Proposta da Austrália dá controle do feed ao usuário
O algoritmo das redes sociais pode deixar de ser obrigatório para usuários na Austrália. O governo australiano anunciou nesta terça-feira (8) um projeto de lei que obriga as plataformas a oferecer uma opção de desligar o sistema de recomendação automática. A medida, chamada de “Meu Feed, Meu Jeito”, dá ao usuário a escolha entre continuar vendo conteúdos selecionados pelo algoritmo ou voltar a um feed cronológico, com publicações apenas de quem segue.
A proposta faz parte de um movimento global de regulação de plataformas digitais. Para o leitor brasileiro, o tema importa porque o debate sobre transparência de algoritmos também avança no Congresso Nacional, e mudanças nas regras internacionais costumam influenciar a legislação por aqui. Entender como funciona o controle algorítmico ajuda a proteger seus dados e a navegar com mais segurança, como explicamos em nosso guia sobre como proteger seu WhatsApp de clonagem.
Como funciona a proposta australiana de controle do algoritmo
O projeto de lei exige que redes sociais expliquem ao usuário como funciona o feed padrão e ofereçam duas formas de exibir conteúdo. A primeira mantém o sistema atual: o algoritmo analisa comportamento, curtidas e histórico de navegação para sugerir publicações personalizadas. A segunda desativa as recomendações automáticas e mostra apenas postagens de amigos, criadores e outras contas que o usuário segue explicitamente, em ordem cronológica.
Segundo o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese, citado pelo G1, a reforma é “sensata, pragmática e prática”. A declaração foi feita em coletiva de imprensa nesta terça-feira. O objetivo, segundo o governo, é devolver o controle ao usuário e aumentar a responsabilidade das empresas de tecnologia.
A lei não determina qual opção deve ser a padrão. Cada plataforma decide se o feed algorítmico ou o cronológico aparece primeiro. O que a proposta obriga é que ambas as opções estejam disponíveis e que o usuário saiba exatamente o que cada uma faz.
Comparativo: feed algorítmico versus feed cronológico
| Característica | Feed algorítmico | Feed cronológico |
|---|---|---|
| Como seleciona conteúdo | Analisa comportamento, curtidas e cliques | Mostra por ordem de publicação |
| Personalização | Alta, adapta-se ao usuário | Nenhuma, todos veem o mesmo |
| Risco de bolha de filtro | Elevado | Baixo |
| Conteúdo de quem não segue | Sim, o algoritmo sugere | Não, só de contas seguidas |
| Controle do usuário | Limitado | Total |
| Descoberta de novos conteúdos | Facilitada pelo algoritmo | Depende do usuário buscar |
Regulação de plataformas no mundo e no Brasil
A regulação de plataformas digitais avança em ritmo diferente em cada país. A União Europeia implementou o Digital Services Act (DSA), em vigor desde novembro de 2022, que exige transparência sobre o funcionamento dos algoritmos e proíbe publicidade direcionada para menores de idade. A China também aprovou regras que limitam o uso de algoritmos para viciar usuários.
No Brasil, o PL 2630/2022, conhecido como Lei das Fake News, está em tramitação no Congresso. O projeto aborda responsabilidade de plataformas, transparência de algoritmos e combate à desinformação. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor desde 2020, já regulamenta o uso de dados pessoais, mas não trata especificamente do controle de algoritmos de recomendação.
A proposta australiana se diferencia por ser mais direta: em vez de exigir apenas transparência, ela dá ao usuário a ferramenta para desligar o sistema de recomendação. Se a lei for aprovada, a Austrália pode se tornar referência para outros países que debatem o tema.
Por que o algoritmo das redes sociais preocupa governos
Os algoritmos de recomendação são projetados para maximizar o tempo de uso da plataforma. Eles aprendem o que o usuário costuma assistir, ler e curtir, e priorizam conteúdos semelhantes. Quanto mais tempo a pessoa passa na rede, mais dados ela gera, e mais precisas ficam as sugestões.
Esse modelo de negócio levanta preocupações. Estudos sobre o tema indicam que algoritmos podem criar bolhas de filtro, nas quais o usuário só recebe informações que confirmam suas crenças já existentes. A exposição repetida a conteúdos semelhantes pode reforçar vieses e dificultar o acesso a pontos de vista diferentes.
Outro risco é a amplificação de conteúdo sensacionalista. Publicações que geram reações emocionais fortes, como raiva ou indignação, tendem a receber mais interações. O algoritmo interpreta esse engajamento como sinal de relevância e distribui o conteúdo para mais pessoas. Esse mecanismo pode contribuir para a propagação de desinformação e discurso de ódio.
Para se proteger, é importante adotar práticas de segurança digital. Nosso artigo sobre golpes com inteligência artificial explica como a tecnologia pode ser usada para fraudes, e o guia de golpes financeiros mais comuns mostra como identificar tentativas de fraude online.
O que muda para o usuário brasileiro
Por enquanto, nada muda para o usuário brasileiro. A proposta australiana é uma lei local e não afeta diretamente o funcionamento das plataformas no Brasil. No entanto, se a lei for aprovada, ela pode servir de modelo para a legislação brasileira.
O PL 2630/2022 tramita no Congresso há mais de quatro anos e já passou por várias versões. O debate inclui temas como responsabilidade civil de plataformas por conteúdos danosos, obrigação de transparência sobre algoritmos e proteção de dados de menores. Uma aprovação da lei australiana pode acelerar a discussão no Brasil.
Enquanto a legislação não avança, o usuário pode adotar medidas próprias. Algumas plataformas já oferecem opções de feed cronológico. No Instagram, por exemplo, é possível ver apenas publicações de contas seguidas ao tocar no logotipo do aplicativo e selecionar “Seguindo”. No Facebook, a aba “Página Inicial” permite alternar entre o feed algorítmico e o cronológico.
Outra medida é revisar as permissões concedidas aos aplicativos. Muitas redes sociais coletam dados de localização, histórico de compras e contatos para alimentar o algoritmo. Revisar essas permissões nas configurações do celular pode reduzir a quantidade de informações disponíveis para o sistema de recomendação.
Também é possível limpar o histórico de buscas e de visualizações dentro de cada plataforma. Esse histórico é um dos principais insumos que o algoritmo usa para montar o feed. Ao limpar periodicamente, o usuário reduz a personalização e tende a ver conteúdos mais variados.
Principais plataformas e opções de feed disponíveis
| Plataforma | Opção cronológica disponível | Como acessar |
|---|---|---|
| Sim | Toque no logotipo, selecione “Seguindo” | |
| Sim | Menu “Página Inicial”, aba “Recentes” | |
| X (antigo Twitter) | Sim | Aba “Seguindo” no topo do feed |
| TikTok | Parcial | Aba “Seguindo” no topo, com ordenação parcialmente cronológica |
| YouTube | Parcial | Abas “Inscrições” e “Histórico” |
| Sim | Selecione “Recente” no topo do feed |
Perguntas frequentes sobre algoritmo e redes sociais
O que é a proposta “Meu Feed, Meu Jeito” da Austrália?
É um projeto de lei anunciado pelo governo australiano que obriga redes sociais a dar ao usuário a opção de desligar o algoritmo de recomendação. Com isso, o usuário passaria a ver apenas publicações de contas que segue, em ordem cronológica, sem interferência do sistema automático.
A lei australiana já está em vigor?
Não. O projeto foi anunciado nesta terça-feira (8) e ainda precisa ser votado pelo Parlamento australiano. Não há previsão de data para a votação. Se aprovado, as plataformas terão um prazo para se adaptar.
O Brasil tem lei sobre algoritmos de redes sociais?
O PL 2630/2022, conhecido como Lei das Fake News, tramita no Congresso e aborda transparência de algoritmos, mas ainda não foi aprovado. A LGPD, em vigor desde 2020, regula o uso de dados pessoais, mas não trata diretamente do controle de algoritmos de recomendação.
É possível desligar o algoritmo nas redes sociais hoje?
Em algumas plataformas, sim. Instagram, Facebook, X e LinkedIn oferecem opções de feed cronológico. No entanto, essas configurações precisam ser ativadas manualmente e, na maioria dos casos, voltam ao modo algorítmico ao reiniciar o aplicativo.
O algoritmo das redes sociais é prejudicial?
O algoritmo em si não é necessariamente prejudicial. Ele serve para personalizar a experiência do usuário. O problema surge quando o sistema prioriza conteúdo que gera engajamento emocional, como sensacionalismo e desinformação, em detrimento de informações relevantes e verificadas.
Como saber se estou em uma bolha de filtro nas redes sociais?
Se você só vê conteúdos que confirmam suas opiniões e raramente encontra perspectivas diferentes, pode estar em uma bolha de filtro. Uma forma de testar é seguir perfis de veículos de imprensa com linhas editoriais distintas e comparar o que aparece no feed.




