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Brasil

PMI de serviços do Brasil cai para 50,1 em março e sinaliza desaceleração econômica

O PMI de serviços do Brasil caiu de 53,1 para 50,1 em março, a queda mais acentuada desde a pandemia. O indicador sinaliza estagnação no setor que representa 70% do PIB.

Tela com gráficos de indicadores econômicos e mercado financeiro

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor de serviços do Brasil caiu de 53,1 em fevereiro para 50,1 em março, segundo dados da S&P Global divulgados nesta segunda-feira (7). A queda de três pontos em um único mês é a mais acentuada desde o início da pandemia e coloca o indicador no limite entre expansão e contração.

O que o PMI de 50,1 significa

O PMI é uma escala de 0 a 100 na qual qualquer valor acima de 50 indica expansão e abaixo de 50 sinaliza contração. Com 50,1, o setor de serviços brasileiro está essencialmente estagnado. É o menor nível desde janeiro de 2024, quando o indicador registrou 49,8.

O setor de serviços representa cerca de 70% do PIB brasileiro e emprega mais da metade da força de trabalho formal. Uma desaceleração nessa área tem efeito direto sobre o emprego e a renda das famílias, o que pressiona o consumo e, por consequência, a inflação.

Causas da queda

Analistas apontam três fatores principais para a desaceleração. O primeiro é o efeito dos juros altos: com a Selic a 14,75%, o crédito encareceu e tanto empresas quanto consumidores reduziram gastos. O segundo fator é a incerteza gerada pela crise no Estreito de Ormuz, que elevou custos de energia e transporte. O terceiro é a própria base de comparação: o setor vinha de meses fortes puxados pela recuperação pós-pandemia.

O que esperar

O Copom se reúne nos dias 28 e 29 de abril para decidir sobre a Selic. Um PMI fraco pode reforçar os argumentos a favor de um corte mais agressivo nos juros. O mercado já projeta que a taxa termine 2026 em 12,5%, o que representaria uma queda de 2,25 pontos percentuais ao longo do ano.

Para o cenário de emprego, a estagnação dos serviços é um sinal de alerta, especialmente para as famílias que já sentem a pressão do custo de vida.