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Saúde

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Aquipta enxaqueca: novo medicamento oral aprovado pela Anvisa

Anvisa aprovou o Aquipta, primeiro medicamento oral da classe anti-CGRP para prevenção de enxaqueca. Saiba como funciona, quanto custa e como acessar.

Old pharmacy pill filler with pills material in exposition History of pharmacies in Kuks Hospital in Kuks, Trutnov District
Old pharmacy pill filler with pills material in exposition History of pharmacies in Kuks Hospital in Kuks, Trutnov District. Foto: Jiří Sedláček/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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O que é enxaqueca e por que ela afeta tanto a vida de quem sofre

A enxaqueca não é uma dor de cabeça comum. Diferente da cefaleia tensional, que costuma ser leve e difusa, a enxaqueca provoca dor latejante, geralmente em um lado da cabeça, acompanhada de náusea, sensibilidade à luz e ao som. Em muitos casos, a crise dura de 4 a 72 horas e incapacita a pessoa para o trabalho, os estudos e até para tarefas simples do dia a dia. Com o Aquipta, a enxaqueca ganha nova opção de prevenção oral.

No Brasil, a enxaqueca atinge cerca de 15% da população adulta, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a doença entre as 20 condições mais incapacitantes do mundo. Quem sofre de enxaqueca crônica, definida como 15 ou mais dias de dor por mês durante mais de três meses, pode perder produtividade, afetar relacionamentos e desenvolver quadros de ansiedade e depressão.

Por ser uma condição crônica, o tratamento da enxaqueca não se limita a tomar analgésicos durante a crise. Existem duas abordagens principais: o tratamento agudo, que alivia os sintomas quando a dor já instalou, e o tratamento preventivo, que busca reduzir a frequência e a intensidade das crises antes que elas aconteçam. É justamente no segundo campo que o Aquipta se enquadra.

Aquipta enxaqueca: o novo medicamento oral aprovado pela Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 8 de setembro de 2026, o medicamento Aquipta, indicado para prevenção da enxaqueca em adultos. A aprovação foi amplamente noticiada por veículos como G1, CNN Brasil, Forbes Brasil e Gazeta Digital. O medicamento é produzido pelo laboratório AbbVie e se diferencia de outros tratamentos por ser administrado via oral, em comprimidos de uso diário.

O Aquipta pertence a uma classe de medicamentos que age sobre receptores específicos envolvidos no mecanismo da enxaqueca. Esses receptores, ligados ao peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), desempenham papel central na cascata de inflamação e vasodilatação que provoca a dor. Ao bloquear essa via, o medicamento reduz a frequência dos episódios de enxaqueca ao longo do tempo.

Até recentemente, os anticorpos monoclonais direcionados ao CGRP já estavam disponíveis no Brasil, mas eram administrados por injeção mensal ou trimestral. O Aquipta representa a primeira opção oral dessa classe terapêutica, o que pode facilitar a adesão ao tratamento por parte de pacientes que preferem comprimidos a aplicações injetáveis.

É importante destacar que o Aquipta não substitui o tratamento agudo da enxaqueca. Ele é indicado para prevenção, ou seja, para reduzir o número de crises mensais. O medicamento deve ser prescrito por um médico neurologista ou clínico geral, que avaliará se o paciente se enquadra no perfil de indicação.

Como funciona o tratamento preventivo da enxaqueca

O tratamento preventivo é indicado para quem sofre quatro ou mais crises de enxaqueca por mês, ou para pacientes cujas crises são tão intensas que respondem mal ao tratamento agudo. O objetivo não é curar a enxaqueca, já que se trata de uma condição neurológica crônica, mas sim reduzir a frequência, a duração e a gravidade dos episódios.

Antes da chegada dos medicamentos direcionados ao CGRP, as opções preventivas incluíam antidepressivos (como amitriptilina), anticonvulsivantes (como topiramato e ácido valproico), betabloqueadores (como propranolol) e toxina botulina tipo A (Botox) para enxaqueca crônica. Todos esses medicamentos foram desenvolvidos originalmente para outras finalidades e foram adaptados para o tratamento da enxaqueca.

A tabela a seguir compara as principais classes de medicamentos preventivos para enxaqueca disponíveis no Brasil:

Classe de medicamentoExemplosVia de administraçãoIndicação principal
Antidepressivos tricíclicosAmitriptilinaOralEnxaqueca episódica e crônica
AnticonvulsivantesTopiramato, ácido valproicoOralEnxaqueca episódica
BetabloqueadoresPropranololOralEnxaqueca episódica
Toxina botulina tipo ABotoxInjetável (a cada 12 semanas)Enxaqueca crônica
Anticorpos monoclonais anti-CGRPErenumab, fremanezumab, galcanezumabInjetável (mensal ou trimestral)Enxaqueca episódica e crônica
Antagonista oral do CGRPAquipta (atogepanto)Oral (diário)Enxaqueca episódica

A escolha do medicamento depende do perfil de cada paciente, incluindo frequência das crises, comorbidades, efeitos colaterais e preferência pessoal. O médico responsável pelo tratamento é quem deve definir a melhor opção.

Quanto custa e como acessar o Aquipta no Brasil

A aprovação pela Anvisa é o primeiro passo para que um medicamento chegue ao mercado brasileiro, mas não significa disponibilidade imediata em farmácias ou no SUS. Após o registro sanitário, o laboratório precisa negociar preço, distribuição e, em alguns casos, submeter o produto a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para que seja disponibilizado pelo sistema público de saúde.

No momento da aprovação, não há informação pública sobre o preço do Aquipta no Brasil. Medicamentos da mesma classe, como os anticorpos monoclonais anti-CGRP, custam entre R$ 2.000 e R$ 4.000 por mês em farmácias privadas. É possível que o Aquipta, por ser oral, tenha um custo diferente, mas qualquer valor citado antes da definição oficial seria especulação.

Para quem depende do SUS, o caminho é mais longo. A incorporação de novos medicamentos no sistema público segue um processo que inclui análise de eficácia, custo-efetividade e impacto orçamentário. Atualmente, o SUS oferece alguns medicamentos preventivos para enxaqueca, como propranolol e topiramato, mas não disponibiliza os anticorpos monoclonais anti-CGRP para a maioria dos pacientes.

Quem possui plano de saúde pode ter mais agilidade no acesso, desde que o medicamento esteja no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS ou que a operadora autorize por laudo médico. Em caso de negativa, o paciente pode recorrer à ANS, que regula o setor. Para saber como funciona esse processo, consulte nosso artigo sobre o que a ANS obriga a cobrir e como reclamar se o plano negar atendimento.

Outra possibilidade é a via judicial. Pacientes com enxaqueca refratária, que não respondem aos tratamentos disponíveis no SUS, podem pleitear o medicamento por meio de ação judicial, com laudo médico que comprove a necessidade. Essa rota, porém, exige acompanhamento de advogado e pode levar semanas ou meses.

Estratégias de prevenção além do medicamento

O medicamento é uma ferramenta importante, mas não é a única forma de prevenir crises de enxaqueca. Mudanças no estilo de vida podem reduzir significativamente a frequência dos episódios, especialmente quando associadas ao tratamento farmacológico.

Entre os fatores que desencadeiam crises de enxaqueca, os mais comuns incluem estresse, privação de sono, jejum prolongado, consumo de álcool (especialmente vinho tinto), exposição a luzes fortes ou piscantes e mudanças climáticas. Identificar e evitar os gatilhos pessoais é uma das estratégias mais eficazes de prevenção.

A prática regular de exercícios físicos, como caminhada, natação ou ciclismo, também tem evidência científica de redução na frequência de crises. O ideal é realizar pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, conforme recomendação do Ministério da Saúde. Além disso, manter uma rotina de sono regular, com sete a oito horas por noite, ajuda a estabilizar os mecanismos neurológicos envolvidos na enxaqueca.

Para quem sofre de enxaqueca crônica, acompanhamento com neurologista é fundamental. O profissional pode indicar diários de dor, nos quais o paciente registra frequência, intensidade, duração e fatores desencadeantes das crises. Esse registro é essencial para ajustar o tratamento ao longo do tempo.

Quem enfrenta quadros de ansiedade ou depressão associados à enxaqueca pode buscar apoio pelo SUS. Entenda como funciona o tratamento de ansiedade e depressão pelo sistema público.

Enxaqueca e trabalho: direitos do paciente

A enxaqueca crônica pode configurar condição de saúde que garante direitos trabalhistas específicos. Em casos de crises frequentes e incapacitantes, o trabalhador pode se afastar pelo INSS por meio do auxílio-doença (atualmente chamado de benefício por incapacidade temporária), desde que laudo médico comprove a incapacidade para o trabalho.

O trabalhador também pode solicitar adaptações no ambiente de trabalho, como iluminação menos agressiva, horários flexíveis ou pausas adicionais. A legislação não prevê essas adaptações de forma específica para enxaqueca, mas a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência (Decreto nº 3.956/2001) e a jurisprudência trabalhista têm reconhecido direitos semelhantes em casos comprovados de limitação funcional.

Em casos mais graves, quando a enxaqueca compromete de forma permanente a capacidade laboral, o trabalhador pode pleitear aposentadoria por invalidez, embora essa seja uma situação extrema e que exige avaliação médica rigorosa pelo INSS. Para entender melhor os direitos de quem se afasta do trabalho por doença, consulte nosso artigo sobre como funciona o sistema de saúde brasileiro e seus direitos como paciente.

FAQ: perguntas frequentes sobre enxaqueca e o novo medicamento

O Aquipta já está disponível nas farmácias brasileiras?

Não necessariamente. A aprovação pela Anvisa, ocorrida em 8 de setembro de 2026, permite que o medicamento seja registrado e comercializado, mas a distribuição depende de logística, negociação de preços e, no caso do SUS, de incorporação pela Conitec. O laboratório AbbVie não divulgou, até o momento, previsão de chegada às farmácias.

O Aquipta substitui os medicamentos que eu já tomo para enxaqueca?

Não. O Aquipta é um medicamento preventivo, indicado para reduzir a frequência das crises. Ele não substitui o tratamento agudo, que é feito durante a crise para aliviar a dor. Além disso, a troca de medicamento deve ser orientada pelo médico que acompanha o tratamento.

Qual é o preço do Aquipta no Brasil?

O preço ainda não foi divulgado oficialmente. Medicamentos da mesma classe terapêutica, como os anticorpos monoclonais anti-CGRP, custam entre R$ 2.000 e R$ 4.000 por mês em farmácias privadas, mas não é possível afirmar que o Aquipta terá valor similar.

O SUS vai oferecer o Aquipta gratuitamente?

Não há previsão. Para que o medicamento seja incorporado ao SUS, é necessário passar pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário. Esse processo pode levar meses ou anos.

Enxaqueca tem cura?

Não. A enxaqueca é uma condição neurológica crônica que não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado. O objetivo do tratamento preventivo é reduzir a frequência e a intensidade das crises para que o paciente tenha qualidade de vida.

Quando devo procurar um neurologista para tratar enxaqueca?

Se você tem quatro ou mais crises de enxaqueca por mês, se as crises duram mais de 24 horas, se os medicamentos comuns não estão fazendo efeito ou se a enxaqueca está afetando seu trabalho e sua vida pessoal, é hora de procurar um neurologista. O SUS oferece atendimento neurológico por meio do sistema de referência, mas a espera pode variar conforme a região.

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