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Dinheiro

Fim da escala 6×1: governo confirma jornada de 5 dias e 40 horas semanais sem reducao de salario

Nova regra trabalhista garante dois dias de folga por semana para todos os trabalhadores com carteira assinada. Medida vale para novos contratos e será implementada de forma gradual.

Fim da escala 6×1: governo confirma jornada de 5 dias e 40 horas semanais sem reducao de salario
Foto: Jose Cruz/Agencia Brasil

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou contornos definitivos em 2026, com o governo federal confirmando a jornada de 5 dias e 40 horas semanais como prioridade legislativa. A mudanca, que afeta mais de 40 milhoes de trabalhadores brasileiros, tramita simultaneamente na Camara e no Senado por meio de Propostas de Emenda a Constituicao (PECs) que alteram o artigo 7o da Constituicao Federal.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, declarou em marco de 2026 que o fim da escala 6×1 e uma das prioridades do governo, ao lado dos direitos para trabalhadores por aplicativos. A expectativa e que a Camara vote a PEC ate maio de 2026.

O que e a escala 6×1

A escala 6×1 e o regime de trabalho mais comum no Brasil, onde o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga um. Pela CLT atual, a jornada maxima e de 44 horas semanais, distribuidas em ate 6 dias, com direito a um dia de descanso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.

Esse modelo foi estabelecido pela Constituicao de 1988 e nao sofreu alteracao significativa em quase 40 anos, enquanto a maioria dos paises desenvolvidos ja adotou jornadas de 35 a 40 horas semanais com dois dias de folga. O Brasil e um dos poucos paises da America Latina que ainda permite a jornada de 44 horas.

O que muda com o fim da escala 6×1

As propostas em tramitacao preve tres mudancas principais. Primeiro, a reducao da jornada semanal maxima de 44 para 36 horas. Segundo, a garantia de dois dias de descanso semanal remunerado, preferencialmente sabados e domingos. Terceiro, a transicao sera gradual, para que empresas possam se adaptar sem impacto economico abrupto.

O texto aprovado pela CCJ do Senado (PEC 148/2015, do senador Paulo Paim) preve um cronograma de reducao progressiva: no primeiro ano apos a promulgacao, a jornada cai para 40 horas semanais. A partir dai, reduz uma hora por ano ate chegar a 36 horas semanais. Isso significa que a transicao completa levaria cerca de quatro anos.

Situacao no Congresso

Existem duas frentes legislativas. No Senado, a PEC 148/2015 ja foi aprovada pela Comissao de Constituicao e Justica (CCJ) e aguarda votacao no plenario. Na Camara, a PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) tambem avanca e tem expectativa de ser votada ate maio de 2026, apos passar pela CCJ e por uma comissao especial.

O governo sinalizou apoio a ambas as propostas, mas ha resistencia de setores do empresariado, especialmente no comercio e na industria, que argumentam que a reducao de jornada sem reducao de salario elevaria custos operacionais em ate 20%. Entidades como a CNC (Confederacao Nacional do Comercio) e a CNI (Confederacao Nacional da Industria) pediram um periodo de transicao mais longo.

Quem sera afetado

A mudanca afeta todos os trabalhadores com carteira assinada regidos pela CLT. Os setores mais impactados sao o comercio (que historicamente opera em escala 6×1), industria, servicos e saude. Trabalhadores que ja operam em escalas diferenciadas (12×36, por exemplo) podem nao ser diretamente afetados, dependendo da regulamentacao.

Servidores publicos, trabalhadores domesticos e categorias com legislacao propria (como bancarios, que ja tem jornada de 30 horas) terao regras especificas. Profissionais autonomos, MEIs e trabalhadores informais nao sao contemplados pela mudanca, ja que nao estao sob regime CLT.

Impacto economico

Estudos do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatistica e Estudos Socioeconomicos) indicam que a reducao da jornada pode gerar ate 2,5 milhoes de novos postos de trabalho, ja que as empresas precisariam contratar mais funcionarios para manter o mesmo volume de producao. A experiencia de paises como Franca (35 horas) e Alemanha (35-38 horas) sugere ganhos de produtividade apos o periodo de adaptacao.

Por outro lado, a Confederacao Nacional do Comercio estima que o custo adicional para o setor pode chegar a R$ 115 bilhoes por ano, considerando a necessidade de contratacoes adicionais e o pagamento de horas extras para cobrir a diferenca de jornada durante a transicao.

Quando entra em vigor

Se as PECs forem aprovadas em ambas as casas ainda em 2026, a expectativa e que as primeiras mudancas (de 44 para 40 horas) entrem em vigor a partir de 1o de janeiro de 2027. A reducao total para 36 horas seria concluida ate 2030 ou 2031, dependendo do texto final aprovado.

E importante destacar que, por se tratar de Emenda Constitucional, a mudanca nao pode ser revertida por lei ordinaria. Uma vez promulgada, a nova jornada maxima se torna direito constitucional do trabalhador, com a mesma forca juridica que o salario minimo ou o 13o salario.

Perguntas frequentes

Meu salario vai diminuir com a reducao da jornada?

Nao. Todas as propostas em tramitacao garantem a manutencao do salario integral. A reducao e apenas de horas trabalhadas, sem qualquer corte salarial. Isso esta explicito nos textos das PECs.

A escala 12×36 vai acabar?

Nao necessariamente. A escala 12×36 (12 horas de trabalho por 36 de descanso) ja resulta em jornada media de 36 horas semanais, dentro do limite proposto. Categorias que utilizam essa escala, como profissionais de saude e seguranca, podem manter o regime atual.

Quando a mudanca comecar, posso exigir dois dias de folga imediatamente?

Depende do cronograma aprovado. Na proposta do Senado, o primeiro ano seria de transicao para 40 horas. A garantia de dois dias de folga so seria obrigatoria a partir da fase final de implantacao (36 horas). Empresas podem antecipar a mudanca por acordo coletivo.