Prestação de contas parcial de campanha: como consultar e o que muda para o eleitor
A prestação de contas parcial das eleições 2026 começa a ser entregue nesta quarta-feira (9). Candidatos, partidos, federações e coligações têm de enviar à Justiça Eleitoral todas as movimentações financeiras e recursos estimáveis em dinheiro recebidos ou gastos desde o início da campanha, em 16 de agosto, até 8 de setembro. Os dados vão aparecer no DivulgaCand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e qualquer pessoa pode consultar de graça.
Segundo reportagem do g1, os principais candidatos à Presidência já declararam R$ 74 milhões em gastos de campanha. O valor inclui publicidade, estratégia digital, voos e advogados. Para o eleitor, esse é o primeiro retrato oficial de quanto cada candidato está investindo para chegar ao Planalto.
O que é a prestação de contas parcial e por que ela existe
A prestação de contas parcial é uma obrigação prevista na legislação eleitoral brasileira. Ela funciona como uma fotografia do período inicial da campanha, de 16 de agosto a 8 de setembro. O objetivo é dar transparência: o eleitor tem o direito de saber de onde vem o dinheiro que financia cada candidatura e como esse dinheiro está sendo gasto.
Depois desta entrega parcial, haverá outra prestação de contas ao final da campanha, com todos os gastos até a véspera da eleição. Se o candidato não prestar contas, ou prestar contas com irregularidades, o registro da candidatura pode ser impugnado pela Justiça Eleitoral.
A informação é centralizada no sistema Conta+JE, da Justiça Eleitoral. É por lá que os candidatos enviam os dados, e é de lá que o DivulgaCand extrai as informações que aparecem para o público. Quem quiser detalhar pode acessar diretamente o DivulgaCand e ver receitas, despesas e doadores de cada campanha.
Quanto cada candidato à Presidência gastou até agora
Os gastos declarados até agora somam R$ 74 milhões entre os principais presidenciáveis, conforme o g1. A tabela abaixo mostra o que se sabe até o momento, com base nos dados já divulgados no DivulgaCand:
| Candidato | Partido | Gastos declarados |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | PL | R$ 49 milhões |
| Ronaldo Caiado | PSD | R$ 20 milhões |
| Demais candidatos | Diversos | R$ 5 milhões (soma estimada) |
Flávio Bolsonaro concentra sozinho cerca de 66% do total declarado até agora. O valor inclui gastos com publicidade, contratação de assessoria digital, passagens aéreas e honorários advocatícios. Ronaldo Caiado aparece em segundo lugar, com R$ 20 milhões. Os demais candidatos, entre eles Lula, Renan Santos, Augusto Cury e Romeu Zema, ainda não divulgaram valores completos ou estão com valores inferiores.
É importante notar que esses números podem mudar até o fim do prazo de entrega. Candidatos que ainda não lançaram toda a movimentação no sistema vão aparecer com valores atualizados nos próximos dias.
DivulgaCand e Conta+JE: como consultar os gastos de cada candidato
O DivulgaCand é a plataforma do TSE onde qualquer pessoa pode consultar dados de campanha de todos os candidatos do país. Para acessar, basta entrar no site divulgacand.tse.jus.br, selecionar o estado, o cargo e o nome do candidato. A plataforma mostra receitas, despesas, doadores e o valor total gasto.
O sistema funciona assim:
Os candidatos registram cada movimentação financeira no Conta+JE. Toda doação precisa ter CPF ou CNPJ do doador. As doações financeiras devem ser feitas por meio de cheque, Pix, transferência bancária ou cartão de crédito, direto na conta bancária da campanha. Depósitos em espécie são permitidos apenas até 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior à eleição.
Quando o candidato recebe dinheiro de pessoas físicas, existe um limite: a doação não pode ultrapassar 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior. Doação de empresas é proibida desde 2015, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou o financiamento empresarial de campanha.
Para o eleitor que quer investigar, o caminho é este:
1. Acesse divulgacand.tse.jus.br.
2. Selecione o estado e o cargo (presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual ou distrital).
3. Clique no nome do candidato.
4. Na aba “Finanças”, veja receitas, despesas e doadores.
Os dados são públicos e podem ser baixados em formato aberto para quem quiser fazer análises próprias.
O que o eleitor pode acompanhar e por que isso importa
A transparência do financiamento de campanha é uma das formas mais diretas de o eleitor entender quem está por trás de cada candidatura. Ao consultar o DivulgaCand, dá para saber se o dinheiro vem de poucos doadores grandes ou de muitas pessoas comuns, se os gastos estão concentrados em publicidade digital ou em comícios, e se há padrões que chamam a atenção.
A prestação de contas também serve para identificar irregularidades. Se um candidato recebeu doação acima do limite, por exemplo, a Justiça Eleitoral pode aplicar multa ou indeferir o registro. Se houver doação de empresa, que é proibida, o candidato responde a processo.
Outro ponto relevante: o dinheiro de campanha vem de duas fontes principais. A primeira é o Fundo Eleitoral, dinheiro público distribuído aos partidos conforme critérios legislativos. A segunda são as doações de pessoas físicas, feitas por Pix ou transferência bancária. Cada partido decide como dividir o fundo entre seus candidatos, e essa divisão também aparece na prestação de contas.
Para entender como o tempo de campanha é dividido na TV e no rádio, consulte nosso artigo sobre o horário eleitoral gratuito 2026. Já para saber o que é permitido e proibido na propaganda, veja nosso guia sobre campanha eleitoral 2026.
O que acontece se o candidato não prestar contas
A não prestação de contas tem consequências sérias. Se o candidato não enviar a prestação de contas parcial dentro do prazo, a Justiça Eleitoral pode aplicar multa e, nos casos mais graves, indeferir o registro da candidatura. Isso significa que o nome do candidato sai da cédula e ele não pode concorrer.
Mesmo que o candidato preste contas, se houver inconsistências, como gastos não declarados ou doadores não identificados, a equipe técnica do TSE pode pedir esclarecimentos. Se as irregularidades persistirem, o candidato pode ser considerado inelegível para as próximas eleições.
O prazo para corrigir eventuais pendências é curto. A Justiça Eleitoral envia um alerta, e o candidato tem poucos dias para apresentar a documentação complementar. Quem não corrige a tempo fica sujeito às penalidades.
FAQ: perguntas frequentes sobre prestação de contas
O que é a prestação de contas parcial?
É o relatório que candidatos, partidos e coligações enviam à Justiça Eleitoral com todas as movimentações financeiras de um período específico da campanha. Em 2026, o período vai de 16 de agosto a 8 de setembro.
Onde consultar os gastos de campanha de cada candidato?
No DivulgaCand, acessível em divulgacand.tse.jus.br. Basta selecionar o estado, o cargo e o nome do candidato para ver receitas, despesas e doadores.
Qual é o limite de doação para pessoa física?
A doação não pode ultrapassar 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior. Doação de empresa é proibida desde 2015.
O candidato pode receber doação em espécie?
As doações devem ser feitas por meio de cheque, Pix, transferência bancária ou cartão de crédito. Depósitos em espécie são permitidos apenas até 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior, e precisam ser declarados.
O que acontece se o candidato não prestar contas?
A Justiça Eleitoral pode aplicar multa e, nos casos mais graves, indeferir o registro da candidatura, impedindo o candidato de concorrer.
O dinheiro do Fundo Eleitoral aparece na prestação de contas?
Sim. Tanto o dinheiro do Fundo Eleitoral quanto as doações de pessoas físicas são registrados no Conta+JE e aparecem no DivulgaCand para consulta pública.




