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Saúde

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Meningite B no Brasil: sintomas, vacina e como prevenir

Entenda por que a meningite B voltou a preocupar o Brasil, quais são os sintomas, quem corre mais risco e como se vacinar. Guia completo com dados atualizados.

Neisseria meningitidis (Sharpened)
Neisseria meningitidis, bactéria causadora da meningite meningocócica (imagem: Wikimedia Commons)
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Meningite B no Brasil: por que o tipo voltou a preocupar

A meningite meningocócica do sorogrupo B voltou a acender alerta no Brasil. Segundo reportagem da revista VEJA de 4 de setembro de 2026, o avanço do tipo B reacendeu o debate sobre a inclusão da vacina correspondente no calendário do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o SUS oferece de graça a proteção contra os sorogrupos C, A, W e Y, mas a vacina contra o tipo B só está disponível na rede privada.

Para famílias com crianças pequenas e para adolescentes, a notícia é especialmente relevante. Se você quer entender como funciona o sistema de saúde no país e seus direitos como paciente, confira nosso guia sobre o sistema de saúde brasileiro. A meningite B pode evoluir em poucas horas, e os sintomas iniciais se confundem com os de uma gripe comum. Saber reconhecer os sinais, entender quem corre mais risco e conhecer as opções de vacinação disponíveis hoje no Brasil é uma questão de saúde pública. Este guia reúne o que você precisa saber.

O que é meningite e quais são os tipos

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, chamadas de meninges. A inflamação pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas. Os sintomas iniciais costumam ser parecidos entre os tipos, mas a gravidade varia muito.

A meningite viral é a mais comum e geralmente tem evolução benigna, com recuperação em dias ou semanas. A meningite bacteriana é mais grave e pode levar à morte em poucas horas se não for tratada a tempo. A meningite fúngica é rara e atinge principalmente pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

Entre as bactérias que causam meningite, os meningococos (Neisseria meningitidis) são os mais conhecidos. Existem vários sorogrupos de meningococo: A, B, C, W, X e Y. No Brasil, os sorogrupos B e C são os mais frequentes. Durante anos, o tipo C predominou, mas o tipo B tem avançado e preocupado autoridades sanitárias.

Quem corre mais risco de meningite B

Crianças menores de cinco anos são o grupo de maior risco para meningite meningocócica, especialmente bebês com menos de um ano. O sistema imunológico dos lactentes ainda está em desenvolvimento, o que os torna mais vulneráveis a infecções bacterianas graves.

Adolescentes entre 15 e 19 anos também compõem um grupo de risco relevante. A convivência em ambientes fechados, como escolas e residências estudantis, facilita a transmissão da bactéria. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e saliva, ou seja, por meio de tosse, espirro, beijos e compartilhamento de objetos que vão à boca, como talheres e copos.

Além de crianças pequenas e adolescentes, pessoas com deficiência no sistema complemento (uma parte do sistema imunológico) e quem teve o baço removido também têm maior suscetibilidade. Moradores de abrigos, soldados em alojamentos e pessoas que vivem em aglomerados estão em situação de risco elevado.

As vacinas disponíveis no Brasil

A principal ferramenta de prevenção contra a meningite é a vacinação. No Brasil, existem vacinas contra diferentes sorogrupos de meningococo, e é fundamental entender qual protege contra qual tipo, para quem é indicada e onde está disponível.

VacinaSorogruposDisponibilidadeIndicação principalEsquema básico
Meningocócica C (conjugada)CSUS (gratuita)Crianças de 3 meses a menores de 5 anos; reforço na pré-adolescência3 doses (3, 5 e 12 meses) + reforço aos 12 anos
Meningocócica ACWY (conjugada)A, C, W, YSUS (gratuita)Crianças, adolescentes e grupos específicosConforme calendário do SUS
Meningocócica BBRede privadaBebês a partir dos 2 meses, crianças e adolescentes2 ou 3 doses conforme idade + reforço
Haemophilus influenzae tipo b (Hib)Não se aplica (outra bactéria)SUS (gratuita, na vacina Penta)Crianças de 2 meses a menores de 5 anos3 doses (2, 4 e 6 meses) + reforço (12-15 meses)

A vacina meningocócica C, oferecida gratuitamente pelo SUS, protege contra o sorogrupo C. Ela faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é aplicada em bebês a partir dos 3 meses, com reforço aos 12 meses e outra dose na pré-adolescência, por volta dos 12 anos. Quem não tomou na infância pode se vacinar em qualquer idade na rede pública. A vacina meningocócica ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y, também está disponível gratuitamente no SUS.

A vacina meningocócica B, que protege contra o sorogrupo que voltou a preocupar o Brasil, só está disponível na rede privada. O preço varia conforme a clínica e a região, e o esquema completo pode exigir de duas a três doses, dependendo da idade.

O tema da inclusão da vacina meningocócica B no calendário do SUS tem sido debatido no Congresso Nacional, mas até o momento não há previsão oficial de quando isso acontecerá. O Ministério da Saúde não se pronunciou sobre prazos para essa incorporação.

Sintomas: o que observar e quando procurar socorro

Os sintomas da meningite meningocócica podem aparecer de repente e evoluir com rapidez. Nos primeiros momentos, os sinais se parecem com os de uma gripe ou de uma virose comum. Por isso, é fundamental ficar atento à combinação de sintomas e à velocidade com que eles pioram.

Os sinais mais comuns em crianças e adultos incluem febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca (dificuldade de encostar o queixo no peito), náuseas e vômitos, sonolência excessiva ou confusão mental, e sensibilidade à luz (fotofobia). Em estágios mais avançados, pode aparecer uma erupção cutânea de cor arroxeada que não desaparece ao pressionar a pele, conhecida como petéquia ou púrpura. Esse sinal indica que a infecção já está causando complicações graves.

Em bebês, os sintomas podem ser mais difíceis de identificar. Os sinais de alerta incluem choro inconsolável, moleira abaulada ou tensa, recusa alimentar, letargia ou irritabilidade excessiva, e pele manchada ou acinzentada. A moleira abaulada é um sinal que exige atenção imediata e avaliação médica urgente.

Se houver suspeita de meningite, o mais importante é não esperar. Procure a UPA ou o pronto-socorro mais próximo imediatamente. Não administre antibióticos por conta própria antes do atendimento, pois isso pode mascarar os exames e dificultar o diagnóstico. Informe ao médico sobre contato com pessoas doentes e sobre o histórico de vacinação.

A meningite bacteriana precisa de tratamento rápido com antibióticos intravenosos em ambiente hospitalar. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maiores as chances de recuperação sem sequelas, que podem incluir perda auditiva, problemas neurológicos e dificuldades cognitivas.

Além da vacina: como se prevenir no dia a dia

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção, mas outras medidas ajudam a reduzir o risco. Manter os ambientes ventilados é uma das recomendações mais importantes, já que a bactéria meningocócica sobrevive pouco tempo em locais com circulação de ar. Abrir janelas e portas em casa, na escola e no trabalho faz diferença.

Em períodos de surto, evitar aglomerações em ambientes fechados é recomendado. Não compartilhar objetos que vão à boca, como copos, talheres, garrafas e cigarros, também reduz a chance de transmissão. Lavar as mãos com frequência, especialmente antes das refeições e após tossir ou espirrar, é uma medida simples e eficaz.

O Ministério da Saúde reforça que a vacinação contra meningite C está disponível gratuitamente em qualquer posto de saúde do SUS. Para conhecer outros direitos de saúde que o sistema público oferece, leia também nosso artigo sobre 10 direitos que o SUS oferece e que muita gente não conhece. As famílias devem manter a caderneta de vacinação em dia, especialmente a de crianças e adolescentes. A vacina meningocócica C protege contra o sorogrupo que historicamente causou o maior número de casos no Brasil, e ignorar essa proteção gratuita é um risco desnecessário.

Perguntas frequentes sobre meningite B

A vacina contra meningite B é gratuita no SUS?

Não. A vacina meningocócica B está disponível apenas na rede privada de vacinação. O SUS oferece gratuitamente as vacinas meningocócicas C e ACWY, que protegem contra os sorogrupos C, A, W e Y, e a vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (na composição da vacina Penta). O tema da inclusão da meningocócica B no calendário do SUS tem sido debatido no Congresso, mas não há previsão oficial de incorporação.

Adultos precisam tomar a vacina contra meningite B?

A vacina meningocócica B é indicada principalmente para bebês, crianças e adolescentes, que são os grupos de maior risco. Adultos saudáveis que não pertencem a grupos de risco específico geralmente não precisam, mas podem conversar com um médico para avaliar a necessidade individual, especialmente em caso de condições que comprometam a imunidade.

Qual a diferença entre a vacina meningocócica C e a meningocócica B?

A vacina meningocócica C protege contra o sorogrupo C da bactéria Neisseria meningitidis. A vacina meningocócica B protege contra o sorogrupo B. São sorogrupos diferentes da mesma bactéria, e uma vacina não protege contra o outro tipo. O SUS oferece apenas a meningocócica C e a meningocócica ACWY de graça.

Quem tomou a vacina meningocócica C pode pegar meningite B?

Sim. A vacina meningocócica C protege apenas contra o sorogrupo C. Quem foi vacinado contra o tipo C não está protegido contra o tipo B, W, A ou Y. Para proteção contra o sorogrupo B, é necessário tomar a vacina meningocócica B, disponível na rede privada.

O que fazer se uma pessoa teve contato com alguém com meningite meningocócica?

Quem teve contato próximo e prolongado com um caso confirmado de meningite meningocócica (como moradores da mesma casa ou pessoas que dividiram o mesmo ambiente por muito tempo) deve procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. O profissional de saúde pode indicar quimioprofilaxia, um antibiótico preventivo que reduz o risco de desenvolver a doença.

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