Pular para o conteúdo
Explica

Ira teria colocado minas no Estreito de Ormuz: o que isso significa e por que muda tudo

Agências iranianas publicaram gráfico sugerindo que a Guarda Revolucionária colocou minas marítimas no Estreito de Ormuz. Entenda o impacto.

Navio cargueiro oceano estreito

Agências de notícias semioficiais do Irã publicaram nesta quinta-feira (9) um gráfico sugerindo que a Guarda Revolucionária colocou minas marítimas no Estreito de Ormuz durante a guerra. Se confirmado, o fato muda completamente o cenário do cessar-fogo: mesmo que o Irã reabra o estreito, navios não podem passar por águas minadas.

O que são minas marítimas

Minas marítimas são explosivos submersos que detonam ao contato com o casco de um navio ou por proximidade magnética. São baratas de produzir (entre US$ 1.500 e US$ 30 mil cada), fáceis de lançar e extremamente difíceis de detectar e remover. Uma única mina pode afundar um petroleiro de 300 mil toneladas.

O Irã possui um dos maiores arsenais de minas marítimas do mundo, estimado em mais de 6 mil unidades de diversos tipos: de contato, magnéticas e acústicas. Durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), o Irã minou extensivamente o Golfo Pérsico, causando danos a navios americanos e comerciais.

Por que muda tudo

O Estreito de Ormuz tem apenas 3 km de largura nos canais de navegação. Minar essa passagem significa que, mesmo com um cessar-fogo, petroleiros não podem transitar com segurança. A remoção de minas (operação chamada de desminagem) é um processo lento: a Marinha dos EUA estima que limpar o Ormuz levaria semanas a meses, dependendo da quantidade e tipo de minas.

Isso explica por que o petróleo não caiu tanto quanto o esperado após o cessar-fogo. O mercado já precificava o risco de minas: mesmo com acordo, o seguro marítimo para navios no Golfo Pérsico disparou 400% desde o início do conflito.

Precedentes históricos

Em 1988, o navio americano USS Samuel B. Roberts atingiu uma mina iraniana no Golfo Pérsico, resultando na Operação Praying Mantis, o maior confronto naval americano desde a Segunda Guerra Mundial. Em 2019, petroleiros foram danificados por minas de limpet no Golfo de Omã, em incidente atribuído ao Irã.

Se o Irã realmente minou o Ormuz em 2026, a comunidade internacional terá que negociar não apenas um cessar-fogo, mas uma operação de desminagem conjunta — algo que exige cooperação entre adversários e pode levar meses para ser concluído. Enquanto isso, o preço do petróleo continuará elevado.