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Brasil

Confinamento de gado se mantém firme no Brasil apesar de custos elevados e incertezas no mercado

Apesar dos custos elevados e das incertezas no mercado internacional, o setor de confinamento de gado no Brasil mantém ritmo firme em 2026. Dados da Associação Nacional dos Confinadores indicam que a intenção de confinar permanece alta entre os pecuaristas, sustentada por melhorias nos preços de insumos como milho e farelo de soja, que recuaram entre 10% e 15% em comparação ao mesmo período de 2025.

Custos e desafios do setor

O principal fator de pressão continua sendo o preço do boi magro, que registrou alta de 22% nos últimos 12 meses. A valorização do animal de reposição reduz a margem do confinador, que precisa de um boi gordo mais caro na saída para manter a operação rentável. Segundo analistas do mercado, a arroba do boi gordo precisaria se manter acima de R$ 260 para viabilizar a maioria das operações de confinamento.

Outro desafio é a limitação das cotas chinesas para a carne brasileira. A China, maior importador de proteína animal do Brasil, tem imposto restrições fitossanitárias e limites de volume que afetam diretamente a demanda e os preços internos.

Por que o confinamento cresce mesmo assim

Especialistas apontam que a profissionalização do setor explica a resiliência do confinamento. Nos últimos cinco anos, grandes operações investiram em tecnologia de nutrição, monitoramento por sensores e genética animal, reduzindo o tempo médio de engorda e aumentando a eficiência por cabeça confinada.

A diversificação de mercados também ajuda. Com as restrições chinesas, frigoríficos brasileiros ampliaram vendas para o Oriente Médio, Sudeste Asiático e União Europeia, diluindo a dependência de um único comprador.

Perspectivas para o segundo semestre

A safra de milho 2025/2026, com previsão de colheita recorde de 130 milhões de toneladas, deve manter os custos de ração em patamares favoráveis. Já o preço do boi gordo tende a subir no segundo semestre, impulsionado pela demanda interna aquecida e pela redução da oferta de animais a pasto durante o período seco.

Para o consumidor, a expectativa é de estabilidade nos preços da carne bovina nos próximos meses, com possível alta moderada a partir de agosto.