: aproximadamente 450 mil quilômetros da Terra. O comandante Reid Wiseman descreveu a Lua, vista de perto, como tendo “o tamanho de uma bola de basquete” durante a passagem mais próxima da superfície.
O que é a Artemis II
Trata-se da primeira missão tripulada do programa Artemis, que tem como objetivo final o retorno de astronautas à superfície lunar. A Artemis I, realizada em 2022, fez o mesmo trajeto sem tripulação. A Artemis II é, portanto, um teste de todos os sistemas com seres humanos a bordo, sem pouso na Lua.
A tripulação é formada por quatro pessoas: o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover (primeiro astronauta negro a viajar à órbita lunar), a especialista de missão Christina Koch e o astronauta canadense Jeremy Hansen. A presença de Hansen marca a primeira vez que um não americano participa de uma missão lunar.
O sobrevoo pelo lado oculto
Durante a passagem pelo lado oculto da Lua, toda a comunicação com a Terra foi interrompida por aproximadamente 30 minutos. Nesse período, os astronautas dependeram exclusivamente dos sistemas autônomos da cápsula Orion e do módulo de serviço europeu, construído pela Agência Espacial Europeia (ESA).
A equipe realizou fotografias de alta resolução da superfície lunar, incluindo áreas que são candidatas para o pouso da futura missão Artemis III, prevista para 2027. O polo sul da Lua é o alvo principal, devido à presença confirmada de gelo de água em crateras permanentemente sombreadas.
Riscos invisíveis da viagem
A missão trouxe à tona aspectos pouco discutidos da exploração espacial profunda. Fora da proteção do campo magnético terrestre, os astronautas ficaram expostos a níveis elevados de radiação cósmica. A NASA monitora em tempo real os dosímetros instalados na cápsula e nos trajes da tripulação.
Erupções solares representam outro risco significativo. O Sol está em período de máxima atividade em seu ciclo de 11 anos, o que aumenta a frequência de eventos que podem liberar partículas de alta energia em direção à Lua. Durante a missão, pelo menos duas erupções de classe M foram registradas, mas nenhuma atingiu a trajetória da Orion.
Os cinturões de radiação de Van Allen, que envolvem a Terra, foram atravessados duas vezes pela cápsula: na ida e no retorno. A Orion possui blindagem reforçada em relação às cápsulas do programa Apollo, mas a exposição prolongada a radiação fora da magnetosfera terrestre permanece um dos maiores desafios para missões de longa duração.
Cronograma de retorno
A cápsula Orion deve reentrar na atmosfera terrestre nos próximos dias, com pouso previsto no Oceano Pacífico, ao largo da costa da Califórnia. A velocidade de reentrada será superior a 40 mil km/h, testando o escudo térmico em condições reais com tripulação a bordo pela primeira vez.
Um navio da Marinha dos EUA já está posicionado na zona de pouso para a recuperação da cápsula e dos astronautas. Equipes médicas acompanharão a condição física da tripulação após aproximadamente dez dias no espaço.
O que vem depois
O sucesso da Artemis II abre caminho para a Artemis III, que levará astronautas à superfície lunar pela primeira vez desde a Apollo 17, em 1972. A SpaceX, de Elon Musk, é responsável pelo módulo de pouso Starship HLS, que ainda precisa completar testes orbitais.
A longo prazo, o programa Artemis prevê a construção de uma estação orbital lunar chamada Gateway e o estabelecimento de uma presença humana sustentada na Lua como preparação para futuras missões a Marte. A NASA trabalha com um orçamento de US$ 93 bilhões para o programa completo, distribuído ao longo de uma década.
O feito da Artemis II consolida uma nova era da exploração espacial, agora marcada pela cooperação internacional e pelo envolvimento de empresas privadas em papéis que antes eram exclusivos de agências governamentais.


