O PIB do 2º trimestre de 2026 cresceu 0,5% em relação ao 1º trimestre, na série com ajuste sazonal, segundo as Contas Nacionais Trimestrais que o IBGE divulgou em 1º de setembro de 2026 (release do IBGE). Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2,0%. No primeiro semestre e no acumulado de quatro trimestres, o crescimento ficou em 1,9%. Em valores correntes, a economia brasileira somou R$ 3.425,7 bilhões entre abril e junho.
O ritmo diminuiu em relação ao início do ano: no 1º trimestre de 2026, o PIB tinha avançado 1,1%. A agropecuária e a extração de petróleo e gás sustentaram o resultado, enquanto o consumo das famílias recuou. Se você quer entender o que cada uma dessas taxas mede e como o IBGE chega a elas, veja o nosso guia sobre o que é o PIB e como ele é calculado. Abaixo, os números do trimestre, o que os dados oficiais de outros países mostram sobre o ranking que circulou após a divulgação e o que veio depois nos juros e nas projeções.
Os números do 2º trimestre de 2026
O IBGE publica cada trimestre sob quatro ângulos. Eles respondem a perguntas diferentes e por isso não se contradizem:
| Comparação | Resultado |
|---|---|
| 2º tri de 2026 contra o 1º tri de 2026 (com ajuste sazonal) | 0,5% |
| 2º tri de 2026 contra o 2º tri de 2025 | 2,0% |
| 1º semestre de 2026 contra o 1º semestre de 2025 | 1,9% |
| Quatro trimestres até junho de 2026 contra os quatro anteriores | 1,9% |
| Valor corrente do trimestre | R$ 3.425,7 bilhões |
Na série com ajuste sazonal, a sequência dos últimos cinco trimestres foi: 0,4% no 2º trimestre de 2025, 0,1% no 3º, 0,2% no 4º, 1,1% no 1º trimestre de 2026 e 0,5% no 2º. Do valor corrente do trimestre, R$ 2.937,9 bilhões correspondem ao valor adicionado pelas atividades econômicas e R$ 487,9 bilhões aos impostos sobre produtos, já descontados os subsídios. Todos esses números são preliminares: o próprio IBGE avisa no caderno de resultados do trimestre que eles podem ser retificados quando chegam dados novos.
Agropecuária e petróleo puxaram; transformação e construção recuaram
Pela ótica da produção, a agropecuária cresceu 2,8% sobre o 1º trimestre. Na comparação com o 2º trimestre de 2025, a alta foi de 6,8%. O IBGE atribui o resultado sobretudo às lavouras com safra relevante no período e ao ganho de produtividade: no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto, a estimativa de produção anual subiu 5,3% para a soja e 15,1% para o café, o que compensou quedas no arroz (-11,3%) e no algodão (-6,7%), com o milho estável.
A indústria quase não saiu do lugar (0,1%). O avanço veio das indústrias extrativas, com alta de 3,4% no trimestre e de 12,0% sobre um ano antes, por causa do aumento da extração de petróleo e gás. As indústrias de transformação caíram 0,4%, assim como a construção (-0,4%) e o segmento de eletricidade, gás, água e esgoto (-1,1%). Nos serviços, que cresceram 0,2%, os destaques foram informação e comunicação (2,1%) e transporte (1,1%); o comércio ficou estável (0,0%).
| Atividade | Contra o 1º tri de 2026 (com ajuste) | Contra o 2º tri de 2025 |
|---|---|---|
| Agropecuária | 2,8% | 6,8% |
| Indústria | 0,1% | 1,5% |
| Indústrias extrativas | 3,4% | 12,0% |
| Indústrias de transformação | -0,4% | -0,9% |
| Construção | -0,4% | 1,0% |
| Eletricidade e gás, água e esgoto | -1,1% | -0,5% |
| Serviços | 0,2% | 1,5% |
| Informação e comunicação | 2,1% | 8,4% |
| Comércio | 0,0% | 0,9% |
Consumo das famílias caiu; investimento cresceu
Pela ótica da despesa, o consumo das famílias recuou 0,4% sobre o 1º trimestre. É a primeira queda desde o 3º trimestre de 2025 (-0,1%). Na comparação anual, o consumo das famílias ainda ficou 0,5% acima do 2º trimestre de 2025. Já a formação bruta de capital fixo, que mede o investimento em ativos fixos, como bens de capital, construções e software, subiu 1,2% no trimestre e 1,4% em um ano, puxada, segundo o IBGE, pela importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de software.
| Componente | Contra o 1º tri de 2026 (com ajuste) | Contra o 2º tri de 2025 |
|---|---|---|
| Consumo das famílias | -0,4% | 0,5% |
| Consumo do governo | 0,4% | 3,1% |
| Formação bruta de capital fixo | 1,2% | 1,4% |
| Exportações de bens e serviços | -0,8% | 3,8% |
| Importações de bens e serviços | 1,8% | 5,5% |
A taxa de investimento, que é a formação bruta de capital fixo dividida pelo PIB, ficou em 16,1% no trimestre, e a taxa de poupança, em 16,6%. Em reais, as famílias gastaram R$ 2.112,9 bilhões, o governo R$ 667,7 bilhões e o investimento somou R$ 552,1 bilhões. O comércio exterior de bens e serviços teve saldo positivo de R$ 41,5 bilhões. No semestre, o consumo das famílias cresceu 1,1%, o do governo 2,9% e o investimento ficou estável (0,0%).
Brasil à frente de EUA e China? O que dizem os dados oficiais
No mesmo 1º de setembro, a agência de classificação de risco Austin Rating divulgou um ranking, noticiado pela Agência Brasil, que punha o Brasil em 5º lugar entre 50 países que já tinham divulgado o PIB do trimestre, à frente dos Estados Unidos (0,4%) e da China (0,2%). A mesma reportagem citou boletim da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda segundo o qual o mercado esperava alta de 0,4% para o PIB brasileiro.
Os órgãos oficiais desses países não sustentam a comparação. O escritório nacional de estatística da China (NBS) informou em 15 de julho de 2026, antes do ranking, que o PIB chinês do 2º trimestre cresceu 0,9% sobre o trimestre anterior, na série com ajuste sazonal: bem acima dos 0,5% do Brasil. Nos Estados Unidos, o BEA estimava em 26 de agosto alta de 1,5% em taxa anualizada, equivalente a 0,4% no trimestre; em 30 de setembro, a terceira estimativa do BEA revisou o número para 2,2% anualizado, ou 0,6% no trimestre. Na base do Eurostat atualizada em 16 de outubro de 2026, a zona do euro aparece com 0,6% no 2º trimestre.
Resumo: com os dados oficiais, o Brasil cresceu menos que a China no 2º trimestre e, depois da revisão americana, também menos que os Estados Unidos. Comparações entre países dependem de cada instituto, da data da consulta e das revisões que vêm depois. Por isso, o mais seguro é conferir o número na fonte de cada país.
Juros e projeções depois do resultado
A Selic caiu durante o primeiro semestre: o Copom reduziu a taxa de 15,00% para 14,75% em 18 de março, para 14,50% em 29 de abril e para 14,25% em 17 de junho de 2026. Depois vieram mais dois cortes, para 14,00% em 5 de agosto e para 13,75% em 16 de setembro, taxa em vigor desde 17 de setembro. No comunicado de 16 de setembro, o Copom escreveu que os indicadores mostravam “uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido”. A próxima reunião do comitê está marcada para 3 e 4 de novembro. O efeito dos cortes no crédito, na poupança e nos investimentos está explicado em Selic em queda em 2026.
No Boletim Focus de 9 de outubro de 2026, a mediana das projeções do mercado para o PIB de 2026 era de 1,85%, ante 1,93% no Focus de 4 de setembro. Para 2027, a mediana era de 1,40%, e para a Selic no fim de 2026, de 13,25%. No mercado de trabalho, a PNAD Contínua registrou desemprego de 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026, o mesmo nível do trimestre encerrado em julho, tema da nossa reportagem sobre o desemprego de 5,3%.
Quando sai o próximo PIB
Pelo calendário do IBGE, o PIB do 3º trimestre de 2026 será divulgado em 2 de dezembro de 2026, uma quarta-feira. O resultado do 4º trimestre, que fecha o ano de 2026, está previsto para 2 de março de 2027, uma terça-feira. As séries completas ficam no Sidra, o banco de dados do IBGE: a tabela 5932 traz as taxas de variação e a tabela 1846, os valores em reais.
Perguntas frequentes
O que quer dizer “com ajuste sazonal”?
Algumas atividades variam muito ao longo do ano por motivos de calendário, como a colheita. A agropecuária, por exemplo, gerou R$ 230,4 bilhões no 1º trimestre de 2026 e R$ 101,5 bilhões no 4º trimestre de 2025, em valores correntes. Para comparar um trimestre com o anterior sem essa distorção, o IBGE retira o componente sazonal com o método X-13 ARIMA. A comparação com o mesmo trimestre do ano anterior dispensa o ajuste, porque compara períodos equivalentes.
O 0,5% ainda pode mudar?
Pode. O IBGE trata os resultados como preliminares, sujeitos a retificação quando chegam dados novos, e a série já mudou em divulgações anteriores: o 4º trimestre de 2025 saiu com 0,1% em março de 2026 e aparece com 0,2% no caderno de setembro. A primeira oportunidade de revisão do 2º trimestre é a divulgação do 3º trimestre, em 2 de dezembro de 2026.
Por que o BEA fala em 2,2% e o trimestre americano cresceu 0,6%?
O BEA, órgão de estatística econômica dos Estados Unidos, publica as variações trimestrais em taxa anualizada, como se o ritmo do trimestre durasse um ano inteiro. O próprio BEA informa o equivalente na taxa trimestral, que é a medida comparável à do IBGE: 0,6% na terceira estimativa. Comparar 2,2% com os 0,5% do Brasil exagera a diferença.
O que significa a taxa de investimento de 16,1%?
É o valor da formação bruta de capital fixo dividido pelo PIB no trimestre: R$ 552,1 bilhões sobre R$ 3.425,7 bilhões. O IBGE define a formação bruta de capital fixo como os acréscimos ao estoque de ativos fixos destinados a aumentar a capacidade produtiva do país. No ano de 2025, essa taxa foi de 16,8%.
Como acompanhar a economia antes do próximo PIB?
Indicadores mensais saem antes do PIB e dão pistas sobre o trimestre: produção industrial, vendas do varejo e volume de serviços, todos do IBGE, além de pesquisas com empresas como o PMI. Entenda como esse último funciona em o que é o PMI. O resultado oficial, porém, só vem com as Contas Nacionais Trimestrais.
Fontes
- IBGE: PIB cresce 0,5% no segundo trimestre de 2026 (release de 1º/9/2026)
- IBGE: Contas Nacionais Trimestrais, indicadores de volume e valores correntes, abril a junho de 2026 (PDF)
- IBGE, Sidra: tabela 5932, taxas de variação do PIB
- IBGE, Sidra: tabela 1846, valores a preços correntes
- Agência Brasil: PIB brasileiro tem 5º maior crescimento no segundo trimestre (1º/9/2026)
- NBS (China): resultados da economia no primeiro semestre de 2026 (15/7/2026, em inglês)
- BEA (EUA): segunda estimativa do PIB do 2º trimestre de 2026 (26/8/2026, em inglês)
- BEA (EUA): terceira estimativa do PIB do 2º trimestre de 2026 (30/9/2026, em inglês)
- Eurostat: PIB trimestral dos países europeus, tabela namq_10_gdp (em inglês)
- Banco Central: comunicados do Copom
- Banco Central: Boletim Focus de 9/10/2026 (PDF)
- Banco Central: Boletim Focus de 4/9/2026 (PDF)
- IBGE: PNAD Contínua, trimestre encerrado em agosto de 2026





