O que é o Pisa e por que os resultados de 2025 importam para o Brasil
O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) é uma prova aplicada a cada três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a estudantes de 15 anos em todo o mundo. A edição de 2025, cujos resultados foram divulgados nesta terça-feira (8) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), avaliou 91 países e economias, mais do que os 81 da edição anterior.
A avaliação mede o desempenho em ciências (área principal), matemática e leitura. Pela primeira vez, incluiu também a resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais. Mais de 760 mil alunos participaram da prova ao redor do planeta. No Brasil, a aplicação ficou a cargo do Inep, vinculado ao Ministério da Educação.
Os dados do ranking Pisa 2025 ciências servem como termômetro da qualidade do ensino básico. Quando os resultados caem ou permanecem estagnados, sinaliza que há problemas estruturais no sistema educacional. Quando melhora, indica que políticas públicas estão surtindo efeito. Entender o que diz o Pisa ajuda pais, professores e estudantes a dimensionar os desafios e buscar alternativas.
Como o Brasil ficou no ranking Pisa 2025 ciências: posições, notas e comparações
O desempenho do Brasil em 2025 permaneceu estatisticamente estável em relação a 2022 nas três áreas comparáveis (ciências, matemática e leitura). Segundo os dados divulgados pela OCDE e publicados pelo G1, as variações ficaram dentro da margem considerada significativa pela organização, o que significa que não houve mudança real no aprendizado dos estudantes brasileiros.
Confira as notas e posições do Brasil na edição 2025:
| Área avaliada | Nota do Brasil | Posição (entre 91 países) |
|---|---|---|
| Ciências | 409 pontos | 67º lugar |
| Leitura | 408 pontos | 52º lugar |
| Matemática | 377 pontos | 57º lugar |
| Resolução de problemas computacionais | 406 pontos | 69º lugar |
A avaliação de resolução de problemas computacionais é inédita e, por isso, não permite comparação com edições anteriores. O Brasil ficou na 69ª posição entre 91 participantes, o que reforça a necessidade de investimento em habilidades digitais na escola.
Na América Latina, considerando as quatro competências, Chile, Uruguai e Costa Rica tiveram pontuações superiores às do Brasil. O Chile obteve 442 pontos em ciências, 436 em leitura, 403 em matemática e 466 em problemas computacionais. O Uruguai alcançou 445, 423, 405 e 462, respectivamente. A Costa Rica ficou com 424, 416, 387 e 452. Segundo o G1, que detalhou os dados da OCDE, o Brasil ficou atrás de cinco países latino-americanos em ciências, entre os 13 avaliados na região.
Um dado que preocupa especialistas ouvidos pelo G1: sete em cada dez alunos brasileiros de 15 anos não sabem fazer contas de matemática simples. Esse percentual coloca o Brasil entre os piores desempenhos da região em numeracia básica.
Uso de inteligência artificial entre estudantes brasileiros
Quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos usa ferramentas de inteligência artificial, como chatbots, ao menos uma vez por semana para aprender. O dado, divulgado pela OCDE junto com os resultados do Pisa 2025, mostra que 48% dos alunos no Brasil recorrem a essas ferramentas, índice ligeiramente superior à média de 46% dos países da OCDE.
Quando o assunto é pesquisa rápida sobre um tema novo, o contraste é ainda maior: 40% dos estudantes brasileiros usam IA para isso, contra 31% na média da organização. Resumir textos escolares também é hábito comum, com 31% dos alunos declarando usar IA para essa finalidade.
É a primeira vez que o Pisa mede o uso de inteligência artificial entre os estudantes. O resultado chega em um momento em que o Conselho Nacional de Educação (CNE) já regulamentou o uso de IA nas escolas brasileiras, proibindo que algoritmos corrijam provas e redações. A discussão sobre como integrar a tecnologia à educação sem prejudicar o aprendizado autônomo segue em aberto. Quem quiser entender melhor as novas regras pode consultar o artigo sobre a regulamentação de inteligência artificial nas escolas pelo CNE.
Para pais e educadores, os dados indicam que a IA já faz parte do cotidiano dos alunos, quer a escola regulamente ou não. O desafio é transformar essa ferramenta em aliada do aprendizado, e não em atalho que substitua o raciocínio.
Crise global: países ricos têm pior desempenho da história
Enquanto o Brasil manteve seus resultados estáveis, os países mais desenvolvidos registraram uma queda acentuada. Segundo a OCDE, a média de leitura nos países membros caiu 28 pontos nos últimos dez anos, o pior resultado já registrado. Uma diferença de 20 pontos equivale, segundo a organização, a cerca de um ano inteiro de aprendizado escolar.
O hábito de ler menos e com pressa, a falta de interesse pelos conteúdos ensinados, o uso excessivo de inteligência artificial e as distrações tecnológicas são apontados como os principais fatores que explicam a crise nos países ricos. A queda na leitura foi a mais dramática entre as três áreas avaliadas, com perda de 25 pontos na média da OCDE entre 2018 e 2025.
Países como Alemanha, França e os países nórdicos, tradicionalmente bem posicionados no ranking, sofreram quedas significativas. A Coreia do Sul e o Japão, referências em educação, também registraram reveses. O fenômeno é global e afeta tanto sistemas de ensino públicos quanto privados.
Para o Brasil, o resultado paradoxal é que, apesar de o desempenho nacional ter permanecido estável, o país não conseguiu avançar enquanto o mundo regredia. Em outras palavras, a janela de oportunidade para melhorar a posição relativa no ranking existia, mas não foi aproveitada.
O que os pais e estudantes podem fazer com esses dados
Os resultados do Pisa não são apenas um retrato estatístico: eles têm consequências práticas para quem está na escola agora. Um estudante de 15 anos que não domina matemática básica terá dificuldades no Enem, nos vestibulares e no mercado de trabalho. Saber onde o país está ajuda a entender a importância de buscar reforço escolar, simulados e materiais complementares.
Para quem vai prestar o Enem em novembro de 2026, os dados reforçam a necessidade de focar em matemática e ciências, áreas onde o Brasil teve os piores desempenhos. Fazer simulados, como o Simulado Nacional do Brasil Escola que acontece em outubro, pode ajudar a identificar lacunas de aprendizado antes da prova. Para quem quer se preparar melhor, confira também nosso guia sobre as inscrições e datas do Enem 2026.
Pais que querem acompanhar o desenvolvimento dos filhos podem usar os resultados como ponto de partida para conversas sobre hábitos de estudo. Reduzir o tempo de tela sem direcionamento, incentivar a leitura de textos longos e verificar se o uso de IA está realmente ajudando no aprendizado são atitudes concretas que fazem diferença.
Para professores, os dados do Pisa 2025 reforçam que o método de ensino precisa se adaptar à realidade digital dos alunos, sem abrir mão do desenvolvimento do raciocínio lógico e da compreensão textual. A integração de tecnologia na sala de aula deve ser planejada, não deixada ao acaso.
Tabela comparativa: Brasil versus média da OCDE e vizinhos latino-americanos
A tabela abaixo permite comparar o desempenho do Brasil com a média dos países da OCDE e com os três vizinhos latino-americanos que ficaram à frente nas quatro áreas avaliadas.
| País/Grupo | Ciências | Leitura | Matemática | Problemas computacionais |
|---|---|---|---|---|
| Média OCDE | 485 | 476 | 475 | 449* |
| Brasil | 409 | 408 | 377 | 406 |
| Chile | 442 | 436 | 403 | 466 |
| Uruguai | 445 | 423 | 405 | 462 |
| Costa Rica | 424 | 416 | 387 | 452 |
*A média da OCDE em problemas computacionais é aproximada, pois a avaliação é inédita e inclui economias que não são membros plenos da organização. Os demais valores são os divulgados pela OCDE em 8 de setembro de 2026.
A distância entre o Brasil e a média da OCDE é de cerca de 70 a 100 pontos em cada área. Como 20 pontos equivalem a aproximadamente um ano de escolaridade, essa diferença representa de três a cinco anos de aprendizado atrasado em comparação com os países desenvolvidos.
O que muda daqui para frente
O Ministério da Educação ainda não se pronunciou oficialmente sobre os resultados do Pisa 2025. O Inep, responsável pela aplicação da prova no Brasil, divulgou os dados conforme o cronograma da OCDE. A expectativa é que o governo federal apresente análises detalhadas nas próximas semanas e que os resultados influenciem a formulação de políticas educacionais para o próximo biênio.
Uma das discussões que devem ganhar força é sobre o uso de inteligência artificial na educação. Com quase metade dos estudantes já usando IA para estudar, o desafio não é mais proibir, mas regulamentar de forma que a tecnologia contribua para o aprendizado. O CNE já deu o primeiro passo ao regulamentar o tema, mas a aplicação prática nas escolas ainda está no início.
Outro ponto de atenção é o desempenho em matemática. Com 70% dos alunos incapazes de resolver problemas simples de cálculo, a tendência é que o MEC e as secretarias estaduais de educação reforcem programas de alfabetização matemática nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Para o estudante que está na escola agora, a mensagem é clara: o resultado do país não define o futuro individual, mas mostra onde é preciso buscar reforço. Quem investe em estudo dirigido, simulados e acompanhamento pedagógico tem mais chances de superar as médias nacionais.
FAQ
O Pisa é obrigatório no Brasil?
Não. A participação do Brasil no Pisa é voluntária, mas o país participa de todas as edições desde 2000. A seleção das escolas e dos alunos é feita pelo Inep de forma aleatória, garantindo uma amostra representativa do ensino público e privado.
Um aluno pode consultar sua nota no Pisa?
Não. O Pisa avalia sistemas educacionais, não indivíduos. Os resultados são publicados apenas em nível de país e economia. O objetivo é comparar políticas educacionais, não classificar estudantes.
Por que o Brasil não melhora no Pisa?
Diversos fatores contribuem para a estagnação: desigualdade no acesso a ensino de qualidade, falta de formação continuada para professores, evasão escolar e infraestrutura precária em muitas escolas públicas. Os resultados do Pisa refletem problemas estruturais que não se resolvem de uma edição para outra.
O Pisa influencia o Enem ou vestibulares?
Indiretamente. As habilidades avaliadas pelo Pisa (leitura, matemática e ciências) são as mesmas cobradas no Enem e nos vestibulares. Estudantes com bom desempenho no Pisa tendem a ter melhores resultados nessas provas, mas os conteúdos e formatos são diferentes.
Quais países ficaram em primeiro lugar no Pisa 2025?
Os países asiáticos, como Singapura, Japão e Coreia do Sul, costumam liderar o ranking. Os resultados completos estão disponíveis no site da OCDE, com a classificação de todos os 91 participantes da edição 2025.
O uso de IA pelos estudantes é positivo ou negativo?
Depende de como é utilizado. Quando a IA ajuda a entender conceitos, resumir textos complexos ou praticar exercícios, pode ser uma ferramenta valiosa. Quando substitui o raciocínio ou é usada para copiar respostas, prejudica o aprendizado. O CNE já regulamentou o tema no Brasil, proibindo que IA corrija provas oficiais.