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Dinheiro

Juros do cartão de crédito em 2026: como funciona o rotativo, o limite de 100% e sete passos para sair da dívida

O rotativo do cartão passou de 400% ao ano em 2026. Entenda como a dívida se forma, o que a lei limitou, o direito à portabilidade e o passo a passo para quitar sem trocar uma dívida cara por outra.

Cartoes de credito

O rotativo do cartão de crédito continua sendo a linha de crédito mais cara oferecida legalmente a pessoas físicas no Brasil. Em fevereiro de 2026, a taxa média chegou a 435,9% ao ano segundo o Banco Central, recuando para 428,3% ao ano em março. Para comparação: o consignado CLT fica perto de 3,7% ao mês, e o rotativo passa de 14% ao mês.

Entender como essa dívida se forma é o primeiro passo para não entrar nela, e para sair rápido de quem já entrou.

Como você cai no rotativo sem perceber

O mecanismo é simples e por isso mesmo perigoso:

  1. Chega a fatura de R$ 2.000
  2. Você paga o valor mínimo, geralmente 15% do total, ou seja, R$ 300
  3. Os R$ 1.700 restantes entram no crédito rotativo
  4. No mês seguinte, esse saldo volta corrigido por juros altíssimos, somado às novas compras
  5. A fatura cresce mesmo sem novos gastos

Uma dívida de R$ 1.700 no rotativo, a 14% ao mês, vira cerca de R$ 3.400 em seis meses se nada for pago. Em um ano, ultrapassa R$ 8.000.

Rotativo, parcelado de fatura e parcelado da loja

São três coisas diferentes, e a confusão custa caro.

ModalidadeO que éCusto típico
RotativoO que sobra da fatura quando você paga menos que o totalO mais caro de todos, acima de 400% ao ano
Parcelado de faturaVocê aceita dividir a fatura em parcelas com o bancoCaro, mas bem abaixo do rotativo
Parcelado sem juros da lojaCompra dividida no ato, sem acréscimoSem juros, mas compromete o limite futuro
Saque no cartãoRetirada de dinheiro no créditoJuros de rotativo mais tarifa de saque

Regra importante desde 2017: o rotativo só pode durar até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento em condições melhores. Se você continuar no rotativo mês após mês, algo está errado e vale reclamar.

O limite de 100%: o que a lei realmente garante

A Lei 14.690/2023 estabeleceu que o total de juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelado de fatura não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida. O teto passou a valer em janeiro de 2024.

Na prática: se você deve R$ 1.000, o máximo que pode ser cobrado de juros e encargos é R$ 1.000, resultando em uma dívida final de R$ 2.000. Isso não impede que a dívida dobre, mas impede que ela cresça indefinidamente.

Uma nota necessária sobre as taxas divulgadas pelo Banco Central: quando se lê “428% ao ano”, isso não significa que alguém paga esse percentual de fato. O BC pega o juro mensal cobrado pela instituição e o extrapola para 12 meses. Como a maioria dos consumidores fica no rotativo por dias ou semanas, a taxa anual é uma referência estatística, não o valor efetivamente pago. Ainda assim, ela mostra a ordem de grandeza: é a linha mais cara do mercado.

Portabilidade da dívida de cartão

Direito pouco conhecido e muito útil: você pode transferir a dívida do cartão para outra instituição que ofereça condições melhores. A portabilidade de operações de crédito, incluindo cartão, é obrigatória e gratuita, e o banco de origem não pode recusar nem criar obstáculos.

Como fazer:

  1. Peça ao seu banco atual o saldo devedor e o CET da operação
  2. Leve esses números a outras instituições e peça uma proposta de portabilidade
  3. Compare o CET, não a taxa nominal
  4. Aceita a proposta, o novo banco quita a dívida no antigo e você passa a pagar a ele

Sete passos para sair da dívida do cartão

  1. Pare de usar o cartão imediatamente. Não adianta apagar incêndio com gasolina. Guarde o cartão, apague o número dos aplicativos de compra
  2. Levante o número exato. Peça ao banco o saldo devedor, o CET e a composição da dívida. Sem número exato não há plano
  3. Troque o rotativo por qualquer coisa mais barata. Nesta ordem de preferência: consignado (3,5% ao mês), crédito com garantia, empréstimo pessoal (8% ao mês), parcelado de fatura. Qualquer um deles é melhor que 14% ao mês
  4. Negocie diretamente com o banco. Instituições costumam aceitar descontos relevantes para quitação à vista, especialmente em dívidas antigas. Peça a proposta por escrito
  5. Use os mutirões de renegociação. A Febraban realiza campanhas nacionais com bancos, Banco Central, Senacon e Procons, com condições melhores que o balcão comum. Também vale acompanhar o portal do consumidor do governo federal
  6. Corte o limite do cartão. Peça ao banco a redução do limite para um valor que você consegue pagar integralmente todo mês. É um direito e funciona como trava de comportamento
  7. Monte uma reserva mínima. Mesmo R$ 500 guardados evitam que o próximo imprevisto volte a virar rotativo

Como usar o cartão sem entrar em dívida

  • Pague sempre a fatura integral. Se você não consegue, o problema não é o cartão, é o orçamento
  • Trate o parcelado sem juros como dívida. Ele compromete o limite dos próximos meses e some do radar mental
  • Anote as compras no dia em que faz. A fatura chega 30 dias depois, quando a memória já falhou
  • Cuidado com a antecipação de parcelas oferecida pelo app. Só vale se houver desconto proporcional dos juros
  • Evite o saque no crédito. É a operação que combina a pior taxa com tarifa fixa
  • Revise anuidades e serviços. Seguros e assinaturas embutidos somam valores relevantes ao longo do ano

Perguntas frequentes

Pagar o mínimo prejudica meu score?

Pagar o mínimo não gera inadimplência formal, mas o uso prolongado do rotativo é lido pelos modelos de crédito como sinal de aperto financeiro e tende a reduzir o score.

Posso ser negativado por dívida de cartão?

Pode, após o atraso e a devida notificação prévia pelo birô de crédito.

Depois de 5 anos a dívida some?

O nome sai dos cadastros de inadimplentes após cinco anos, mas a dívida continua existindo e pode ser cobrada judicialmente enquanto não prescrever.

O banco pode cancelar meu cartão sem avisar?

Pode encerrar a relação mediante notificação prévia, conforme as regras do contrato e da regulamentação do Banco Central.

Vale a pena pegar consignado para quitar o cartão?

Na maioria dos casos, sim: a diferença entre 3,5% e 14% ao mês é enorme. O risco é psicológico: quem quita o cartão e volta a usá-lo acaba com duas dívidas. Só faça se cortar o limite ao mesmo tempo.

E se eu simplesmente parar de pagar?

A dívida cresce até o teto legal, o nome é negativado, o acesso a crédito fecha e pode haver cobrança judicial. Negociar sempre custa menos do que ignorar.

Conclusão

O rotativo não é uma linha de crédito para ser usada, é uma penalidade por não conseguir pagar a fatura. A lei limitou o crescimento da dívida a 100% do valor original e garantiu portabilidade, mas nenhuma dessas proteções compensa uma taxa que passa de 400% ao ano. Se você está no rotativo hoje, a prioridade número um do seu orçamento é trocá-lo por qualquer linha mais barata, ainda esta semana.