A restituição do Imposto de Renda 2026 já entrou na reta final. A Receita Federal pagou os quatro lotes regulares em 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 31 de agosto e, em 30 de setembro, creditou um lote residual com 412.186 restituições, que somaram R$ 1,27 bilhão. Se o seu dinheiro ainda não caiu, a explicação costuma estar em três lugares: pendência na declaração (malha fina), problema na conta ou na chave Pix informada, ou entrega fora do prazo. Este guia mostra como descobrir em qual situação você está, como corrigir e quando esperar o próximo pagamento.
Calendário da restituição 2026: o que já foi pago
Em 2026 a Receita trabalhou com quatro lotes regulares, um a menos que no ano anterior. A estratégia foi concentrar os pagamentos no início: os dois primeiros lotes, de cerca de R$ 16 bilhões cada, responderam por aproximadamente 80% de todas as restituições previstas para o ano, segundo a própria Receita. O primeiro lote foi o maior da história em valor. O quarto lote, inicialmente marcado para 28 de agosto, foi remarcado para 31 de agosto.
| Lote | Pagamento | Restituições | Valor total | Correção aproximada |
|---|---|---|---|---|
| 1º lote | 29/05/2026 | 8.749.992 | cerca de R$ 16 bilhões | 0% |
| 2º lote | 30/06/2026 | 9.585.797 | cerca de R$ 16 bilhões | 1% |
| 3º lote | 31/07/2026 | 2.743.200 | R$ 4,61 bilhões | cerca de 2,1% |
| 4º lote | 31/08/2026 | 521.935 | R$ 1,24 bilhão | cerca de 3,3% |
| Lote residual | 30/09/2026 | 412.186 | R$ 1,27 bilhão | cerca de 4,4% |
Os valores dos lotes incluem também restituições residuais de anos anteriores. A coluna de correção é uma estimativa feita a partir da regra legal (explicada mais abaixo) e das taxas Selic mensais divulgadas pelo Banco Central; o percentual exato do seu caso aparece no extrato do e-CAC. A declaração deste ano teve recorde de entregas: 44,39 milhões de documentos até o fim do prazo, em 29 de maio, com 59,8% feitos pela modalidade pré-preenchida.
Além dos lotes regulares, a Receita pagou em 15 de julho um lote especial piloto de restituição automática, de até R$ 1.000 por pessoa, voltado a cerca de 4 milhões de contribuintes que não eram obrigados a declarar, tiveram imposto retido na fonte e possuíam chave Pix CPF. Quem recebeu esse crédito não precisou fazer nada.
Como consultar a sua restituição agora
A consulta de cada lote é liberada cerca de uma semana antes do crédito. Como os lotes regulares já terminaram, o que interessa agora é a situação da sua declaração. Há três caminhos oficiais:
- Site da Receita: em gov.br/receitafederal, clique em “Meu Imposto de Renda” e depois em “Consultar minha restituição”. É preciso entrar com a conta gov.br (nível prata ou ouro).
- Aplicativo da Receita Federal: para celular e tablet, mostra a liberação da restituição e a situação do CPF.
- Extrato de processamento no e-CAC: é a consulta completa. Mostra se a declaração foi processada, se há pendências, qual o motivo e se o crédito foi enviado ao banco.
As mensagens mais comuns e o que elas significam:
| Situação exibida | O que significa | O que fazer |
|---|---|---|
| Em fila de restituição | Declaração processada, sem erros, aguardando lote | Esperar o próximo lote residual |
| Com pendência | Declaração retida na malha fiscal | Ver o motivo e, se houver erro, enviar retificadora |
| Restituição disponibilizada | Crédito enviado ao banco na data do lote | Conferir a conta; se não caiu, pedir reagendamento |
| Em processamento | Declaração recebida, ainda em análise | Aguardar e consultar de novo em alguns dias |
Se você quer um passo a passo específico para quem esperava pagamento e não recebeu, veja também nosso guia restituição do IR 2026 não caiu no último lote: o que fazer.
Lotes residuais: quem recebe e como funcionam
Depois dos lotes regulares, a Receita passa a pagar lotes residuais, normalmente um por mês, sem calendário fixo divulgado com antecedência. Eles reúnem três grupos: quem entregou a declaração de 2026 depois de 29 de maio, quem caiu na malha fina e resolveu a pendência e quem tem restituições pendentes de exercícios anteriores.
O lote residual de setembro mostra como a fila funciona mesmo nessa fase. Dos R$ 1,27 bilhão, R$ 466,7 milhões foram para contribuintes com prioridade legal: 9.250 pessoas com mais de 80 anos, 59.722 entre 60 e 79 anos, 7.341 com deficiência ou doença grave e 19.699 professores. Outras 281.609 restituições foram para quem usou a declaração pré-preenchida ou escolheu receber por Pix, e só 34.565 para contribuintes sem nenhuma prioridade.
Na prática, quem regulariza a declaração agora tende a ser incluído em um dos próximos residuais, desde que não haja nova pendência. Fique atento aos comunicados da Receita, que costuma liberar a consulta de cada residual uma semana antes do crédito.
Caiu na malha fina? Veja como sair
A malha fiscal é a retenção da declaração para conferência. Em 5 de outubro a Receita começou a enviar cartas a 498.487 contribuintes com a declaração de 2026 retida, dentro do Projeto Cartas 2026. Os envios seguem em lotes semanais até 20 de outubro. A carta é um convite à autorregularização: corrigir antes de ser intimado evita multa e destrava a restituição.
Segundo a Receita, os erros que mais levam à retenção são:
- esquecer rendimentos recebidos de forma pontual, como um trabalho avulso ou um aluguel;
- não informar todos os rendimentos de aposentadoria quando há mais de uma fonte pagadora;
- informar despesa médica com valor ou ano errados;
- lançar contribuições ao VGBL como dedutíveis (esse plano não é previdência dedutível);
- deixar de declarar rendimentos de dependentes incluídos na declaração.
O caminho para sair é este: entre no Meu Imposto de Renda, abra o aviso “Com Pendência” e leia o motivo da retenção. Se você errou, envie uma declaração retificadora pelo programa do IRPF ou pelo próprio Meu Imposto de Renda, sem precisar ir a uma unidade da Receita. Se a declaração estava correta e mesmo assim ficou retida, reúna os comprovantes e aguarde a intimação ou antecipe a entrega de documentos pelo serviço digital de malha fiscal no e-CAC.
Quem ignora a pendência corre o risco de ser autuado. Nesse caso, além do imposto devido, a cobrança inclui juros e multa de ofício, que parte de 75% do imposto apurado. Para entender o processo em detalhes, leia nosso guia sobre a malha fina 2026 e as cartas da Receita.
Restituição liberada mas não caiu na conta
O pagamento é feito somente em conta do titular da declaração. Se os dados bancários estiverem errados, a conta estiver encerrada ou a chave Pix não funcionar, o crédito é bloqueado. Em julho, a Receita informou que cerca de 165 mil restituições não tinham sido creditadas porque o contribuinte indicou o CPF como chave Pix, mas não tinha essa chave cadastrada em nenhum banco.
Há três formas de resolver. A primeira é pedir o reagendamento no Banco do Brasil, possível por até um ano após a primeira tentativa de crédito, pelo endereço bb.com.br/irpf ou pela Central de Relacionamento (4004-0001 nas capitais e 0800-729-0001 nas demais localidades). Você vai precisar do valor da restituição e do número do recibo da declaração. A segunda é cadastrar o CPF como chave Pix em um banco e pedir o novo crédito. A terceira é alterar a conta de recebimento pelo Meu Imposto de Renda ou por retificadora.
Se passar um ano sem resgate, o valor volta para a Receita. Aí é preciso pedir pelo e-CAC, no caminho Declarações e Demonstrativos, Meu Imposto de Renda, “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.
Quanto a restituição rende de correção
A lei manda corrigir a restituição pela taxa Selic acumulada a partir do mês seguinte ao fim do prazo de entrega até o mês anterior ao pagamento, mais 1% no mês do crédito. Como o prazo terminou em 29 de maio, quem recebeu no 1º lote não teve correção e quem recebeu em junho teve 1%. A partir de julho, soma-se a Selic de cada mês: pelas taxas mensais do Banco Central (1,12% em junho, 1,22% em julho e 1,09% em agosto), a correção chegou a algo em torno de 4,4% no residual de setembro. Quem receber em outubro ou depois terá percentual um pouco maior.
Esse rendimento não é motivo para atrasar a regularização. A correção apenas repõe o valor do dinheiro no tempo, e cada mês de atraso é um mês sem acesso a um dinheiro que já é seu. Guarde o comprovante do crédito: ele mostra separadamente o valor principal e os juros, informação útil na hora de preencher a declaração de 2027.
Simule o valor e prepare a próxima declaração
O simulador abaixo estima a restituição a partir da renda tributável, do imposto retido e das deduções. Ele foi montado com o calendário original divulgado pela Receita, por isso o 4º lote aparece com a data prevista de 28 de agosto; o pagamento efetivo ocorreu em 31 de agosto. Para os lotes residuais, use o resultado como referência do valor principal e acrescente a correção descrita acima.
Simulador de Restituição do IR 2026
Declaração de 2026 (ano-calendário 2025): confira o valor da restituição e a correção pela Selic
Referências (atualizado em 17/10/2026): tabela anual do ano-calendário 2025 da Receita Federal, com isenção até R$ 28.467,20 e alíquotas de 7,5% a 27,5%; dedução de R$ 2.275,08 por dependente; desconto simplificado de 20% limitado a R$ 16.754,34. A redução da Lei 15.270/2025 só vale a partir da declaração de 2027. Selic dos lotes: Receita Federal (1º ao 3º lote) e regra do art. 16 da Lei 9.250/1995 com a Selic mensal do Sicalc (4º lote e residual de setembro). A temporada regular de 2026 teve quatro lotes; depois deles a Receita paga lotes residuais, sem calendário fixo.
Simulação simplificada. O valor real depende de todos os rendimentos, das deduções aceitas (educação tem limite de R$ 3.561,50 por pessoa) e do processamento da declaração. Consulte o extrato no e-CAC ou em Meu Imposto de Renda.
Para 2027, a lógica de prioridade não deve mudar: depois dos grupos com prioridade legal, a Receita paga primeiro quem usa a declaração pré-preenchida e indica chave Pix CPF, e dentro de cada grupo vale a ordem de entrega. Declarar cedo, conferir o informe de rendimentos de cada fonte pagadora e guardar comprovantes de despesas médicas e de educação são as medidas que mais reduzem o risco de malha.
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Perguntas frequentes
Ainda vai ter lote da restituição do IR 2026?
Os quatro lotes regulares terminaram em 31 de agosto, mas a Receita continua pagando lotes residuais, em geral um por mês, como o de 30 de setembro. Eles contemplam quem entregou fora do prazo, quem saiu da malha fina e quem tinha restituição pendente de anos anteriores.
Minha declaração está “em fila de restituição”. Isso é malha fina?
Não. “Em fila de restituição” indica que a declaração foi processada sem pendências e aguarda pagamento conforme a ordem de prioridade. Malha fina aparece como “Com Pendência” no Meu Imposto de Renda.
Recebi carta da Receita sobre malha fina. É golpe?
A Receita de fato envia cartas de autorregularização entre 5 e 20 de outubro de 2026. Mesmo assim, não clique em links nem pague boletos recebidos por e-mail ou mensagem: confirme sempre a pendência entrando diretamente no Meu Imposto de Renda ou no e-CAC com sua conta gov.br.
Depois de enviar a retificadora, quanto tempo leva para receber?
Não há prazo fixo. Se a retificadora resolver a pendência e não gerar nova inconsistência, a declaração volta para a fila e entra em um dos lotes residuais seguintes. Acompanhe a situação pelo extrato de processamento no e-CAC.
Posso receber a restituição na conta de outra pessoa?
Não. O crédito só é feito em conta ou chave Pix do próprio titular da declaração. Se você indicou conta de terceiro, encerrada ou chave Pix inexistente, o pagamento é bloqueado e precisa ser reagendado no Banco do Brasil em até um ano.
A restituição do Imposto de Renda é tributada?
Não. A restituição é a devolução de imposto pago a mais durante o ano, e não um novo rendimento. Na declaração de 2027, a forma de informar a parte correspondente aos juros da Selic deve ser conferida no Perguntas e Respostas do IRPF publicado pela Receita, que traz a orientação oficial de cada ano.
Fontes: Receita Federal (comunicados do lote residual de setembro e do Projeto Cartas 2026 e página de lotes de 2026), Ministério da Fazenda, Agência Gov, Banco Central do Brasil (série de taxa Selic mensal), B3 Bora Investir e COAD.





