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Economia

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O que faz um economista: salário em 2026, áreas de atuação, formação e registro no Corecon

Veja o que faz um economista, quanto ganha com carteira assinada segundo o Novo Caged, onde estão as vagas e o passo a passo para se formar e se registrar no Corecon.

Profissional analisando graficos economicos em escritorio

O economista é o profissional que transforma dados sobre preços, juros, emprego, câmbio e produção em decisões: quanto uma empresa deve investir, se um projeto se paga, como um governo financia suas contas ou que efeito uma alta da Selic terá sobre o crédito. No Brasil, é uma profissão regulamentada desde 1951, com registro obrigatório em conselho, e o salário médio de quem é contratado com carteira assinada passa de R$ 9 mil por mês, segundo dados do Novo Caged compilados em 2026.

Este guia reúne o que faz um economista na prática, quanto ganha em cada faixa do mercado, onde estão as vagas, como é a formação e o passo a passo para obter o registro no Corecon.

O que faz um economista na prática

A definição legal está no Decreto 31.794, de 1952, que regulamenta a Lei 1.411, de 13 de agosto de 1951 (data que deu origem ao Dia do Economista). Segundo o artigo 3º do regulamento, a atividade privativa do economista se exerce por estudos, pesquisas, análises, relatórios, pareceres, perícias, arbitragens, laudos e certificados sobre assuntos econômicos e financeiros, além do planejamento, da supervisão e da assistência a atividades econômicas em empresas públicas, privadas ou mistas.

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No dia a dia, isso se traduz em tarefas bem concretas:

  • Acompanhar indicadores de conjuntura (inflação, juros, câmbio, PIB, emprego) e projetar cenários para a empresa ou o governo.
  • Elaborar estudos de viabilidade econômica e financeira de projetos, como uma nova fábrica, uma concessão ou um loteamento.
  • Produzir laudos e perícias econômico-financeiras em processos judiciais, como revisão de contratos, cálculo de lucros cessantes e avaliação de empresas.
  • Analisar investimentos, montar carteiras e precificar ativos no mercado financeiro.
  • Desenhar e avaliar políticas públicas, orçamentos e programas sociais.
  • Construir modelos estatísticos e econométricos para prever demanda, risco de crédito ou preços.

O regulamento também prevê que laudos, pareceres e perícias de natureza econômica só têm valor jurídico quando assinados por economista registrado, que deve citar o número de registro no conselho regional após a assinatura.

Quanto ganha um economista em 2026

Não existe piso salarial nacional fixado em lei para economistas. A informação de que o piso seria de cinco salários mínimos, que circula em sites de carreira, não tem base na Lei 1.411: ela vale para engenheiros, arquitetos e outras categorias, pela Lei 4.950-A/1966, não para economistas. O que o Conselho Federal de Economia (Cofecon) fixa é o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista (VHTE), uma referência para honorários de quem presta serviço como autônomo ou consultor, reajustada todo ano pelo IPCA. Em 2024, a Portaria Cofecon 23 fixou o VHTE em R$ 523 por hora; confira no site do conselho o valor atualizado antes de fechar um contrato.

Para quem trabalha com carteira assinada, a referência mais objetiva são os dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, para a ocupação de economista (CBO 2512-05). A compilação do Portal Salário, atualizada em outubro de 2026, considera cerca de 1.973 admissões e desligamentos nos últimos 12 meses e apenas o salário base, sem bônus ou participação nos lucros:

Indicador (CLT, Brasil)Valor mensal
25% ganham atéR$ 4.000
Mediana (metade ganha até)R$ 6.459
MédiaR$ 9.029,59
75% ganham atéR$ 11.279
Teto da faixaR$ 19.256
Jornada média42 horas semanais

A diferença entre média e mediana mostra que poucos salários altos puxam a média para cima: a maior parte das contratações acontece abaixo de R$ 6,5 mil. Esses números também não captam remunerações de sócios, consultores autônomos e executivos com bônus, que costumam ficar bem acima do teto da tabela.

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Salário de economista por região

A localização pesa muito. Pelas mesmas bases do Caged, a média salarial no Sudeste é de R$ 9.846, contra R$ 7.730 no Centro-Oeste, R$ 6.527 no Nordeste, R$ 6.222 no Sul e R$ 4.954 no Norte. A concentração de bancos, gestoras e sedes de grandes empresas em São Paulo e no Rio de Janeiro explica boa parte da diferença.

Setor público

No serviço público, os salários dependem da carreira. Em julho de 2026, a Portaria MGI 5.508 autorizou concurso do Banco Central com 170 vagas: 100 para auditor (nível superior), 50 para técnico e 20 para procurador. O BC tem até o início de janeiro de 2027 para publicar o edital. Para o cargo de auditor, que substitui o antigo analista e atrai muitos economistas, sites especializados citam remuneração inicial na faixa de R$ 18 mil a R$ 21 mil, mas o valor exato só será confirmado no edital. Na mesma data, a Receita Federal recebeu autorização para 146 vagas.

Onde trabalha o economista: áreas de atuação

O campo é amplo, e a escolha da área define tanto o salário quanto o tipo de rotina. As frentes mais comuns são:

  • Mercado financeiro: bancos, gestoras de recursos, corretoras e fintechs contratam economistas para análise macroeconômica, crédito, risco e gestão de carteiras.
  • Consultoria e perícia: empresas de consultoria e escritórios de advocacia usam economistas em avaliação de empresas, fusões e aquisições, defesa da concorrência e perícias judiciais.
  • Setor público: Banco Central, Tesouro Nacional, Receita Federal, Ipea, IBGE, agências reguladoras, estados e municípios, quase sempre por concurso.
  • Empresas não financeiras: áreas de planejamento, inteligência de mercado, preços e controladoria em indústria, varejo, energia e agronegócio.
  • Dados e tecnologia: a combinação de economia com programação (Python, R e SQL) e econometria abriu espaço em equipes de ciência de dados, precificação e modelos de risco.
  • Academia e pesquisa: universidades, centros de pesquisa e organismos internacionais, geralmente com exigência de mestrado ou doutorado.

O avanço da inteligência artificial automatiza parte do trabalho repetitivo, como coleta de dados e relatórios padronizados, e valoriza quem sabe interpretar resultados, construir modelos e comunicar conclusões para quem decide.

Como se formar em economia

O caminho tradicional é o bacharelado em Ciências Econômicas, regido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Resolução CNE/CES 4/2007. A carga horária mínima é de 3.000 horas, o que na prática resulta em cursos de quatro anos. O currículo combina microeconomia, macroeconomia, matemática, estatística, econometria, contabilidade, história econômica e economia brasileira.

Na hora de escolher a faculdade, verifique se o curso é reconhecido pelo MEC (isso é essencial para o registro profissional) e consulte o conceito do curso no Enade. Universidades públicas oferecem vagas pelo Sisu e por vestibulares próprios; nas particulares, Prouni e Fies podem reduzir o custo.

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Depois da graduação, a especialização ajuda a abrir portas:

  • Mestrado e doutorado: praticamente obrigatórios para pesquisa, academia e algumas áreas de bancos centrais e organismos internacionais. O Cofecon também admite o registro de portadores de mestrado ou doutorado em economia, em programas reconhecidos pela Capes.
  • Certificações do mercado financeiro: a Anbima reformulou suas certificações em 2026. A antiga CPA-10 deu lugar à CPA, e as funções da CPA-20 e da CEA passaram para a C-Pro R e a C-Pro I, ambas exigindo a CPA como pré-requisito. Para gestão de fundos, existe a CGA. No plano internacional, o CFA, do CFA Institute, é o título mais reconhecido em análise de investimentos.
  • Ferramentas: domínio de Excel avançado, Python ou R, SQL e ferramentas de visualização de dados costuma aparecer como requisito em vagas de análise.

Como fazer o registro no Corecon

A designação de economista é privativa de quem tem diploma de bacharel em Ciências Econômicas obtido no Brasil, ou diploma estrangeiro revalidado por universidade pública brasileira. Para exercer a profissão, é preciso registro no Conselho Regional de Economia (Corecon) da região onde você trabalha, que emite a carteira de identidade profissional.

O passo a passo geral é este:

  • Acesse o site do Corecon do seu estado e preencha o requerimento de registro de pessoa física.
  • Reúna os documentos. O básico exigido pelas normas do Cofecon é o diploma de bacharel registrado e o histórico escolar, além dos documentos pessoais que cada conselho lista no requerimento. Estrangeiros precisam de visto permanente.
  • Pague as taxas de registro e de emissão da carteira. No Corecon de Santa Catarina, por exemplo, cada uma custa R$ 93 em 2026; os valores variam conforme o conselho regional.
  • Pague a anuidade. As regras do Cofecon permitem que os conselhos deem descontos a recém-inscritos de até 100% na primeira anuidade, até 50% na segunda e até 25% na terceira; pergunte ao seu Corecon quais estão em vigor.

Atenção: quem se registra apenas depois de ser autuado pela fiscalização perde o direito a esses descontos. E o registro é exigido para a apresentação de laudos e pareceres e para cargos técnicos de economia e finanças na administração pública, conforme o regulamento da profissão.

Vale a pena seguir a carreira de economista?

A carreira oferece boa empregabilidade e flexibilidade, porque o economista pode transitar entre bancos, empresas, governo e consultoria. Em contrapartida, os salários de entrada não são altos: a mediana nacional de contratação, perto de R$ 6,5 mil, só sobe de forma consistente com experiência, especialização e domínio técnico. Quem pretende ganhar acima de R$ 15 mil costuma precisar de pós-graduação, certificações ou aprovação em concursos de elite.

Antes de decidir, compare o tipo de trabalho que você quer fazer (análise de dados, atendimento a clientes, pesquisa, gestão pública) com o perfil de cada área. Estágios em bancos, consultorias e órgãos públicos durante a graduação são a forma mais eficiente de testar essas escolhas e de conseguir a primeira contratação.

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Perguntas frequentes

Qual é o piso salarial do economista?

Não há piso salarial nacional definido em lei para economistas com carteira assinada. Pisos podem existir em convenções coletivas de cada estado. Para autônomos, o Cofecon fixa o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista (VHTE), reajustado anualmente pelo IPCA, que era de R$ 523 por hora em 2024.

Quanto ganha um economista em início de carreira?

Pelos dados do Novo Caged compilados em 2026, um quarto das contratações de economistas com carteira assinada tem salário de até R$ 4.000, e a mediana nacional fica em R$ 6.459. Em bancos e consultorias do Sudeste, os valores de entrada tendem a ser maiores.

É obrigatório ter registro no Corecon para trabalhar como economista?

Sim, para exercer a profissão e usar o título de economista. O registro é necessário para assinar laudos, pareceres e perícias econômicas e para ocupar cargos técnicos de economia e finanças na administração pública. Ele é feito no Corecon da região onde você trabalha.

Quanto custa o registro no Corecon?

Cada conselho regional define suas taxas. Em Santa Catarina, por exemplo, o registro e a emissão da carteira custam R$ 93 cada em 2026, além da anuidade. Recém-formados podem ter desconto de até 100% na primeira anuidade, conforme regras do Cofecon aplicadas por cada Corecon.

Quem fez mestrado em economia sem graduação na área pode se registrar?

Sim. O Cofecon admite o registro de portadores de mestrado ou doutorado em economia de programas reconhecidos pela Capes, e publica periodicamente a lista de programas aceitos. O pedido é feito no Corecon da sua jurisdição.

Quanto tempo dura o curso de Ciências Econômicas?

O bacharelado tem carga horária mínima de 3.000 horas e costuma durar quatro anos. O curso precisa ser reconhecido pelo MEC para que o diploma seja aceito no registro profissional.

Fontes: Lei 1.411/1951 e Decreto 31.794/1952 (Presidência da República); Conselho Federal de Economia (Cofecon); resoluções do Corecon-SC; Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, compilado pelo Portal Salário; Agência Brasil; Ministério da Gestão e da Inovação; Anbima; Conselho Nacional de Educação.

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