O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, desembarcou em Budapeste nesta segunda-feira (7) para uma visita de dois dias com um objetivo declarado: ajudar o primeiro-ministro Viktor Orbán a vencer a eleição parlamentar de domingo (12). É a primeira vez que um vice-presidente americano em exercício faz campanha abertamente por um líder estrangeiro.
O que está em jogo
As eleições húngaras de 12 de abril representam o maior desafio eleitoral que Orbán enfrenta desde que assumiu o poder em 2010. As pesquisas mais recentes mostram o partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, com vantagem de 8 a 12 pontos percentuais sobre o Fidesz, partido de Orbán. Alguns levantamentos indicam até 20 pontos de diferença.
A derrota de Orbán teria implicações que vão muito além da Hungria. Ele é o principal aliado de Donald Trump na Europa e um dos poucos líderes ocidentais que mantém diálogo direto com Vladimir Putin. Sua saída enfraqueceria o bloco nacionalista europeu e poderia reforçar a posição da União Europeia nas negociações sobre a guerra no Irã e a crise energética.
O que Vance disse em Budapeste
“Estou aqui para ajudar no que puder”, afirmou Vance em entrevista coletiva ao lado de Orbán. Trump reforçou a mensagem nas redes sociais: “Estou com ele até o fim”. A visita inclui um comício conjunto e reuniões com membros do Fidesz.
A oposição húngara reagiu com dureza. Péter Magyar acusou o governo de “importar influência americana” e disse que a presença de Vance prova que Orbán “não confia mais nos próprios eleitores”. A Comissão Europeia não comentou diretamente, mas diplomatas europeus expressaram desconforto com a interferência aberta dos EUA no processo eleitoral de um Estado-membro da UE.
Por que Orbán está perdendo
A erosão do apoio a Orbán tem múltiplas causas. A inflação húngara, que chegou a 25% em 2023, deixou cicatrizes profundas no eleitorado. Escândalos de corrupção envolvendo membros do Fidesz e a crise no sistema de saúde público também pesaram. Magyar, ex-aliado do regime, capitalizou o descontentamento ao se posicionar como alternativa moderada, pró-europeia mas crítica de Bruxelas.
A eleição húngara acontece em um contexto de tensão geopolítica global, com a cúpula Trump-Xi remarcada para maio e o conflito com o Irã dominando a agenda internacional.



