A primavera 2026 começa oficialmente no dia 22 de setembro e traz consigo um cenário desafiador para milhões de brasileiros que sofrem com alergias sazonais. Com o aumento da polinização, queda na umidade do ar em várias regiões e a presença de ácaros e fungos, quadros de rinite alérgica, sinusite e conjuntivite tendem a se intensificar. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), cerca de 30% da população brasileira convive com algum tipo de alergia respiratória, e a primavera é a estação em que os sintomas mais se agravam.
Quando começa a primavera 2026 e por que ela piora as alergias
A primavera 2026 tem início no dia 22 de setembro às 12h17 (horário de Brasília), com o equinócio de primavera, e se estende até 21 de dezembro. Essa estação marca a transição do inverno seco para o verão chuvoso e é caracterizada por oscilações de temperatura, ventos mais frequentes e o florescimento das plantas. Justamente esse florescimento aumenta a quantidade de pólen no ar, que é um dos principais alérgenos sazonais.
Além do pólen de gramíneas, árvores e flores, a primavera também favorece a proliferação de ácaros e fungos em ambientes fechados. A combinação desses fatores torna o período especialmente crítico para quem tem predisposição genética a alergias. Regiões como o Sul do Brasil, onde há maior presença de gramíneas polinizadoras, registram picos de atendimentos por crises alérgicas entre setembro e novembro.
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Rinite alérgica: o que é e quais são os sintomas
A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa nasal provocada pelo contato com substâncias que o sistema imunológico identifica como ameaças, mesmo sendo inofensivas. Quando a pessoa alérgica entra em contato com o alérgeno (pólen, ácaro, pelo de animal ou mofo), seu organismo libera histamina e outras substâncias que provocam os sintomas clássicos: espirros em sequência, coriza intensa e transparente, coceira no nariz, nos olhos e no céu da boca, obstrução nasal e lacrimejamento.
A rinite alérgica pode ser classificada como intermitente (sintomas aparecem em determinadas épocas do ano, como na primavera) ou persistente (sintomas presentes durante a maior parte do ano). Em ambos os casos, o impacto na qualidade de vida é significativo. A rinite mal controlada pode causar distúrbios do sono, dificuldade de concentração, queda no rendimento escolar e profissional, e até irritabilidade e cansaço crônico. Dados da ASBAI apontam que cerca de 25% da população brasileira sofre de rinite alérgica.
Sinusite, conjuntivite e asma: complicações comuns na primavera
A rinite alérgica frequentemente está associada a outras condições que também se agravam na primavera. A sinusite alérgica ocorre quando a inflamação nasal se estende para os seios da face, causando dor de cabeça, sensação de pressão no rosto, secreção nasal espessa e amarelada e, em alguns casos, febre. A conjuntivite alérgica provoca vermelhidão, coceira intensa e inchaço nos olhos, além de lacrimejamento excessivo.
Pessoas que têm asma alérgica também devem ficar atentas nessa época. A inalação de pólen e outros alérgenos pode desencadear crises de broncoespasmo, com falta de ar, chiado no peito, tosse seca e sensação de aperto torácico. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia, até 80% dos asmáticos também têm rinite alérgica, o que mostra como essas condições estão interligadas e precisam ser tratadas de forma conjunta.
Tratamento pelo SUS: o que está disponível gratuitamente
O SUS oferece tratamento completo e gratuito para alergias respiratórias, incluindo rinite e asma. O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde um médico pode avaliar os sintomas, solicitar exames e prescrever medicamentos. Entre os medicamentos disponíveis na farmácia das UBS estão anti-histamínicos orais (como a loratadina), corticosteroides nasais em spray e broncodilatadores para asma.
Nos casos mais graves ou que não respondem ao tratamento inicial, o paciente pode ser encaminhado para um alergista ou pneumologista em ambulatórios especializados. O SUS também oferece imunoterapia (vacina para alergia) em alguns centros de referência, que é o único tratamento capaz de modificar a evolução natural da doença alérgica. Além dos medicamentos, o médico pode orientar sobre medidas de controle ambiental, que são fundamentais para reduzir a exposição aos alérgenos e complementar o tratamento farmacológico.
Dicas práticas para reduzir sintomas de alergia em casa
Adotar medidas simples no dia a dia pode fazer grande diferença para quem sofre com alergias sazonais durante a primavera. No quarto, utilize capas antiácaro no colchão e nos travesseiros, lave a roupa de cama semanalmente com água quente e evite carpetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia. Mantenha os ambientes arejados, abrindo as janelas nas horas de menor polinização (geralmente no início da manhã e no final da tarde). Utilize panos úmidos para limpeza em vez de vassouras e espanadores, que espalham a poeira no ar.
Ao sair de casa nos dias de maior polinização, considere usar óculos de sol para proteger os olhos e, ao retornar, lave o rosto e as mãos para remover partículas de pólen. Evite estender roupas ao ar livre em dias muito ventosos e, se possível, mantenha as janelas do carro fechadas. Também é recomendável fazer lavagem nasal com soro fisiológico duas vezes ao dia, pois isso ajuda a remover alérgenos da mucosa nasal e a manter as vias aéreas hidratadas. Umidificadores podem ser úteis em regiões muito secas, mas devem ser higienizados frequentemente para evitar a proliferação de fungos.
Quando procurar atendimento médico urgente
Na maioria dos casos, as alergias sazonais podem ser controladas com medidas de higiene ambiental e medicamentos de uso contínuo. Porém, algumas situações exigem atendimento médico urgente. Procure uma UPA ou pronto-socorro se apresentar dificuldade para respirar, falta de ar intensa, inchaço na garganta ou no rosto, febre alta associada a secreção nasal purulenta (que pode indicar sinusite bacteriana) ou se os sintomas não melhorarem após uma semana de tratamento adequado.
Crianças pequenas e idosos merecem atenção especial, pois são mais vulneráveis a complicações respiratórias. Gestantes devem consultar o médico antes de usar qualquer medicamento antialérgico, já que alguns fármacos não são indicados durante a gravidez. O acompanhamento regular com um profissional de saúde é a melhor forma de manter as alergias sob controle e aproveitar a primavera 2026 com mais qualidade de vida e bem-estar.




