A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,3% no trimestre de maio a julho de 2026, segundo a PNAD Contínua divulgada pelo IBGE em 27 de agosto de 2026. É a menor taxa para um trimestre encerrado em julho desde o início da série, em 2012. Não é a menor de toda a série: o país já tinha registrado 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025 e 5,1% no encerrado em dezembro de 2025, a mínima histórica. O recorde dessa divulgação é outro: 103,3 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente já medido pela pesquisa até então.
No boletim seguinte, do trimestre de junho a agosto de 2026, divulgado em 29 de setembro de 2026, a taxa ficou de novo em 5,3%, a menor para esse trimestre desde 2012, e a ocupação subiu para 103,5 milhões, novo recorde. O rendimento médio ficou estável de um trimestre para o outro, mas acima do registrado um ano antes.
Os números dos trimestres até julho e até agosto
| Indicador | Maio a julho de 2026 | Junho a agosto de 2026 |
|---|---|---|
| Taxa de desocupação | 5,3% | 5,3% |
| Pessoas desocupadas | 5,8 milhões (menos 503 mil no trimestre) | 5,8 milhões (menos 281 mil no trimestre) |
| Pessoas ocupadas | 103,3 milhões (mais 1,0 milhão) | 103,5 milhões (mais 774 mil) |
| Carteira assinada no setor privado | 39,4 milhões | 39,5 milhões |
| Sem carteira no setor privado | 13,8 milhões (mais 477 mil) | 13,7 milhões (estável) |
| Taxa de informalidade | 37,5% | 37,5% |
| Rendimento médio real habitual | R$ 3.762 (estável; mais 3,3% em 12 meses) | R$ 3.777 (estável; mais 3,7% em 12 meses) |
| Taxa composta de subutilização | 13,0% | 13,1% |
| Desalentados | 2,3 milhões | 2,4 milhões |
Os dados são dos boletins do IBGE de maio a julho e de junho a agosto, com a informalidade informada pela Agência Brasil. No trimestre até agosto, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado também foi o maior da série, assim como a massa de rendimentos, de R$ 385,6 bilhões, e o número de contribuintes para a previdência, 68,5 milhões de pessoas (66,2 de cada 100 ocupados).
No trimestre até julho, o aumento de 1 milhão de ocupados foi maior que a queda de 503 mil desocupados. A diferença aparece na força de trabalho, que cresceu 499 mil pessoas no mesmo período. A construção puxou a alta, com mais 371 mil ocupados; no trimestre até agosto, a indústria geral (mais 265 mil) e a construção (mais 306 mil) lideraram.
Como o IBGE mede o desemprego
A PNAD Contínua é a pesquisa domiciliar do IBGE sobre trabalho. Ela acompanha pessoas de 14 anos ou mais, conta todas as formas de ocupação (com ou sem carteira, temporária, por conta própria) e visita 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal. Os resultados saem por trimestre móvel: o dado “de julho” reúne as entrevistas de maio, junho e julho. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, 80% dos domicílios são os mesmos, com as informações coletadas de novo.
Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que procurou trabalho de forma efetiva nos 30 dias anteriores à pesquisa e estava disponível para começar. Quem procurou, mas não podia assumir uma vaga na semana de referência, entra na chamada força de trabalho potencial. A taxa de desocupação é a divisão dos desocupados pela força de trabalho (ocupados mais desocupados): 5,8 milhões em 109,2 milhões no trimestre até julho.
Quem não trabalha e não procura trabalho fica fora da força de trabalho, grupo que somava 66,4 milhões de pessoas no trimestre até julho. Por isso a taxa pode cair quando muita gente desiste de procurar. Não foi o que aconteceu: a população fora da força de trabalho ficou estável, e o número de desalentados (pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram por achar que não encontrariam vaga) caiu 9,7% no trimestre até julho, para 2,3 milhões.
Renda estável: o que a pesquisa mostra e o que não mostra
O rendimento médio real habitual foi de R$ 3.762 no trimestre até julho. Frente ao trimestre até abril, houve recuo de 0,7%, que o IBGE classifica como estabilidade estatística. Em 12 meses, a alta foi de 3,3%. Entre as posições na ocupação, o empregado com carteira ganhou 2,5% a mais (R$ 83) e o trabalhador por conta própria, 4,1% (R$ 124), na comparação com o mesmo trimestre de 2025. No trimestre até agosto, a média subiu para R$ 3.777; o maior valor da série é R$ 3.804, do primeiro trimestre de 2026.
A pesquisa não informa quanto ganham as pessoas recém-contratadas em comparação com as que já estavam ocupadas. Na divulgação do segundo trimestre, o analista do IBGE William Kratochwill disse à Agência Brasil que o rendimento fica estável porque as novas contratações costumam pagar na média ou abaixo dos demais salários. É uma leitura do pesquisador, e não um número da pesquisa.
Para quem foi demitido, a conta da rescisão pode ser simulada na calculadora de rescisão trabalhista.
Quantidade e qualidade das vagas
O recorde de ocupação não veio só do emprego formal. No trimestre até julho, o número de empregados com carteira no setor privado ficou estável em 39,4 milhões (o maior da série), enquanto o de empregados sem carteira subiu 3,6%, com mais 477 mil pessoas. A taxa de informalidade, que soma os sem carteira e os autônomos e empregadores sem CNPJ, passou de 37,2% para 37,5%. Segundo a Agência Brasil, esses trabalhadores não têm garantidos seguro-desemprego, férias e 13º salário. No trimestre até agosto, o número de sem carteira ficou estável.
A taxa de 5,3% também deixa de fora quem trabalha menos horas do que gostaria. Os subocupados por insuficiência de horas eram 4,2 milhões no trimestre até julho. Somando desocupados, subocupados e a força de trabalho potencial, a taxa composta de subutilização foi de 13,0%, ou 14,9 milhões de pessoas, abaixo dos 13,8% do trimestre até abril e dos 14,1% de um ano antes.
Diferenças entre os estados
O recorte por estado sai na PNAD trimestral. No segundo trimestre de 2026, divulgado em 14 de agosto, a média nacional foi de 5,4% (6,1% no primeiro trimestre). O desemprego caiu em 13 das 27 unidades da federação e ficou estável nas outras 14. Onze estados ficaram abaixo da média.
| Menores taxas | Maiores taxas | Maiores quedas no trimestre |
|---|---|---|
| Santa Catarina: 2,1% | Amapá: 9,8% | Rio Grande do Norte: -1,9 ponto |
| Mato Grosso: 2,2% | Bahia: 9,1% | Acre: -1,6 ponto |
| Espírito Santo: 2,3% | Pernambuco: 8,3% | Paraíba: -1,6 ponto |
| Rondônia: 2,6% | Piauí: 8,3% | Tocantins: -1,5 ponto |
| Mato Grosso do Sul: 2,7% | Alagoas e Sergipe: 7,9% | Alagoas: -1,3 ponto |
São Paulo teve 5,4%, igual à média nacional, e o Paraná, 3,1%. Para o analista do IBGE, as diferenças vêm dos níveis de industrialização, da atividade econômica e da instrução da população. O mesmo levantamento mostrou desemprego maior entre mulheres (6,4%) do que entre homens (4,6%), e maior entre pretos (6,9%) e pardos (6,1%) do que entre brancos (4,2%). O desemprego longo, de quem procura vaga há dois anos ou mais, caiu para 1,06 milhão de pessoas, o menor da série.
Evolução da taxa de desemprego em 2026
| Trimestre móvel | Taxa de desocupação |
|---|---|
| Novembro de 2025 a janeiro de 2026 | 5,4% |
| Dezembro de 2025 a fevereiro de 2026 | 5,8% |
| Janeiro a março | 6,1% |
| Fevereiro a abril | 5,8% |
| Março a maio | 5,6% |
| Abril a junho | 5,4% |
| Maio a julho | 5,3% |
| Junho a agosto | 5,3% |
Os números são da tabela 6381 do Sidra, o banco de dados do IBGE. A alta do início do ano não é novidade: em todos os anos da série, menos 2022, a taxa do trimestre até março ficou acima da do trimestre até dezembro anterior. Para comparar sem esse efeito, o certo é olhar o mesmo trimestre em anos diferentes: no trimestre até julho, a taxa caiu todos os anos desde 2020, de 14,1% para 13,7% (2021), 9,1% (2022), 7,9% (2023), 6,8% (2024), 5,6% (2025) e 5,3% (2026). A maior taxa da série, 14,9%, foi registrada nos trimestres encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021.
O que o resultado sinaliza para os juros
O mercado de trabalho entra nas decisões do Banco Central. Nos comunicados do Copom de 5 de agosto e de 16 de setembro de 2026, o comitê descreveu o cenário doméstico com “moderação gradual da atividade econômica” e “mercado de trabalho aquecido”. Nas duas reuniões, a Selic foi cortada em 0,25 ponto: para 14,00% ao ano em agosto e para 13,75% em setembro. O Boletim Focus de 9 de outubro de 2026 trazia mediana de 13,25% para o fim de 2026. O efeito dos cortes no crédito e nos investimentos está no guia sobre a Selic em queda em 2026.
Se você perdeu o emprego
Quem é dispensado sem justa causa com carteira assinada pode pedir o seguro-desemprego, de três a cinco parcelas conforme os meses trabalhados e o número de pedidos anteriores. A parcela é calculada pela média dos salários dos três meses anteriores à dispensa, com piso de R$ 1.621 e teto de R$ 2.518,65 em 2026, segundo a tabela do Ministério do Trabalho e Emprego divulgada pela Agência Brasil. Esse teto não se confunde com o do INSS, de R$ 8.475,55, que vale para o salário de contribuição à Previdência. Para achar sua faixa, consulte a tabela do seguro-desemprego 2026 ou simule na calculadora de seguro-desemprego.
O pedido deve ser feito do 7º ao 120º dia depois da dispensa, pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, pelo serviço do gov.br ou pelo telefone 158. Na dispensa sem justa causa, o empregador também deposita na conta do FGTS uma multa de 40% sobre todos os depósitos feitos durante o contrato, como prevê o artigo 18 da Lei 8.036/1990.
Perguntas frequentes
5,3% de desemprego quer dizer que só 5,3% dos brasileiros estão sem trabalho?
Não. A taxa considera só a força de trabalho, ou seja, quem trabalha ou procurou trabalho. No trimestre até julho eram 5,8 milhões de desocupados em 109,2 milhões de pessoas na força de trabalho, enquanto 66,4 milhões de pessoas de 14 anos ou mais estavam fora dela, por não trabalharem nem terem procurado trabalho. O nível de ocupação, que mede os ocupados sobre toda a população em idade de trabalhar, foi de 58,9%.
Por que a renda média ficou estável se o emprego cresceu?
A PNAD não mede separadamente o salário de quem acabou de ser contratado, então não permite afirmar que as vagas novas pagam menos. O que o IBGE informa é que a média ficou estável de um trimestre para o outro e subiu 3,3% em 12 meses. O analista da pesquisa atribuiu a estabilidade ao fato de novas contratações costumarem pagar na média ou abaixo dos demais salários.
Quais estados tiveram maior queda no desemprego?
No segundo trimestre de 2026, as maiores quedas foram no Rio Grande do Norte (1,9 ponto), no Acre e na Paraíba (1,6 ponto cada) e no Tocantins (1,5 ponto). Santa Catarina, que tem a menor taxa do país (2,1%), também está entre as 13 unidades com queda. Paraná e São Paulo ficaram estáveis.
Quando sai o próximo dado?
A divulgação é mensal e traz o trimestre móvel encerrado no mês anterior: o trimestre até julho saiu em 27 de agosto e o trimestre até agosto, em 29 de setembro de 2026. O próximo boletim é o do trimestre de julho a setembro. As séries completas, com todos os trimestres desde 2012, podem ser consultadas no Sidra.
Quem trabalha sem carteira entra como ocupado?
Sim. A PNAD conta como ocupado quem trabalha com ou sem carteira, por conta própria, como empregador ou em trabalho temporário. Por isso a informalidade, de 37,5% nos trimestres até julho e até agosto, é um indicador separado e ajuda a medir a qualidade das vagas.
Fontes
- IBGE: Indicadores PNAD Contínua, trimestre de maio a julho de 2026 (27 de agosto de 2026)
- IBGE: Indicadores PNAD Contínua, trimestre de junho a agosto de 2026 (29 de setembro de 2026)
- IBGE, Sidra: tabela 6381, taxa de desocupação por trimestre móvel
- IBGE, Sidra: tabela 6318, pessoas ocupadas e desocupadas
- Agência Brasil: desemprego de 5,3% no trimestre até julho
- Agência Brasil: desemprego de 5,3% no trimestre até agosto
- Agência Brasil: desemprego por estado no 2º trimestre de 2026
- Agência Brasil: desemprego de 5,4% no 2º trimestre de 2026
- Banco Central: comunicados do Copom
- Banco Central: Boletim Focus de 9 de outubro de 2026
- Agência Brasil: teto do seguro-desemprego de R$ 2.518,65 (tabela do MTE)
- Resolução Codefat 957/2022 (cálculo e prazo do seguro-desemprego)
- gov.br: Solicitar o Seguro-Desemprego
- INSS: tabela de contribuição de 2026
- Lei 8.036/1990 (FGTS)





