O seguro auto ficou mais barato em 2026. O Índice de Preços do Seguro de Automóvel (IPSA), calculado pela TEx, empresa da Serasa Experian, marcou 4,5% do valor do carro em abril de 2026, o menor patamar da série. Na prática, um carro de R$ 80 mil teria seguro anual em torno de R$ 3.600 pela mediana do mercado. Só que essa média esconde diferenças enormes: dependendo da idade do motorista, do bairro onde o carro dorme e do valor do veículo, o mesmo seguro pode custar o dobro. Abaixo, você estima o seu preço, entende o que pesa na conta e vê como pagar menos sem ficar descoberto.
O que muda o preço do seguro auto
Não existe tabela oficial de preço de seguro: cada seguradora calcula o valor com o próprio modelo de risco. Por isso o Fato! não estima um valor. Estes são os dados que entram na conta e que você deve informar com exatidão em cada cotação:
- modelo, versão e ano do veículo;
- CEP onde o carro passa a noite e se há garagem em casa e no trabalho;
- uso do veículo (particular, trabalho, aplicativo);
- idade e perfil de quem dirige;
- franquia e coberturas contratadas (terceiros, vidros, carro reserva, assistência).
Compare propostas de mais de uma seguradora com as mesmas coberturas e a mesma franquia. Antes de contratar, confira se o corretor tem registro na consulta pública de corretores da Susep. Os dados de sinistros por modelo e região estão no Autoseg, da Susep.
O estimador acima trabalha com percentuais aproximados do valor Fipe e serve como ponto de partida. A cotação real depende do questionário de risco de cada seguradora, do modelo exato e das coberturas escolhidas. Para saber o valor de referência do seu carro, consulte a Tabela Fipe atualizada.
Quanto custa o seguro auto em 2026
O IPSA mede quanto o seguro representa do valor do veículo, considerando carros de até 10 anos, cobertura compreensiva, franquia normal e as principais regiões metropolitanas. Entre abril de 2025 e abril de 2026, o índice caiu de 5,2% para 4,5%, uma redução de 13,5%. Na comparação com o pico de 7,0% registrado em abril de 2023, a queda chega a 35,7%. O relatório da TEx descreve o momento como de mercado mais equilibrado e preços menos pressionados.
Em reais, um levantamento da corretora Creditas Seguros com os dez carros mais vendidos em 11 capitais apontou, em janeiro de 2026, preço médio de R$ 2.390,32 para homens e R$ 2.908,42 para mulheres. A diferença não significa que mulheres sejam motoristas mais arriscadas: o valor em reais depende dos carros e das cidades da amostra. Quando se olha o percentual sobre o valor do veículo, o IPSA mostra o contrário: em abril de 2026, homens pagaram 4,7% e mulheres, 4,2%.
| Recorte (IPSA, abril de 2026) | Índice ou diferença |
|---|---|
| Média geral do seguro auto | 4,5% do valor do carro |
| Homens | 4,7% |
| Mulheres | 4,2% |
| Motoristas com 56 anos ou mais | 3,5% |
| Região metropolitana do Rio de Janeiro | 6,1% |
| Região metropolitana de Belém | 3,1% |
| Zona Norte do Rio x Zona Sul do Rio | 7,7% x 3,7% |
| Carro com 6 a 10 anos x zero km | 96,8% mais caro |
| Carro de R$ 31 mil a R$ 50 mil x acima de R$ 151 mil | índice cerca de 200% maior |
Os números são medianas de cotações e servem para comparar perfis. O seu preço pode ficar bem acima ou abaixo deles.
O que encarece o seguro do seu carro
Seguradora não vende preço de tabela: ela precifica risco a partir do questionário de avaliação. Segundo a Susep, idade, tempo de habilitação e sexo do principal condutor, uso do veículo, região de circulação e dispositivos de segurança influenciam tanto a aceitação quanto o valor do prêmio. Os fatores que mais pesam:
- CEP de pernoite: o índice de roubo e furto do lugar onde o carro dorme é decisivo. Em abril de 2026, a região metropolitana do Rio pagou 96,8% a mais que a de Belém, e na capital paulista a Zona Leste pagou 65,7% a mais que o Centro.
- Idade do condutor: quanto mais jovem, mais caro. No exemplo do relatório da TEx, dois motoristas no Rio com o mesmo carro de R$ 116 mil pagariam R$ 7.424 (40 anos) e R$ 4.872 (56 anos), diferença de 52,4%.
- Idade e valor do carro: carros mais velhos e mais baratos têm seguro proporcionalmente mais caro, porque o reparo costuma usar peças novas e esses modelos são mais visados por ladrões.
- Uso do veículo: lazer, trajeto casa-trabalho e uso profissional (como aplicativo) mudam a exposição ao risco.
- Garagem: guardar o carro em garagem fechada em casa e no trabalho reduz o prêmio, principalmente nas capitais.
- Histórico de sinistros: anos sem acionar o seguro geram classe de bônus e desconto progressivo na renovação.
Coberturas: o que a apólice pode incluir
O seguro de automóvel é montado em partes. A Susep permite que as coberturas sejam contratadas juntas ou separadamente, o que abre espaço para apólices mais enxutas e baratas.
| Cobertura | O que protege | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| Compreensiva (casco) | Colisão, incêndio, roubo, furto e, em geral, alagamento e outros eventos previstos | Carros de maior valor ou financiados |
| Roubo e furto | Apenas a subtração do veículo | Carros mais antigos em regiões de risco |
| RCF-V (terceiros) | Danos materiais e corporais que você causar a outras pessoas | Sempre: é a que protege o seu patrimônio |
| APP | Morte e invalidez de ocupantes do carro | Quem transporta família ou passageiros |
| Assistência 24 horas | Guincho, chaveiro, pane seca, troca de pneu | Quem viaja ou roda muito |
| Vidros, faróis e retrovisores | Reparo ou troca dessas peças | Baixo custo e sinistro frequente |
| Carro reserva | Veículo substituto por dias contratados | Quem depende do carro para trabalhar |
Um erro comum é contratar casco alto e RCF-V baixo. Danos ao seu carro têm teto, que é o valor do próprio carro. Já uma batida com vítima ou contra um veículo caro pode gerar uma conta muito maior, cobrada diretamente de você se o limite contratado não bastar.
Valor de mercado referenciado ou valor determinado
Na modalidade valor de mercado referenciado, a indenização integral segue uma tabela indicada na proposta (normalmente a Fipe), multiplicada por um fator de ajuste combinado, como 100% ou 110%, apurada na data do sinistro. No valor determinado, a quantia é fixada na contratação. A Susep também explica que a garantia de valor de zero quilômetro não tem prazo padrão: pode ser de 30, 60, 90 ou 120 dias, e prazos maiores encarecem o seguro.
Franquia, perda total e bônus: as regras que mais confundem
Franquia é a sua participação no prejuízo em danos parciais. Se o reparo custa R$ 6.000 e a franquia é de R$ 3.000, você paga R$ 3.000 e a seguradora cobre o restante. Pelas orientações da Susep, a franquia só pode ser descontada se estiver prevista no contrato, e a seguradora não pode abater avarias que já constavam da vistoria prévia. Franquia reduzida encarece o prêmio; franquia majorada barateia, mas exige reserva para o dia do conserto.
Perda total (indenização integral) não tem percentual fixo nacional. Cada contrato define o critério. A própria Susep dá o exemplo: com carro de R$ 100 mil e critério de 80%, um orçamento de reparo de R$ 85 mil gera indenização integral. Leia esse ponto nas condições gerais antes de assinar.
Bônus é o desconto acumulado por anos sem sinistro. Acionar o seguro por um dano pequeno pode sair mais caro do que pagar do bolso, porque a perda de classe reduz o desconto das próximas renovações. Faça a conta: valor do reparo menos a franquia, comparado à perda de desconto. Um reparo de R$ 1.200 com franquia de R$ 2.500 nem chega a acionar a cobertura.
O que mudou com o Marco Legal dos Seguros
Desde 11 de dezembro de 2025 está em vigor a Lei 15.040/2024, que passou a reger os contratos de seguro no lugar dos artigos 757 a 802 do Código Civil. Para quem tem seguro auto, os pontos práticos são:
- Proposta: a seguradora tem até 25 dias para recusar e precisa justificar a recusa. Passado o prazo, a proposta é considerada aceita.
- Sinistro: são até 30 dias para a seguradora dizer se há cobertura, contados da entrega dos documentos. No seguro de veículos, esse prazo só pode ser suspenso uma vez por pedido de documento complementar.
- Pagamento: reconhecida a cobertura, a indenização deve sair em até 30 dias. O atraso gera multa de 2% sobre o valor devido, além de correção e juros.
- Recusa: deve ser expressa e motivada, e a seguradora não pode trocar o fundamento depois. O segurado tem 1 ano, a partir da recusa, para cobrar a indenização; terceiros prejudicados têm 3 anos.
- Agravamento de risco: mudar de endereço para uma área de mais roubos ou passar a usar o carro para trabalhar deve ser comunicado. A seguradora só pode negar a indenização se provar que o agravamento teve relação com o sinistro.
Como economizar sem ficar desprotegido
- Cote em várias seguradoras e corretoras na renovação. Em junho de 2025, o IPSA mostrou que renovar com outra corretora custava 3,9% do valor do carro, contra 4,6% na renovação com a mesma corretora e 6,8% em seguros novos. A classe de bônus acompanha o segurado na troca.
- Revise o perfil na renovação. Mudança de endereço, de garagem, de condutor ou de uso altera o preço, para cima ou para baixo.
- Ajuste a franquia à sua reserva de emergência. Se você tem dinheiro guardado para cobrir um conserto, a franquia normal ou majorada reduz o prêmio.
- Considere coberturas parciais em carros antigos: roubo e furto mais RCF-V pode custar bem menos que a compreensiva.
- Avalie rede referenciada e tipo de peça. Apólices que limitam a oficina ou admitem peças não originais ou usadas tendem a ser mais baratas. A Susep exige que a perda de garantia por reparo fora da rede apareça em destaque no contrato.
- Instale rastreador ou bloqueador se a seguradora oferecer desconto para o seu modelo e região.
- Nunca omita informação no questionário. Declaração inexata ou omissão relevante pode levar à perda da garantia, justamente quando você mais precisa dela.
Se o seguro está apertando o orçamento junto com outras contas, veja o plano para sair das dívidas antes de cortar a cobertura de terceiros. Pergunte também se a seguradora parcela sem juros e compare com o desconto à vista, usando uma conta digital sem tarifas para o débito das parcelas, e quem quer reforçar a receita encontra opções em ideias realistas de renda extra.
Seguro, proteção veicular e seguro obrigatório: não confunda
As associações de proteção veicular passaram a ser supervisionadas pela Susep com a Lei Complementar 213/2025, que exigiu cadastro e adequação das entidades. Mesmo assim, elas funcionam por rateio entre associados e não são seguradoras. Antes de aderir, confira se a entidade está cadastrada na Susep e leia como funciona o pagamento de eventos.
Já o seguro obrigatório que substituiria o antigo DPVAT, o SPVAT, foi revogado pela Lei Complementar 211/2024 antes de começar a ser cobrado. O seguro auto contratado com uma seguradora continua sendo opcional, e para proteger também a sua família vale conhecer o seguro de vida.
Perguntas frequentes
Seguro auto é obrigatório?
Não. O seguro de automóvel contratado com seguradora é opcional. A lei que criava o SPVAT, sucessor do DPVAT, foi revogada pela Lei Complementar 211/2024. Contratos de financiamento podem exigir seguro, mas o consumidor pode escolher a seguradora: impor a do banco caracteriza venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Seguro cobre enchente e alagamento?
Em geral, sim, na cobertura compreensiva. Apólices só de roubo e furto não cobrem. Leia a lista de riscos excluídos: a lei exige que exclusões sejam descritas de forma clara e em destaque.
Qual o prazo para a seguradora pagar a indenização?
Pela Lei 15.040/2024, a seguradora tem até 30 dias para se manifestar sobre a cobertura e, reconhecida a cobertura, mais até 30 dias para pagar. No seguro de veículos, cada prazo só pode ser suspenso uma vez para pedir documento complementar. O atraso gera multa de 2%.
Quando o carro é considerado perda total?
Depende do contrato. Não existe percentual único fixado pela Susep: a apólice define o critério, por exemplo, quando o orçamento de reparo supera 75% ou 80% do valor do veículo. Na indenização integral, o salvado passa para a seguradora.
Outra pessoa pode dirigir meu carro?
Pode, mas o questionário define o condutor principal e se há motoristas jovens usando o veículo. Informar errado para pagar menos pode levar à perda da garantia. Se o perfil mudar durante a vigência, comunique a seguradora.
Posso cancelar o seguro no meio da vigência?
Pode. Segundo a Susep, a seguradora pode reter a parte do prêmio proporcional ao tempo decorrido, conforme as condições contratuais. Confira a tabela de restituição antes de pedir o cancelamento e, se a devolução não vier, registre reclamação na própria seguradora, na ouvidoria e no Consumidor.gov.br.
Fontes: TEx/Serasa Experian (Índice de Preços do Seguro de Automóvel, relatório de abril de 2026), levantamento da Creditas Seguros (janeiro de 2026), Superintendência de Seguros Privados (Susep), Lei 15.040/2024 (Marco Legal dos Seguros), Lei Complementar 211/2024 e Lei Complementar 213/2025.





