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Estudo revela que Abrolhos perdeu até 50% da cobertura de corais em menos de duas décadas

Pesquisa da UFRJ publicada na Proceedings of the Royal Society mostra declínio drástico nos recifes do arquipélago baiano, com o coral-de-fogo quase desaparecendo.

Recife de corais no Banco de Abrolhos, litoral sul da Bahia
Foto: Mar Sem Fim

Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society revelou que os recifes de coral do Banco de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, perderam até 50% de sua cobertura em menos de duas décadas. A pesquisa, liderada por Rodrigo Moura, da UFRJ, analisou dados de monitoramento entre 2006 e 2023.

O coral-de-fogo à beira do colapso

A população do coral-de-fogo (Millepora), espécie endêmica que só existe no Brasil, caiu 45%. Sua cobertura diminuiu ainda mais após 2017, quando uma onda de calor marinha provocou o terceiro evento global de branqueamento em massa.

Um ecossistema que se simplifica

Os chamados “corais-erva-daninha”, espécies de crescimento rápido e incapazes de construir recifes, aumentaram sua presença em mais de 150%. “O que estamos vendo é um ecossistema que está se desfazendo aos poucos”, explica Rodrigo Moura.

Não é só o clima: problemas locais agravam a crise

O desmatamento da Mata Atlântica na região costeira aumentou o escoamento de sedimentos para o mar. A partir de 2002, a construção de portos e dragagem de canais elevaram os níveis de sedimento na água. Esse acúmulo de pressões locais tornou os corais mais vulneráveis ao aquecimento global.

Três ondas de branqueamento em 17 anos

O período coberto coincidiu com três grandes eventos de branqueamento. Cada episódio deixou marcas progressivamente mais severas, com tempos de recuperação cada vez menores. Em Abrolhos, o ritmo de perda está significativamente acima da média mundial.

O que pode ser feito

Pesquisadores defendem controle do desmatamento nas bacias hidrográficas adjacentes, regulação das atividades portuárias e ampliação das áreas de proteção marinha. Cientistas brasileiros já trabalham em projetos de restauração ativa de recifes, transplantando fragmentos cultivados em laboratório para áreas degradadas.

Os recifes protegem mais de 500 milhões de pessoas no mundo contra a erosão costeira, sustentam a pesca artesanal e geram bilhões em turismo. No Brasil, a perda desses ecossistemas pode ter consequências sociais e econômicas profundas.