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Saúde

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Vacina pneumo 20 no SUS para quem tem 85 anos ou mais: quem pode tomar, onde e a partir de quando

O Ministério da Saúde ampliou a vacina pneumocócica 20-valente para todas as pessoas com 85 anos ou mais, sem exigir doença prévia ou receita médica. As doses começam a ser distribuídas em setembro. Veja o esquema, quem não deve tomar e o que muda em relação ao que existia.

Profissional de saúde aplica vacina em pessoa idosa em unidade de saúde
Foto: Cristine Rochol / PMPA, Wikimedia Commons, CC BY

Pela primeira vez, o SUS vai oferecer uma vacina contra pneumonia a idosos apenas pela idade, sem exigir comorbidade, internação ou receita médica. O Ministério da Saúde publicou nesta segunda-feira (14) a Nota Técnica Conjunta 310/2026, que amplia a vacina pneumocócica conjugada 20-valente, a pneumo 20, para todas as pessoas com 85 anos ou mais. A notícia ganhou repercussão nacional nesta terça-feira (15).

São 2,3 milhões de brasileiros nessa faixa etária, segundo a projeção do IBGE usada pela pasta. A meta é vacinar pelo menos 90% deles. A distribuição para os estados começa ainda em setembro, com um primeiro envio calculado para cobrir metade do público de cada unidade da federação.

O que é a pneumo 20 e contra o que ela protege

A vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, o pneumococo, causador de pneumonia, meningite e infecções generalizadas. É uma vacina conjugada, tecnologia que gera memória imunológica mais duradoura que a das vacinas polissacarídicas antigas, como a pneumo 23. O produto usado pelo SUS é o Prevenar 20, da Pfizer, comprado por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde.

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Na rede privada, a mesma vacina custa entre R$ 420 e R$ 600 por dose, dependendo da clínica. “Essa pessoa teria que ir na clínica privada e pagar R$ 600. Vamos começar com idosos a partir de 85 anos e, na medida em que houver a adesão da população, vamos diminuindo a faixa etária”, disse o ministro Alexandre Padilha no sábado (13), em Montes Claros (MG), onde a criança número 1 milhão recebeu a pneumo 20 na rede pública.

Quem pode tomar e o que precisa levar

Toda pessoa com 85 anos ou mais. Não é preciso ter doença prévia, estar acamado ou morar em instituição. Basta apresentar documento que comprove a idade na sala de vacina. A nota técnica dispensa explicitamente a prescrição médica.

O registro é feito com CPF ou Cartão Nacional de Saúde, e a dose fica na caderneta digital. É o mesmo modelo de ampliação gradual que o SUS adotou este ano com a vacina brasileira contra a dengue, que começou por alguns estados antes de chegar ao restante do país.

Esquema de doses: depende do histórico

A pneumo 20 é dose única, mas a nota técnica define regras diferentes conforme o que a pessoa já tomou antes. É o ponto que mais gera dúvida, então vale a tabela:

Histórico de vacina pneumocócicaO que fazer
Nunca tomou nenhuma1 dose de pneumo 20
Tomou apenas 1 dose de pneumo 13 ou pneumo 151 dose de pneumo 20, com intervalo mínimo de 2 meses
Tomou apenas 1 dose de pneumo 231 dose de pneumo 20, com intervalo mínimo de 1 ano
Tomou 2 doses de pneumo 23Não deve receber a pneumo 20
Tomou pneumo 13 ou 15 mais pneumo 23Não deve receber a pneumo 20

Quem receber a pneumo 20 não precisa mais da pneumo 23 depois. Por isso é importante levar a caderneta antiga ou pedir ao posto que consulte o histórico no sistema antes de aplicar.

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Onde tomar e a partir de quando

A aplicação é feita nas salas de vacina das Unidades Básicas de Saúde. A nota técnica também orienta os municípios a organizar vacinação domiciliar e busca ativa de pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida, além de ações em instituições de longa permanência. Ou seja, quem não consegue ir ao posto pode pedir a visita da equipe de saúde da família.

O início depende da chegada das doses em cada cidade. O Ministério da Saúde informou que o envio aos estados começa em setembro de forma automática; a partir daí, cada município faz os pedidos conforme a demanda. Algumas prefeituras já avisaram que aguardam o lote, então vale ligar para a UBS antes de sair de casa.

O que existia antes e o que muda

Até junho de 2026, o SUS não tinha vacina pneumocócica de rotina para idosos da comunidade. A pneumo 23 era aplicada apenas em pessoas com 60 anos ou mais que viviam acamadas ou em instituições, e a pneumo 13 ficava restrita aos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, para pacientes com condições clínicas específicas.

A pneumo 20 entrou no calendário em junho deste ano para crianças, indígenas e para os idosos acamados e institucionalizados. A ampliação para todos os 85+ é o passo seguinte, e a própria nota técnica diz que o programa “prevê a ampliação da vacinação de forma gradativa para outras faixas etárias em conformidade com a vulnerabilidade e risco”. Quem tem entre 60 e 84 anos, por enquanto, só recebe a vacina no SUS se estiver nos grupos especiais.

Por que começar pelos 85 anos

Os dados do próprio ministério explicam a escolha. Em 2025, a taxa de internação por pneumonia em pessoas com 80 anos ou mais foi de 2.902 a cada 100 mil habitantes. A mortalidade por pneumonia entre quem tem 85 anos ou mais chegou a 743 óbitos por 100 mil em 2025, depois de 758 em 2024. “Com o avançar da idade, as infecções pneumocócicas tendem a apresentar maior gravidade, risco de complicações e taxas de mortalidade mais elevadas”, diz a nota do ministério.

No caso da meningite pneumocócica, a forma mais grave da infecção, a letalidade no Brasil ficou em 31,4% em 2024, segundo o guia técnico do Programa Nacional de Imunizações, com as maiores incidências em bebês e em pessoas acima de 60 anos.

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Calendário do idoso no SUS em 2026

A pneumo 20 se soma a outras vacinas que a pessoa com mais de 60 anos tem direito na rede pública:

  • Influenza: uma dose por ano, na campanha.
  • Covid-19: uma dose a cada seis meses.
  • Pneumo 20: dose única, agora para todos com 85+ e para acamados e institucionalizados com 60+.
  • Hepatite B: três doses para quem nunca tomou.
  • Difteria e tétano (dT): reforço a cada dez anos.
  • Febre amarela: uma dose, avaliada caso a caso.

Duas vacinas muito pedidas continuam fora do SUS: a de herpes-zóster, cuja incorporação foi negada em janeiro por custo, como explicamos no artigo sobre quem tem direito à vacina de herpes-zóster, e a do vírus sincicial respiratório para idosos, disponível apenas na rede privada.

Perguntas frequentes

Preciso de receita médica?

Não. A nota técnica dispensa prescrição. Basta comprovar a idade.

Quem tem 84 anos pode tomar?

Só se estiver nos grupos especiais (acamado, institucionalizado ou com condição clínica prevista). A regra por idade vale a partir de 85 anos completos, e o ministério promete reduzir a faixa aos poucos.

Já tomei a pneumo 23 duas vezes. Devo tomar a pneumo 20?

Não. Quem completou o esquema com duas doses de pneumo 23 não recebe a pneumo 20, segundo a nota técnica.

Posso tomar junto com a vacina da gripe ou da covid?

As vacinas do calendário do idoso podem ser aplicadas no mesmo dia, em locais diferentes do corpo. A equipe da UBS orienta caso a caso.

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A vacina é a mesma da rede privada?

Sim. O SUS usa o Prevenar 20, da Pfizer, o mesmo produto vendido nas clínicas particulares.

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