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Mundo

Ultimato de Trump expira hoje: EUA atacam Ilha de Kharg e Irã retalia contra Arábia Saudita

Presidente dos EUA deu prazo até às 21h de Brasília para acordo com Teerã. Caso não haja avanço, ataques a pontes e usinas de energia estão no radar. Entenda o que pode acontecer.

Cenário de tensão diplomática no Oriente Médio entre EUA e Irã

Atualizado em 7/abr: Os EUA lançaram nova onda de ataques contra a Ilha de Kharg, atingindo mais de 50 alvos militares. O Irã retaliou com mísseis contra o complexo petroquímico SABIC em Al Jubail, na Arábia Saudita. Petróleo WTI saltou 3% para US$ 116. O ultimato de Trump expira às 21h de Brasília.

EUA atacam Ilha de Kharg pela segunda vez

Na madrugada desta terça-feira, aviões de combate e mísseis de cruzeiro americanos atingiram mais de 50 instalações militares na Ilha de Kharg, por onde passa 90% das exportações de petróleo do Irã. Segundo o Pentágono, a infraestrutura petrolífera civil não foi alvo direto, mas analistas questionam até quando essa distinção será mantida em uma ilha que é essencialmente um complexo de exportação de energia.

Esta foi a segunda operação americana contra a ilha. A primeira, em 13 de março, atingiu mais de 90 alvos militares. A intensificação dos ataques acontece no dia em que vence o prazo dado por Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.

Irã retalia contra Arábia Saudita

Horas depois dos bombardeios a Kharg, a Guarda Revolucionária iraniana lançou mísseis balísticos e drones contra a cidade industrial de Al Jubail, na costa leste da Arábia Saudita. O alvo foi o complexo da SABIC, uma das maiores petroquímicas do mundo. A defesa antiaérea saudita interceptou sete mísseis, mas fragmentos atingiram instalações de energia e provocaram incêndios visíveis a quilômetros.

Al Jubail responde por mais de 7% do PIB saudita. Trabalhadores foram evacuados. A Guarda Revolucionária advertiu que, se Trump destruir a infraestrutura civil do Irã, Teerã irá privar os EUA e seus aliados do petróleo e do gás da região por anos.

O que Trump exige do Irã

As condições impostas por Washington incluem a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Os EUA também exigem acesso irrestrito às instalações nucleares iranianas e a devolução de um piloto americano capturado nas primeiras semanas do conflito.

Teerã rejeitou as propostas, classificando-as como unilaterais e injustas. O governo iraniano exige compensação financeira pelos danos causados pela Operação Leão Rugidor antes de qualquer negociação sobre o Estreito. Trump declarou que uma civilização inteira morrerá esta noite se o acordo não for fechado até as 20h de Washington (21h de Brasília).

Retaliação iraniana já atinge cinco países

Desde o início do conflito, o Irã disparou mísseis e drones que atingiram alvos em Israel, Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Na Arábia Saudita, além do ataque a Al Jubail, mísseis iranianos danificaram a ponte que liga o país ao Bahrein. Israel confirmou a eliminação do chefe de inteligência da Guarda Revolucionária em operação separada e conduziu ataques ao maior complexo petroquímico do Irã em Asaluyeh.

A Turquia mantém esforços de mediação. Paquistão confirmou conversas de paz mediadas pela China em Pequim, sinal de que potências regionais tentam evitar que o conflito se espalhe.

Impacto econômico: petróleo dispara e inflação pressiona

O barril de petróleo WTI saltou mais de 3% após as notícias dos ataques a Kharg, chegando a quase US$ 116. O Brent opera acima de US$ 110. Desde o início do conflito em fevereiro, a alta acumulada supera 50%. A Agência Internacional de Energia classificou a crise como o maior choque de oferta da história do mercado de petróleo.

No Brasil, o governo respondeu com redução de impostos sobre combustíveis e aumento de subsídio ao diesel. A Petrobras monitora a situação, mas não descarta reajustes. O Boletim Focus elevou a projeção de inflação para 2026 pela quarta semana consecutiva, para 4,36%. O Copom se reúne nos dias 28 e 29 de abril para decidir sobre a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

Os cenários a partir de agora

Acordo de última hora: Diplomatas de Turquia, Paquistão, Egito e China mantêm conversas com ambos os lados. Um acordo mínimo envolveria a reabertura parcial do Estreito de Ormuz em troca da suspensão dos bombardeios a infraestrutura civil. Analistas consideram esse cenário possível, porém cada vez mais improvável.

Escalada total: Se o prazo expirar sem acordo, Trump ameaçou bombardear simultaneamente todas as usinas de energia e pontes do Irã. Seria a maior campanha de destruição de infraestrutura civil em décadas. O Irã prometeu retaliação equivalente contra aliados americanos no Golfo.

Guerra de atrito prolongada: O cenário mais provável segundo analistas da CNBC e do Council on Foreign Relations: ataques seletivos continuam de ambos os lados, o Estreito permanece fechado ou parcialmente bloqueado por semanas, e o petróleo se mantém entre US$ 100 e US$ 130.

O que acompanhar nas próximas horas

O prazo de Trump expira às 21h de Brasília. Pronunciamentos oficiais de Washington e Teerã são esperados ao longo da noite. O Conselho de Segurança da ONU pode convocar reunião de emergência. A cúpula Trump-Xi, prevista para maio em Pequim, pode ser antecipada se a China decidir intervir como mediadora para proteger seus interesses energéticos na região.