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Saúde

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Prevenção do suicídio: sinais de alerta, como ajudar e onde buscar apoio

Os sinais de alerta descritos pelo Ministério da Saúde, como conversar com quem está em risco e os serviços gratuitos de apoio: CVV 188, SAMU 192, CAPS e UBS. Inclui o que prevê a lei do Setembro Amarelo e os direitos de quem busca atendimento.

Texto corrigido em 17/10/2026. Veja o que mudou

Laco amarelo do Setembro Amarelo 2026 campanha prevencao ao suicidio

Se você está pensando em tirar a própria vida, ou se preocupa com alguém que pode estar nessa situação, existe ajuda gratuita a qualquer hora: o CVV atende pelo telefone 188, 24 horas, com ligação gratuita de fixo ou celular, e o SAMU 192 deve ser chamado quando há perigo imediato. O Setembro Amarelo, campanha anual de prevenção, concentra as ações em setembro, mas os sinais de alerta, a forma de ajudar e os serviços descritos abaixo valem o ano inteiro.

Onde buscar ajuda gratuita

A página de prevenção do suicídio do Ministério da Saúde lista como pontos de ajuda os CAPS, as Unidades Básicas de Saúde, a UPA 24h, o SAMU 192, os prontos-socorros, os hospitais e o CVV 188. Cada um tem um papel diferente:

ServiçoQuando procurarComo funciona
CVV, telefone 188Para conversar sobre o que está sentindo, a qualquer horaGratuito, 24 horas, sob sigilo e anonimato; também por chat e e-mail em cvv.org.br
SAMU 192Tentativa de suicídio ou perigo imediatoGratuito, 24 horas, 7 dias por semana; o médico regulador orienta por telefone e aciona a ambulância quando necessário
UPA 24h e pronto-socorroCrise que precisa de atendimento presencial urgenteAcolhem situações que exigem atendimento imediato, inclusive em saúde mental; a pessoa é avaliada conforme a gravidade
CAPSSofrimento psíquico intenso que precisa de acompanhamentoPorta aberta: não é preciso marcar consulta para o primeiro acolhimento; o CAPS III funciona 24 horas, com acolhimento noturno
UBS (posto de saúde)Início do cuidado em saúde mental, perto de casaPrincipal porta de entrada do SUS, inclusive para saúde mental; informa onde fica o CAPS da região

Fundado em São Paulo em 1962, o Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma associação civil sem fins lucrativos que oferece apoio emocional por voluntários. Desde 2015 mantém acordo de cooperação com o Ministério da Saúde, que permitiu criar o 188 como linha nacional gratuita; a expansão para todo o país foi concluída em 1º de julho de 2018. Segundo a entidade, foram cerca de 2 milhões de atendimentos em 2025, somando telefone, chat, e-mail e atendimento presencial.

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Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) têm modalidades diferentes: CAPS I e II atendem pessoas de todas as idades, o CAPS i é voltado a crianças e adolescentes e o CAPSad, a quem tem problemas com álcool e outras drogas. Para localizar a unidade mais próxima, o Ministério da Saúde orienta procurar a Secretaria de Saúde do município ou a UBS. O passo a passo para conseguir psicólogo e psiquiatra pela rede pública está no nosso guia sobre o que o SUS oferece de graça em saúde mental, e as opções de terapia fora do SUS estão no texto sobre quanto custa e como conseguir psicólogo.

Sinais de alerta

O Ministério da Saúde descreve o suicídio como um fenômeno complexo, de múltiplas causas, e afirma que ele pode ser prevenido. Não existe uma receita para saber com certeza quando alguém está em crise, mas uma pessoa em sofrimento costuma dar sinais, e eles pedem atenção sobretudo quando aparecem juntos e duram pelo menos duas semanas. O ministério pede que essas manifestações não sejam tratadas como ameaça ou chantagem emocional, e sim como aviso de um risco real:

  • Falar sobre morte ou falta de esperança: a pessoa fala de morte mais do que o comum e diz se sentir sem esperança, culpada ou sem valor, com uma visão negativa da vida e do futuro. Isso pode aparecer em conversas, textos ou desenhos.
  • Frases de despedida ou de desistência: o ministério cita exemplos como “Vou desaparecer”, “Vou deixar vocês em paz” e “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”. Muitas vezes, comentários assim são ignorados.
  • Isolamento: deixar de atender telefonemas, interagir menos nas redes sociais, ficar fechado em casa ou no quarto e cancelar atividades de que gostava.

O ministério também lista situações que deixam a pessoa mais vulnerável, sem que sejam a causa por si sós: perda de emprego, crise econômica, descuido consigo mesmo, discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, agressões físicas ou psicológicas, sofrimento no trabalho, conflitos familiares, perda de alguém querido e doenças crônicas, dolorosas ou incapacitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acrescenta que uma tentativa anterior é um fator de risco importante e que muitos casos acontecem num momento de crise, quando a pessoa perde a capacidade de lidar com pressões como problemas financeiros, conflitos de relacionamento ou dor e doença crônicas. Para quem sofre no emprego, as obrigações das empresas estão no texto sobre saúde mental no trabalho e a NR-1.

Como conversar com alguém que pode estar em risco

Falar abertamente sobre o assunto não empurra ninguém para o ato. Segundo a OMS, uma conversa franca pode dar à pessoa outras opções ou o tempo de que ela precisa para repensar. As orientações do Ministério da Saúde para quem quer ajudar são estas:

  • Escolha um momento apropriado e um lugar calmo para conversar sobre suicídio com a pessoa.
  • Deixe claro que você está ali para ouvir. Escute com a mente aberta e ofereça apoio.
  • Incentive a busca por atendimento em serviços de saúde, de saúde mental ou de emergência, e ofereça-se para ir junto.
  • Se achar que há perigo imediato, não deixe a pessoa sozinha: procure um serviço de emergência (SAMU 192, UPA ou pronto-socorro) e chame alguém de confiança indicado por ela.
  • Se ela mora com você, garanta que não tenha acesso, em casa, a meios que possam ser usados para tirar a própria vida.
  • Mantenha contato nos dias seguintes para saber como ela está.

O mesmo guia lembra que quem pede ajuda tem direito a ser respeitado e levado a sério, a ter o sofrimento considerado, a falar com privacidade sobre a própria situação, a ser escutado e a ser encorajado a se recuperar.

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Se é você quem está em sofrimento

Pensamentos de acabar com a própria vida podem parecer insuportáveis, e é difícil saber por onde começar. O Ministério da Saúde recomenda conversar com alguém em quem você confie e aceitar companhia para chegar a um serviço de saúde. Se falar com conhecidos parecer pesado demais, o 188 é uma porta possível: o CVV não exige identificação, e a conversa fica em sigilo. Se a situação for de risco imediato, ligue para o SAMU 192.

A OMS registra que o risco agudo costuma ser passageiro e ligado a uma combinação de fatores daquele momento. Os pensamentos podem voltar, mas não são permanentes, e quem já pensou em tirar a própria vida pode não voltar a ter essas ideias. Apoio emocional no momento certo pode evitar uma morte.

Os números no Brasil e no mundo

O Ministério da Saúde traçou um panorama nacional no Boletim Epidemiológico vol. 55, nº 4, publicado em 6 de fevereiro de 2024, com dados até 2021. Para 2023, a Agência Brasil informou mais de 16,8 mil óbitos registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

IndicadorDadoFonte
Mortes por suicídio no Brasil em 202115.507, sendo 77,8% de homensBoletim Epidemiológico do Ministério da Saúde
Taxa de mortalidade, 2010 e 2021De 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes (alta de 42%)Boletim Epidemiológico
Grupos com taxas mais altas em 2021Homens acima de 70 anos (18,1 por 100 mil); entre mulheres, adolescentes de 15 a 19 anos (4,5 por 100 mil)Boletim Epidemiológico
Posição entre as causas de morte em 20213ª entre 15 e 19 anos e 4ª entre 20 e 29 anosBoletim Epidemiológico
Notificações de violência autoprovocada em 2021114.159, sendo 70,3% de mulheresBoletim Epidemiológico (Sinan)
Mortes por suicídio no Brasil em 2023Mais de 16,8 milAgência Brasil, com dados do SIM
Mortes por suicídio no mundoMais de 720 mil por ano; 3ª causa de morte entre 15 e 29 anos em 2021OMS

O boletim explica a diferença entre os sexos: mulheres têm mais ideação e tentativas, enquanto homens têm risco de duas a quatro vezes maior de morrer por suicídio. A OMS aponta taxas altas também entre povos indígenas, pessoas LGBTI, migrantes e presos, grupos que enfrentam discriminação, e afirma que intervenções oportunas, baseadas em evidência e muitas vezes de baixo custo, evitam mortes.

Setembro Amarelo: o que diz a lei

A campanha teve a primeira edição em 2015 e é conduzida pelo CVV, pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A Lei nº 15.199, de 8 de setembro de 2025, transformou o Setembro Amarelo em campanha nacional anual e criou duas datas: 10 de setembro, Dia Nacional de Prevenção do Suicídio, e 17 de setembro, Dia Nacional de Prevenção da Automutilação. O 10 de setembro também é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio promovido pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP).

A lei autoriza o poder público, com instituições e sociedade civil, a promover ações para informar sobre riscos e recursos de apoio, reduzir o estigma e estimular a busca por ajuda profissional. Entre as atividades previstas estão a iluminação de prédios públicos em amarelo, palestras e atividades educativas sobre saúde mental, e campanhas e materiais informativos. Desde 2019, a Lei nº 13.819 já instituía a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, que obriga o poder público a manter um serviço telefônico gratuito e sigiloso para pessoas em sofrimento psíquico.

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Como falar do assunto em público e nas redes

Escolas, empresas e perfis que fazem ações de prevenção podem seguir o guia da OMS para profissionais de mídia, atualizado em 2023. Ele mostra que a forma de comunicar pode reforçar ou enfraquecer a prevenção:

  • Faça: informe onde e como buscar ajuda (188, 192, CAPS, UBS); compartilhe histórias de quem atravessou uma crise e encontrou apoio; use informação correta, de fonte oficial.
  • Evite: descrever o método ou o local de um caso; publicar fotos, vídeos, áudios ou cartas de despedida; usar linguagem sensacionalista ou que apresente o suicídio como saída para problemas; atribuir uma morte a um único motivo, como o fim de um relacionamento.
  • Na escolha das palavras: prefira “morreu por suicídio” ou “tirou a própria vida”. A OMS desaconselha “cometeu suicídio”, que remete a crime e aumenta o estigma sobre as famílias.
  • No formato: comece pelos fatos. A OMS observa que, em peças do tipo “mito e verdade”, o público tende a lembrar do mito.

Perguntas frequentes

A ligação para o 188 é gratuita pelo celular? Preciso dizer meu nome?

É gratuita de qualquer linha fixa ou celular, segundo o Ministério da Saúde. O CVV atende sob total sigilo e anonimato, então você não precisa se identificar.

O chat do CVV funciona 24 horas?

Não. Pela página do chat, o atendimento vai das 8h à meia-noite de segunda a sexta, das 13h à meia-noite aos sábados e das 15h à meia-noite aos domingos. O e-mail ([email protected]) não tem resposta imediata. O canal 24 horas é o telefone 188.

Uma tentativa atendida no hospital é comunicada a alguém?

Sim, às autoridades de saúde. Pela Lei nº 13.819/2019, casos suspeitos ou confirmados de violência autoprovocada, o que inclui tentativas, são de notificação compulsória: estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, avisam as autoridades sanitárias, e escolas comunicam o conselho tutelar. A notificação é sigilosa, e quem a recebe é obrigado a manter o sigilo. Os dados servem para orientar as políticas de prevenção.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o atendimento?

Sim. A mesma lei incluiu o artigo 10-C na Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/1998): os planos devem cobrir o atendimento à violência autoprovocada e às tentativas de suicídio. Se houver negativa, veja como reclamar na ANS.

Perdi alguém para o suicídio. Onde encontro apoio?

O CVV mantém os Grupos de Apoio aos Sobreviventes de Suicídio (GASS), encontros sigilosos para quem perdeu alguém próximo, com endereços e horários por cidade. A Política Nacional de Prevenção prevê assistência psicossocial a familiares e pessoas próximas, e os CAPS também oferecem apoio psicossocial a familiares, segundo o Ministério da Saúde.

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Como ser voluntário do CVV?

É preciso ter mais de 18 anos e fazer um curso de capacitação e seleção, presencial ou online, oferecido gratuitamente pelo CVV. A inscrição é feita na página “Seja voluntário” do site da entidade.

Fontes

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