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Economia

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PIB do 2º trimestre de 2026: alta de 0,5%, puxada pela agropecuária

O PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre de 2026 sobre o 1º, segundo o IBGE, com agropecuária e petróleo em alta e consumo das famílias em queda. Os dados oficiais de EUA e China não confirmam o ranking que punha o Brasil à frente dos dois.

Texto corrigido em 17/10/2026. Veja o que mudou

Documento histórico do IBGE sobre contabilidade nacional
Foto: IBGE / Documento histórico do IBGE relacionado à contabilidade nacional brasileira.

O PIB do 2º trimestre de 2026 cresceu 0,5% em relação ao 1º trimestre, na série com ajuste sazonal, segundo as Contas Nacionais Trimestrais que o IBGE divulgou em 1º de setembro de 2026 (release do IBGE). Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2,0%. No primeiro semestre e no acumulado de quatro trimestres, o crescimento ficou em 1,9%. Em valores correntes, a economia brasileira somou R$ 3.425,7 bilhões entre abril e junho.

O ritmo diminuiu em relação ao início do ano: no 1º trimestre de 2026, o PIB tinha avançado 1,1%. A agropecuária e a extração de petróleo e gás sustentaram o resultado, enquanto o consumo das famílias recuou. Se você quer entender o que cada uma dessas taxas mede e como o IBGE chega a elas, veja o nosso guia sobre o que é o PIB e como ele é calculado. Abaixo, os números do trimestre, o que os dados oficiais de outros países mostram sobre o ranking que circulou após a divulgação e o que veio depois nos juros e nas projeções.

Os números do 2º trimestre de 2026

O IBGE publica cada trimestre sob quatro ângulos. Eles respondem a perguntas diferentes e por isso não se contradizem:

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ComparaçãoResultado
2º tri de 2026 contra o 1º tri de 2026 (com ajuste sazonal)0,5%
2º tri de 2026 contra o 2º tri de 20252,0%
1º semestre de 2026 contra o 1º semestre de 20251,9%
Quatro trimestres até junho de 2026 contra os quatro anteriores1,9%
Valor corrente do trimestreR$ 3.425,7 bilhões

Na série com ajuste sazonal, a sequência dos últimos cinco trimestres foi: 0,4% no 2º trimestre de 2025, 0,1% no 3º, 0,2% no 4º, 1,1% no 1º trimestre de 2026 e 0,5% no 2º. Do valor corrente do trimestre, R$ 2.937,9 bilhões correspondem ao valor adicionado pelas atividades econômicas e R$ 487,9 bilhões aos impostos sobre produtos, já descontados os subsídios. Todos esses números são preliminares: o próprio IBGE avisa no caderno de resultados do trimestre que eles podem ser retificados quando chegam dados novos.

Agropecuária e petróleo puxaram; transformação e construção recuaram

Pela ótica da produção, a agropecuária cresceu 2,8% sobre o 1º trimestre. Na comparação com o 2º trimestre de 2025, a alta foi de 6,8%. O IBGE atribui o resultado sobretudo às lavouras com safra relevante no período e ao ganho de produtividade: no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto, a estimativa de produção anual subiu 5,3% para a soja e 15,1% para o café, o que compensou quedas no arroz (-11,3%) e no algodão (-6,7%), com o milho estável.

A indústria quase não saiu do lugar (0,1%). O avanço veio das indústrias extrativas, com alta de 3,4% no trimestre e de 12,0% sobre um ano antes, por causa do aumento da extração de petróleo e gás. As indústrias de transformação caíram 0,4%, assim como a construção (-0,4%) e o segmento de eletricidade, gás, água e esgoto (-1,1%). Nos serviços, que cresceram 0,2%, os destaques foram informação e comunicação (2,1%) e transporte (1,1%); o comércio ficou estável (0,0%).

AtividadeContra o 1º tri de 2026 (com ajuste)Contra o 2º tri de 2025
Agropecuária2,8%6,8%
Indústria0,1%1,5%
Indústrias extrativas3,4%12,0%
Indústrias de transformação-0,4%-0,9%
Construção-0,4%1,0%
Eletricidade e gás, água e esgoto-1,1%-0,5%
Serviços0,2%1,5%
Informação e comunicação2,1%8,4%
Comércio0,0%0,9%

Consumo das famílias caiu; investimento cresceu

Pela ótica da despesa, o consumo das famílias recuou 0,4% sobre o 1º trimestre. É a primeira queda desde o 3º trimestre de 2025 (-0,1%). Na comparação anual, o consumo das famílias ainda ficou 0,5% acima do 2º trimestre de 2025. Já a formação bruta de capital fixo, que mede o investimento em ativos fixos, como bens de capital, construções e software, subiu 1,2% no trimestre e 1,4% em um ano, puxada, segundo o IBGE, pela importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de software.

ComponenteContra o 1º tri de 2026 (com ajuste)Contra o 2º tri de 2025
Consumo das famílias-0,4%0,5%
Consumo do governo0,4%3,1%
Formação bruta de capital fixo1,2%1,4%
Exportações de bens e serviços-0,8%3,8%
Importações de bens e serviços1,8%5,5%

A taxa de investimento, que é a formação bruta de capital fixo dividida pelo PIB, ficou em 16,1% no trimestre, e a taxa de poupança, em 16,6%. Em reais, as famílias gastaram R$ 2.112,9 bilhões, o governo R$ 667,7 bilhões e o investimento somou R$ 552,1 bilhões. O comércio exterior de bens e serviços teve saldo positivo de R$ 41,5 bilhões. No semestre, o consumo das famílias cresceu 1,1%, o do governo 2,9% e o investimento ficou estável (0,0%).

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Brasil à frente de EUA e China? O que dizem os dados oficiais

No mesmo 1º de setembro, a agência de classificação de risco Austin Rating divulgou um ranking, noticiado pela Agência Brasil, que punha o Brasil em 5º lugar entre 50 países que já tinham divulgado o PIB do trimestre, à frente dos Estados Unidos (0,4%) e da China (0,2%). A mesma reportagem citou boletim da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda segundo o qual o mercado esperava alta de 0,4% para o PIB brasileiro.

Os órgãos oficiais desses países não sustentam a comparação. O escritório nacional de estatística da China (NBS) informou em 15 de julho de 2026, antes do ranking, que o PIB chinês do 2º trimestre cresceu 0,9% sobre o trimestre anterior, na série com ajuste sazonal: bem acima dos 0,5% do Brasil. Nos Estados Unidos, o BEA estimava em 26 de agosto alta de 1,5% em taxa anualizada, equivalente a 0,4% no trimestre; em 30 de setembro, a terceira estimativa do BEA revisou o número para 2,2% anualizado, ou 0,6% no trimestre. Na base do Eurostat atualizada em 16 de outubro de 2026, a zona do euro aparece com 0,6% no 2º trimestre.

Resumo: com os dados oficiais, o Brasil cresceu menos que a China no 2º trimestre e, depois da revisão americana, também menos que os Estados Unidos. Comparações entre países dependem de cada instituto, da data da consulta e das revisões que vêm depois. Por isso, o mais seguro é conferir o número na fonte de cada país.

Juros e projeções depois do resultado

A Selic caiu durante o primeiro semestre: o Copom reduziu a taxa de 15,00% para 14,75% em 18 de março, para 14,50% em 29 de abril e para 14,25% em 17 de junho de 2026. Depois vieram mais dois cortes, para 14,00% em 5 de agosto e para 13,75% em 16 de setembro, taxa em vigor desde 17 de setembro. No comunicado de 16 de setembro, o Copom escreveu que os indicadores mostravam “uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido”. A próxima reunião do comitê está marcada para 3 e 4 de novembro. O efeito dos cortes no crédito, na poupança e nos investimentos está explicado em Selic em queda em 2026.

No Boletim Focus de 9 de outubro de 2026, a mediana das projeções do mercado para o PIB de 2026 era de 1,85%, ante 1,93% no Focus de 4 de setembro. Para 2027, a mediana era de 1,40%, e para a Selic no fim de 2026, de 13,25%. No mercado de trabalho, a PNAD Contínua registrou desemprego de 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026, o mesmo nível do trimestre encerrado em julho, tema da nossa reportagem sobre o desemprego de 5,3%.

Quando sai o próximo PIB

Pelo calendário do IBGE, o PIB do 3º trimestre de 2026 será divulgado em 2 de dezembro de 2026, uma quarta-feira. O resultado do 4º trimestre, que fecha o ano de 2026, está previsto para 2 de março de 2027, uma terça-feira. As séries completas ficam no Sidra, o banco de dados do IBGE: a tabela 5932 traz as taxas de variação e a tabela 1846, os valores em reais.

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Perguntas frequentes

O que quer dizer “com ajuste sazonal”?

Algumas atividades variam muito ao longo do ano por motivos de calendário, como a colheita. A agropecuária, por exemplo, gerou R$ 230,4 bilhões no 1º trimestre de 2026 e R$ 101,5 bilhões no 4º trimestre de 2025, em valores correntes. Para comparar um trimestre com o anterior sem essa distorção, o IBGE retira o componente sazonal com o método X-13 ARIMA. A comparação com o mesmo trimestre do ano anterior dispensa o ajuste, porque compara períodos equivalentes.

O 0,5% ainda pode mudar?

Pode. O IBGE trata os resultados como preliminares, sujeitos a retificação quando chegam dados novos, e a série já mudou em divulgações anteriores: o 4º trimestre de 2025 saiu com 0,1% em março de 2026 e aparece com 0,2% no caderno de setembro. A primeira oportunidade de revisão do 2º trimestre é a divulgação do 3º trimestre, em 2 de dezembro de 2026.

Por que o BEA fala em 2,2% e o trimestre americano cresceu 0,6%?

O BEA, órgão de estatística econômica dos Estados Unidos, publica as variações trimestrais em taxa anualizada, como se o ritmo do trimestre durasse um ano inteiro. O próprio BEA informa o equivalente na taxa trimestral, que é a medida comparável à do IBGE: 0,6% na terceira estimativa. Comparar 2,2% com os 0,5% do Brasil exagera a diferença.

O que significa a taxa de investimento de 16,1%?

É o valor da formação bruta de capital fixo dividido pelo PIB no trimestre: R$ 552,1 bilhões sobre R$ 3.425,7 bilhões. O IBGE define a formação bruta de capital fixo como os acréscimos ao estoque de ativos fixos destinados a aumentar a capacidade produtiva do país. No ano de 2025, essa taxa foi de 16,8%.

Como acompanhar a economia antes do próximo PIB?

Indicadores mensais saem antes do PIB e dão pistas sobre o trimestre: produção industrial, vendas do varejo e volume de serviços, todos do IBGE, além de pesquisas com empresas como o PMI. Entenda como esse último funciona em o que é o PMI. O resultado oficial, porém, só vem com as Contas Nacionais Trimestrais.

Fontes

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