O PL saiu da eleição de 4 de outubro com a maior bancada da Câmara dos Deputados em quatro décadas. O partido elegeu 121 deputados federais, 23,6% das 513 cadeiras, contra 99 em 2022. No Senado, conquistou 19 das 54 vagas em disputa e vai ocupar 28 das 81 cadeiras a partir de fevereiro de 2027. Os números são da apuração do primeiro turno compilada pela imprensa e ainda podem ter pequenos ajustes até a diplomação.
O resultado redesenha o Congresso que vai trabalhar com o próximo presidente, seja Flávio Bolsonaro (PL), seja Lula (PT), que disputam o segundo turno em 25 de outubro. Nenhum partido terá maioria sozinho, e o bloco de centro continua decisivo para aprovar qualquer projeto. Veja como ficaram as bancadas, quem foram os mais votados, quem perdeu e o que isso significa para a governabilidade.
Como ficou a Câmara: bancadas por partido
| Partido ou federação | Deputados eleitos |
|---|---|
| PL | 121 |
| Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) | 88 (70 do PT) |
| Federação União Progressista (União Brasil e PP) | 87 |
| PSD | 43 a 44 |
| Republicanos | 40 a 41 |
| MDB | 36 |
| Podemos | 27 |
| Federação PSOL/Rede | 15 |
| PSB | 15 |
| Federação PSDB/Cidadania | 11 |
| Novo | 10 |
| Federação Solidariedade/PRD | 7 |
| PDT | 6 |
| Avante | 5 |
| Missão | 1 |
As contagens de PSD e Republicanos variam em uma cadeira entre os levantamentos do Correio da Manhã e do Congresso em Foco; os demais números coincidem. Ao todo, 15 partidos ou federações elegeram deputados, e os cinco maiores concentram cerca de três quartos da Casa.
A distribuição das cadeiras segue o sistema proporcional, em que os votos do partido contam mais que os do candidato individualmente. É por isso que puxadores de voto ajudam a eleger colegas de legenda, como explicamos no texto sobre quociente eleitoral e por que o mais votado nem sempre se elege.
O tamanho histórico do PL
Com 121 deputados, o PL ganhou 22 cadeiras em relação a 2022. Segundo o Congresso em Foco, desde a redemocratização só o PMDB de 1986 elegeu uma bancada maior, com 260 deputados em uma Câmara de 487. Depois disso, as bancadas acima de 100 foram as do PMDB em 1990 (108) e 1994 (107) e a do PFL em 1998 (105). Como resumiu o Poder360, o PL é o primeiro partido a passar de 100 deputados eleitos desde 1998. O PT, no auge, elegeu 91 em 2002.
O desempenho superou até a projeção interna do partido, que antes da eleição falava em 115 deputados. O crescimento foi puxado pelos grandes colégios eleitorais: em São Paulo, segundo levantamentos da imprensa, o PL ficou com 19 das 70 vagas. O partido também deve ter a maior bancada em nove assembleias legislativas, de acordo com o Poder360.
Os deputados mais votados
A eleição de 2026 quebrou o recorde individual de votos para a Câmara duas vezes. Pela apuração final citada pelo Congresso em Foco e por O Liberal:
| Posição | Deputado | Votos |
|---|---|---|
| 1º | Nikolas Ferreira (PL-MG) | 3.119.318 |
| 2º | Lucas Pavanato (PL-SP) | 3.038.438 |
| 3º | Erika Hilton (PSOL-SP) | 1.596.472 |
Nikolas, que já tinha sido o mais votado em 2022 com 1,49 milhão, mais que dobrou a votação. Pavanato, vereador mais votado do país em 2024, disputou a Câmara pela primeira vez. Os dois superaram com folga o recorde anterior, de Eduardo Bolsonaro em 2018, com 1,84 milhão. Erika Hilton se tornou a mulher mais votada da história da Câmara, à frente dos 1,07 milhão de Joice Hasselmann em 2018. Em parciais divulgadas durante a apuração, Pavanato chegou a aparecer à frente de Nikolas, mas a ordem final foi a da tabela.
Outros destaques: André Fernandes (PL-CE) superou os 667.830 votos de Ciro Gomes em 2006, recorde no Ceará. Entre os nomes conhecidos que ficaram de fora estão José Dirceu (PT-SP), com 78.450 votos, e Tiririca (PSD-CE), que não conseguiu o quinto mandato.
Pelo levantamento do Congresso em Foco, 301 deputados conseguiram se reeleger e 183 chegam à Câmara pela primeira vez. Para entender o papel de quem foi eleito, veja o que faz um deputado federal, quanto ganha e como avaliar o mandato.
Senado: PL terá mais de um terço das cadeiras
Em 2026, o Senado renovou dois terços das cadeiras, com duas vagas por estado, e cada eleitor votou em dois candidatos. O PL elegeu 19 dos 54 senadores, mais de um terço das vagas em disputa.
| Partido | Eleitos em 2026 | Cadeiras a partir de 2027 |
|---|---|---|
| PL | 19 | 28 |
| PT | 6 | 9 |
| MDB | 7 | 8 |
| PP | 3 | 6 |
| Republicanos | 2 | 6 |
| PSD | 2 | 5 |
| União Brasil | 3 | 5 |
| PSB | 3 | 4 |
| Novo | 3 | – |
| PSDB | 2 | – |
| Podemos | 2 | – |
| Rede | 1 | – |
| PDT | 1 | – |
O PL levou as duas vagas no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. O PT fez as duas na Bahia, com Rui Costa e Jaques Wagner. Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (DF), Carlos Bolsonaro (SC), Arthur Lira (AL), Deltan Dallagnol (PR), Helder Barbalho (PA), Cid Gomes (CE), Marcel Van Hattem (RS) e Guilherme Derrite (SP). O motivo de cada eleitor ter escolhido dois nomes está no nosso explicador sobre os dois votos para o Senado em 2026.
Quem perdeu: nomes históricos fora do Senado
Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, 14 conseguiram. Entre os derrotados estão nomes que estavam no Senado havia décadas:
- Renan Calheiros (MDB-AL) deixa a Casa após 32 anos seguidos, superado por Arthur Lira e Marina JHC;
- Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil, ficou em terceiro, com 24,67% dos votos válidos, depois de 16 anos no Senado;
- Randolfe Rodrigues (PT-AP), senador desde 2011, também terminou em terceiro, com 18,55%.
Outros nomes conhecidos que tentaram uma vaga e não conseguiram: Aécio Neves (PSDB-MG), em sétimo, com 4,08%; Gleisi Hoffmann (PT-PR), em quarto, com 13,35%; Simone Tebet (PSB-SP), em terceiro, com 19,21%; e Marina Silva (Rede-SP), em quarto, com 18,11%.
Cláusula de barreira: quem pode perder fundo e tempo de TV
Em 2026, para ter acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV a partir de 2027, cada partido precisava eleger ao menos 13 deputados distribuídos em nove estados, ou obter 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com no mínimo 1,5% em nove unidades da federação. Os eleitos por partidos que não cumprem a regra mantêm o mandato.
Pelos dados preliminares, o caso mais dramático é o da federação PSOL/Rede: teve 4,89% dos votos nacionais, mas atingiu 1,5% em apenas oito unidades da federação, e ficou a cerca de 185 votos de cumprir a exigência, com a diferença no Espírito Santo. A situação ainda pode mudar com a retotalização. Também aparecem abaixo da cláusula PDT, Avante e Missão. O Novo cumpriu.
O que o novo Congresso significa para o próximo governo
Os números ajudam a entender o tamanho do desafio de qualquer presidente eleito:
- Maioria simples na Câmara, necessária para aprovar projetos de lei complementar, exige 257 votos. PL e a federação do PT somam 209 deputados juntos, mas estão em lados opostos;
- Emendas à Constituição exigem 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação em cada Casa;
- o bloco formado por União Progressista, PSD, Republicanos, MDB e Podemos soma mais de 230 deputados e segue sendo o fiel da balança;
- no Senado, os 28 senadores do PL representam mais de um terço da Casa, número suficiente para, sozinho, impedir que uma PEC alcance os 49 votos necessários.
Na prática, um eventual governo Lula enfrentaria um Senado com a maior bancada de oposição em décadas. Um eventual governo Flávio teria uma base própria grande, mas ainda dependeria do centro para chegar à maioria. Em qualquer cenário, a negociação com o Congresso, incluindo as emendas parlamentares, vai continuar no centro da política em 2027. Os resultados da disputa presidencial estão no nosso texto sobre o resultado do 1º turno, com votos por estado.
Os eleitos serão diplomados pela Justiça Eleitoral até dezembro e tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. Os senadores eleitos agora terão mandato até 31 de janeiro de 2035.
Perguntas frequentes
Quantos deputados o PL elegeu em 2026?
121 dos 513, ou 23,6% da Câmara. São 22 a mais que os 99 de 2022. É a maior bancada de um partido desde o PMDB de 1986.
Quem foi o deputado federal mais votado?
Nikolas Ferreira (PL-MG), com 3.119.318 votos, recorde histórico. Lucas Pavanato (PL-SP) ficou em segundo e Erika Hilton (PSOL-SP) em terceiro.
Como fica o Senado a partir de 2027?
O PL terá 28 das 81 cadeiras, seguido por PT (9), MDB (8), PP e Republicanos (6 cada), PSD e União Brasil (5 cada) e PSB (4).
Quais senadores conhecidos perderam?
Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues não se reelegeram. Aécio Neves, Gleisi Hoffmann, Simone Tebet e Marina Silva também perderam disputas por vaga no Senado.
Quais partidos não passaram na cláusula de barreira?
Pelos dados preliminares, a federação PSOL/Rede, PDT, Avante e Missão. Eles perdem fundo partidário e tempo de TV a partir de 2027, mas os eleitos tomam posse normalmente.
Quando os eleitos tomam posse?
Deputados federais e senadores tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, depois da diplomação pela Justiça Eleitoral, que ocorre até dezembro.
Fontes: Congresso em Foco; Correio da Manhã; O Liberal; O Povo; Acessa/Trade Map; Times Brasil; Poder360; Tribunal Superior Eleitoral. Números da apuração do 1º turno, sujeitos a ajustes até a diplomação.




