O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã completou cinco semanas e já é classificado pela Agência Internacional de Energia (AIE) como o mais grave choque de oferta da história do mercado de petróleo. O barril de Brent superou US$ 111, a gasolina nos Estados Unidos atingiu US$ 4,08 por galão e economias da Ásia e da Europa começam a sentir os efeitos da interrupção.
Por que o Estreito de Ormuz importa
O estreito é uma passagem marítima de apenas 33 quilômetros de largura entre o Irã e Omã, por onde transita cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Qatar e Emirados Árabes dependem dessa rota para exportar sua produção. Quando Teerã bloqueou a passagem em resposta à ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos, o impacto foi imediato.
Impacto na economia global
A AIE alertou que as perturbações no abastecimento devem afetar a economia europeia já em abril. A Ásia é ainda mais vulnerável: Japão, Coreia do Sul e Índia dependem pesadamente do petróleo que transita pelo estreito. A China, maior importadora mundial, ativou reservas estratégicas e negocia rotas alternativas por oleodutos terrestres com a Rússia e o Cazaquistão.
Além do petróleo, o bloqueio afeta exportações de gás natural liquefeito, metanol, alumínio, enxofre e grafite, materiais essenciais para a indústria global.
Ultimato e cenários possíveis
O presidente Donald Trump estabeleceu prazo até esta terça-feira (7) para que o Irã reabra o estreito. Aliados dos EUA articulam uma ofensiva diplomática de última hora para evitar uma escalada militar que poderia transformar a crise energética em uma recessão global.
Analistas projetam três cenários: uma reabertura negociada, com alívio imediato nos preços; uma operação militar para forçar a passagem, com riscos de prolongamento do conflito; ou a manutenção do bloqueio, que poderia levar o barril acima de US$ 130 nas próximas semanas.
Efeitos no Brasil
Embora o Brasil seja autossuficiente em petróleo, os preços internacionais afetam os combustíveis domésticos. O governo já zerou o imposto sobre combustível de aviação e ampliou subsídios ao diesel para conter repasses ao consumidor. A Petrobras monitora a situação, mas não descarta reajustes caso o barril permaneça acima de US$ 100 por período prolongado.

