O mercado financeiro brasileiro viveu um dia historico nesta segunda-feira (13). O dolar comercial fechou cotado a R$ 4,99, abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde abril de 2024. No mesmo pregao, o Ibovespa encerrou aos 198.001 pontos, renovando a maxima historica pelo 17o dia no ano de 2026.
A combinacao de dolar em queda e bolsa em alta reflete um cenario raro de otimismo: o Brasil atrai capital estrangeiro por conta do diferencial de juros (Selic a 14,75% contra 4,5% nos EUA), enquanto commodities como minerio de ferro e petroleo sustentam as blue chips brasileiras.
O que derrubou o dolar
Tres fatores explicam a queda. Primeiro, o diferencial de juros entre Brasil e EUA continua atraindo o chamado “carry trade”: investidores tomam emprestimos em dolar (juros baixos) e aplicam em titulos brasileiros (juros altos), lucrando com a diferenca. Esse fluxo pressiona o dolar para baixo.
Segundo, o fluxo comercial esta favoravel. As exportacoes brasileiras de soja, minerio e petroleo mantiveram superavit robusto no primeiro trimestre, injetando dolares na economia. Terceiro, declaracoes de Donald Trump sinalizando disposicao para negociar com o Ira reduziram a aversao a risco global, favorecendo moedas de emergentes como o real.
Ibovespa: o que impulsionou o recorde
O indice abriu em queda, mas reverteu ao longo do dia apos Trump mencionar a possibilidade de avanco nas negociacoes com Teerã. As acoes de Vale (VALE3) subiram 2,1% com a alta do minerio de ferro na China. Petrobras (PETR4) avancou 1,8% com o petroleo acima de US$ 100 o barril. Itau (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) tambem contribuiram, impulsionados pela perspectiva de corte na Selic.
No acumulado de 2026, o Ibovespa ja avanca 22,89%, um dos melhores desempenhos entre as bolsas globais. Em dolar, o retorno e ainda mais expressivo, superando 30%, o que explica o interesse crescente de fundos internacionais.
Projecoes do mercado
| Indicador | Projecao 2026 | Anterior |
|---|---|---|
| Dolar (fim do ano) | R$ 5,37 | R$ 5,40 |
| Selic | 12,50% | 12,50% |
| IPCA | 4,71% | 4,36% |
| PIB | 1,85% | 1,85% |
O Boletim Focus mais recente elevou a projecao de inflacao para 4,71% em 2026, acima do centro da meta (3,5%), o que pode atrasar cortes mais agressivos na Selic. O mercado espera que o Banco Central reduza os juros de forma gradual, com cortes de 0,25 ponto por reuniao a partir de maio, chegando a 12,50% no fim do ano.
O que esperar nesta semana
Os investidores acompanham de perto o desenrolar da crise EUA-Ira. Trump anunciou no domingo um bloqueio naval do Estreito de Ormuz apos o fracasso das negociacoes em Islamabad, o que pode reverter parte dos ganhos do mercado se a tensao escalar. O IPCA de marco, divulgado na quinta-feira, tambem e aguardado como indicador-chave para as decisoes do Copom.
Para o investidor pessoa fisica, o momento exige cautela: a bolsa em recorde atrai euforia, mas conflitos geopoliticos e inflacao em alta podem gerar volatilidade nas proximas semanas. Diversificacao entre renda fixa, acoes e reserva de emergencia continua sendo a estrategia mais segura.

