O que é herpes-zóster e por que ele preocupa
Herpes-zóster é uma doença causada pelo mesmo vírus da catapora (varicela-zóster). Quem já teve catapora na infância carrega o vírus adormecido no corpo. Com o passar dos anos, especialmente a partir dos 50, o sistema imunológico enfraquece e o vírus pode ser reativado, causando herpes-zóster.
A doença provoca lesões dolorosas na pele, geralmente em um lado do corpo. Os sintomas incluem dor nos nervos, ardor, coceira, formigamento, dor de cabeça e febre. Nos casos mais graves, pode levar à paralisia facial e à neuralgia pós-herpética, uma dor crônica que persiste meses ou anos depois das lesões cicatrizarem.
O impacto da doença tende a aumentar no Brasil porque a população está envelhecendo. Quanto mais idosa a pessoa, maior o risco de reativação do vírus e maiores as complicações. Por isso, a inclusão da vacina de herpes-zóster no SUS é considerada uma medida preventiva de grande alcance.
O que o Senado aprovou
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, no dia 1º de setembro de 2026, o substitutivo ao Projeto de Lei 4.426/2025, que inclui a vacina contra herpes-zóster no calendário nacional de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS). A votação foi de 11 votos a favor e nenhum contra. O texto agora segue para turno suplementar na própria comissão e, depois, para o plenário do Senado e a Câmara dos Deputados.
A relatora do projeto na CAS, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), afirmou que a doença é mais grave do que muita gente imagina. Ela relatou ter sofrido com herpes-zóster em 2023 e disse que o rosto ficou paralisado. O substitutivo aprovado foi elaborado pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que foi relatora na Comissão de Direitos Humanos (CDH), e adaptou o texto original da senadora Dra. Eudócia (PL-AL).
A aprovação na CAS é a primeira etapa legislativa. O texto ainda precisa passar por um turno suplementar na própria comissão antes de seguir para o plenário do Senado e, depois, para a Câmara. Se aprovado em ambas as casas, vai à sanção presidencial.
Herpes-zóster no SUS: quem poderá se vacinar
O público-alvo definido pelo substitutivo são duas faixas da população. A primeira é composta por pessoas com 50 anos ou mais, grupo de maior risco para reativação do vírus. A segunda são pessoas com 18 anos ou mais que tenham o sistema imunológico comprometido, como transplantados, pacientes em quimioterapia ou pessoas com HIV.
Essa divisão segue a lógica de proteção mais ampla possível. Idosos são o grupo com maior incidência de herpes-zóster e complicações graves. Pessoas imunodeprimidas, independentemente da idade, também correm risco elevado porque o corpo não consegue controlar a reativação do vírus.
A vacinação gratuita pelo SUS vai depender da regulamentação após a sanção da lei. O Ministério da Saúde precisará definir calendário, faixas etárias prioritárias, número de doses e pontos de vacinação. Até lá, a vacina só está disponível na rede privada.
Como funciona a vacina no Brasil
A vacina disponível no mercado brasileiro é a Shingrix, produzida pela GlaxoSmithKline. É uma vacina de vírus inativado (recombinante), o que significa que não contém vírus vivo e pode ser aplicada em pessoas imunodeprimidas. O esquema atual na rede privada é de duas doses, com intervalo de dois a seis meses entre elas.
A vacina tem eficácia superior a 90% na prevenção de herpes-zóster e de neuralgia pós-herpética em adultos com 50 anos ou mais. A proteção se mantém alta por pelo menos quatro anos após a vacinação, segundo estudos clínicos. O custo na rede privada varia entre R$ 400 e R$ 600 por dose, o que torna a oferta gratuita pelo SUS uma mudança significativa no acesso.
Até o momento, a vacina contra herpes-zóster não fazia parte do calendário nacional de imunização. A inclusão no SUS vai permitir que milhões de brasileiros se protejam sem custo, ampliando a cobertura vacinal do país para uma doença que afeta principalmente a população idosa. Para conhecer mais sobre o sistema de saúde e seus direitos, consulte nosso guia sobre como funciona o sistema de saúde brasileiro.
Herpes-zóster em números
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Vírus causador | Varicela-zóster (mesmo da catapora) |
| Grupo de maior risco | Pessoas com 50 anos ou mais |
| Outro grupo de risco | Imunodeprimidos a partir de 18 anos |
| Eficácia da vacina (Shingrix) | Superior a 90% |
| Esquema de doses | 2 doses (intervalo de 2 a 6 meses) |
| Custo médio na rede privada | R$ 400 a R$ 600 por dose |
| PL que tramita no Senado | PL 4.426/2025 |
| Relatora na CAS | Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) |
O que muda para o cidadão
A principal mudança é o acesso gratuito a uma vacina que hoje custa caro na rede privada. Para quem tem 50 anos ou mais, a vacinação contra herpes-zóster vai se tornar mais uma proteção disponível no posto de saúde, assim como as vacinas contra gripe e pneumococo que já fazem parte do calendário do SUS.
Para pessoas imunodeprimidas, a vacina é ainda mais importante. Esses pacientes têm maior risco de complicações graves, incluindo disseminação do vírus para órgãos internos. A vacinação gratuita pode reduzir internações e sequelas crônicas como a neuralgia pós-herpética. Quem quer saber mais sobre o que o SUS oferece de graça pode conferir nosso artigo sobre os 10 direitos do SUS que você provavelmente não sabe.
Quem já teve catapora pode se vacinar, mesmo que não lembre da doença. O vírus está presente no corpo de praticamente todos os adultos que tiveram catapora na infância. A vacina não trata a doença, mas previne a reativação do vírus.
Próximos passos no Congresso
O projeto precisa ser votado em turno suplementar na Comissão de Assuntos Sociais antes de seguir para o plenário do Senado. Após aprovação no Senado, o texto vai à Câmara dos Deputados, onde passará por comissões temáticas antes de ir ao plenário. Se aprovado nas duas casas, vai à sanção presidencial.
O processo legislativo pode levar semanas ou meses, dependendo da pauta do Congresso. A expectativa é que o projeto tenha tramitação prioritária por se tratar de tema de saúde pública com amplo apoio parlamentar. A aprovação por unanimidade na CAS é um sinal positivo para a velocidade do trâmite.
Após a sanção, o Ministério da Saúde terá que regulamentar a vacinação, definindo calendário, faixas etárias e logística de distribuição. Esse processo pode levar alguns meses, mas a tendência é que a vacina esteja disponível nos postos de saúde em 2027.
FAQ: perguntas frequentes sobre a vacina de herpes-zóster no SUS
Quando a vacina contra herpes-zóster vai estar disponível no SUS?
A vacina ainda não tem data definida para estar disponível no SUS. O projeto de lei que aprova a inclusão no calendário nacional de imunização está em tramitação no Senado. Após aprovação nas duas casas do Congresso e sanção presidencial, o Ministério da Saúde precisará regulamentar a vacinação, o que pode levar alguns meses.
Quem vai poder se vacinar de graça?
O substitutivo aprovado nas comissões do Senado prevê a vacinação gratuita para pessoas com 50 anos ou mais e para pessoas com 18 anos ou mais que tenham o sistema imunológico comprometido. A definição final das faixas etárias e grupos prioritários será feita pelo Ministério da Saúde após a regulamentação.
Quantas doses são necessárias?
A vacina Shingrix, disponível no mercado brasileiro, exige duas doses. O intervalo entre a primeira e a segunda dose é de dois a seis meses. O esquema completo é necessário para garantir a proteção máxima contra a doença.
Quem já teve catapora pode tomar a vacina?
Sim. Na verdade, quem já teve catapora é o público-alvo da vacina. O vírus da catapora fica adormecido no corpo e pode ser reativado como herpes-zóster. A vacina ajuda o sistema imunológico a impedir essa reativação.
A vacina tem efeitos colaterais?
Os efeitos colaterais mais comuns são dor no local da aplicação, vermelho, inchaço, fadiga, dor muscular, dor de cabeça e febre. Esses sintomas costumam ser leves e desaparecem em poucos dias. A vacina não contém vírus vivo, por isso pode ser aplicada em pessoas imunodeprimidas.
Posso tomar a vacina na rede privada agora?
Sim. A vacina Shingrix já está disponível em clínicas privadas de vacinação em todo o Brasil. O custo varia entre R$ 400 e R$ 600 por dose, e são necessárias duas doses para o esquema completo. Consulte um profissional de saúde para saber se a vacina é indicada para o seu caso.




