A taxa Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026, depois de cinco cortes de 0,25 ponto percentual feitos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ao longo de 2026. A seguir, a trajetória reunião a reunião, o que o mercado projeta para as próximas decisões e, com contas explícitas, o que a queda muda na poupança, nas aplicações, no cartão, no empréstimo pessoal e no financiamento imobiliário.
Decisões do Copom em 2026
A Selic estava em 15% ao ano desde 19 de junho de 2025. Na primeira reunião de 2026, o Copom manteve a taxa, mas avisou que antevia “iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”, o que fez em março. O quadro abaixo reúne as decisões publicadas nos comunicados oficiais do Copom; a data de vigência vem da série 432 do Banco Central.
| Reunião | Data da decisão | Decisão | Selic | Em vigor desde |
|---|---|---|---|---|
| 276ª | 28 de janeiro de 2026 (quarta-feira) | Manteve | 15,00% | 19 de junho de 2025 |
| 277ª | 18 de março de 2026 (quarta-feira) | Corte de 0,25 ponto | 14,75% | 19 de março de 2026 |
| 278ª | 29 de abril de 2026 (quarta-feira) | Corte de 0,25 ponto | 14,50% | 30 de abril de 2026 |
| 279ª | 17 de junho de 2026 (quarta-feira) | Corte de 0,25 ponto | 14,25% | 18 de junho de 2026 |
| 280ª | 5 de agosto de 2026 (quarta-feira) | Corte de 0,25 ponto | 14,00% | 6 de agosto de 2026 |
| 281ª | 16 de setembro de 2026 (quarta-feira) | Corte de 0,25 ponto | 13,75% | 17 de setembro de 2026 |
| Próxima | 4 de novembro de 2026 (quarta-feira) | A definir | A definir | A definir |
| Última de 2026 | 9 de dezembro de 2026 (quarta-feira) | A definir | A definir | A definir |
No acumulado de 2026, a queda foi de 1,25 ponto percentual. As duas reuniões restantes do ano acontecem em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro, conforme o calendário oficial do Copom. O comunicado sai no segundo dia, a partir das 18h30, e a ata é publicada na terça-feira seguinte, às 8h.
Por que o BC corta com a inflação acima da meta
A meta de inflação é de 3% em 12 meses, com tolerância até 4,5%. O IPCA de 12 meses estava em 4,58% em setembro de 2026, segundo o IBGE (detalhes em inflação em 2026: o que mais subiu de preço). O Copom, porém, decide olhando para a frente: no comunicado de 16 de setembro, informou que sua projeção para o primeiro trimestre de 2028, o “horizonte relevante” da política monetária, é de 3,2%, e que o corte “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”. O mesmo texto avisa que os riscos estão “mais elevados que o usual, com assimetria altista” e que “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações”. Ou seja, não há compromisso com novos cortes.
O que o mercado projeta
No Boletim Focus de 9 de outubro de 2026, a mediana das projeções das instituições consultadas pelo BC aponta Selic de 13,25% no fim de 2026, o que equivale a mais 0,50 ponto de corte somando as duas reuniões restantes. Quatro semanas antes, a mediana era 13,75%. Para os anos seguintes, as medianas são de 12,00% no fim de 2027, 10,50% em 2028 e 10,00% em 2029. O mesmo boletim projeta IPCA de 5,22% em 2026 e de 4,30% em 2027.
Projeção do Focus não é decisão do Copom. O boletim é atualizado toda semana, e a própria mediana para o fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,25% em quatro semanas.
O que muda nos investimentos
Aplicações pós-fixadas
Aplicações pós-fixadas pagam um percentual de uma taxa de curto prazo, como a Selic ou o CDI, e por isso o rendimento acompanha os cortes. A Selic efetiva, que é a taxa média dos negócios diários com títulos públicos, estava em 14,90% ao ano em 2 de janeiro de 2026 e em 13,65% em 16 de outubro, pela série 1178 do BC.
Exemplo: R$ 10.000 aplicados por 12 meses a 100% de uma taxa de 14,90% rendem R$ 1.490 brutos. Com a taxa a 13,65%, o rendimento cai para R$ 1.365, ou R$ 125 a menos. Cada 0,25 ponto de corte equivale a R$ 25 por ano para cada R$ 10.000, antes do Imposto de Renda. As contas supõem a taxa constante durante todo o período.
Poupança
A regra da poupança está no art. 12 da Lei 8.177/1991: enquanto a meta Selic for superior a 8,5% ao ano, a poupança paga a TR mais 0,5% ao mês (6,17% ao ano, mais a TR). Abaixo disso, passa a pagar 70% da Selic mais a TR. Com a Selic em 13,75%, os cortes de 2026 não mudaram a regra. Pela série 195 do BC, a poupança com aniversário no dia 1º rendeu 8,31% entre 1º de outubro de 2025 e 1º de outubro de 2026; a variação de um mês para outro vem da TR.
Nenhuma das medianas do Focus de 9 de outubro coloca a Selic em 8,5% ou menos até o fim de 2029. Se isso acontecer, a poupança passa a render menos que 0,5% ao mês mais TR.
Prefixados e indexados à inflação: o efeito no preço
Um título prefixado paga um valor definido no vencimento. Quem fica com ele até o fim recebe a taxa combinada, com Selic alta ou baixa. Quem vende antes recebe o preço do dia, que é o valor de vencimento descontado pela taxa que o mercado pede naquele momento.
Exemplo: um título que paga R$ 1.000 daqui a dois anos vale R$ 783,15 se a taxa de mercado for de 13% ao ano (1.000 ÷ 1,13²). Se a taxa de mercado cair para 12%, o mesmo título passa a valer R$ 797,19, alta de 1,79%. Se subir para 14%, vale R$ 769,47, queda de 1,75%. Títulos que pagam inflação mais uma taxa fixa seguem a mesma lógica na parte fixa. Por isso juros em queda valorizam esses papéis e juros em alta os desvalorizam, e o resultado só é garantido para quem leva até o vencimento.
O que muda no crédito
A Selic é a referência para os demais juros, mas a taxa cobrada do consumidor é muito maior e depende de outros fatores, como o spread bancário e a inadimplência. Por isso a queda da Selic não se transmite automaticamente. Entre janeiro e agosto de 2026, a meta Selic caiu de 15% para 14%, e as taxas médias das pessoas físicas se moveram em direções diferentes:
| Modalidade (pessoas físicas) | Janeiro de 2026 | Agosto de 2026 |
|---|---|---|
| Cartão de crédito rotativo | 429,42% ao ano | 444,89% ao ano |
| Cartão de crédito parcelado | 194,87% ao ano | 192,08% ao ano |
| Crédito pessoal não consignado | 118,02% ao ano | 110,22% ao ano |
| Crédito pessoal consignado (total) | 27,59% ao ano | 29,00% ao ano |
| Financiamento imobiliário, taxas de mercado | 14,60% ao ano | 14,24% ao ano |
| Financiamento imobiliário, taxas reguladas | 10,51% ao ano | 10,91% ao ano |
Na nota de estatísticas de crédito de 29 de setembro de 2026, o BC informou que o juro médio do crédito livre às famílias atingiu 61,7% ao ano em agosto, alta de 2,9 pontos em 12 meses, que o spread bancário subiu para 21,2 pontos e que a inadimplência das pessoas físicas chegou a 6,0%.
Cartão de crédito
No rotativo, a taxa média de agosto de 2026 foi de 15,18% ao mês. Uma dívida de R$ 1.000 que fica três meses no rotativo vira R$ 1.528,03 (1.000 × 1,1518³). Perto disso, um corte de 0,25 ponto percentual ao ano na Selic, algo como 0,02 ponto ao mês, faz pouca diferença. A Lei 14.690/2023, art. 28, prevê que o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode passar do valor original da dívida, mas mesmo esse teto permite que a conta dobre. Veja como funciona e como sair em juros do cartão de crédito em 2026.
Empréstimo pessoal
O crédito pessoal não consignado teve taxa média de 6,39% ao mês em agosto de 2026, contra 6,71% em janeiro. A taxa mensal caiu 0,32 ponto, mas a anual segue acima de 110%. O consignado, que tem desconto em folha, ficou mais caro no mesmo período. Antes de contratar, compare o custo total entre instituições, como mostra o guia de empréstimo pessoal em 2026.
Financiamento imobiliário
Nas taxas de mercado, a média caiu de 14,60% para 14,24% ao ano entre janeiro e agosto, menos da metade do corte da Selic no período. Nas taxas reguladas, subiu de 10,51% para 10,91%. Para ver o peso de cada ponto, considere um financiamento de R$ 300.000 em 360 meses pelo sistema SAC, sem seguros e tarifas: a 14,24% ao ano (1,1156% ao mês), a primeira parcela é de R$ 4.180,15, sendo R$ 833,33 de amortização e R$ 3.346,81 de juros. A 13,24% ao ano, um ponto a menos, a primeira parcela cai para R$ 3.957,98, diferença de R$ 222,17. Em contratos já assinados com taxa fixa, a Selic não altera a parcela. Simulações completas estão em financiamento imobiliário 2026.
Onde acompanhar e confirmar
- Decisões e atas: o comunicado sai na página do Copom, no site do Banco Central, a partir das 18h30 do segundo dia de cada reunião; a ata, na terça-feira seguinte, às 8h.
- Projeções: o Boletim Focus é publicado toda semana no site do Banco Central.
- Juros de cada banco: a página Taxas de Juros do Banco Central mostra a média cobrada por instituição em cada modalidade, com os encargos incluídos.
- Contrato: o que vale para você é a taxa escrita no seu contrato, não a média do mercado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre a meta Selic e a Selic efetiva?
A meta é o número decidido pelo Copom, 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026. A efetiva é a taxa média das operações diárias com títulos públicos registradas no sistema Selic, que o BC mantém próxima da meta com compras e vendas de títulos. Em 16 de outubro de 2026, a efetiva estava em 13,65% ao ano.
Quando sai a próxima decisão do Copom?
Em 4 de novembro de 2026, uma quarta-feira, a partir das 18h30. A ata dessa reunião está prevista para 10 de novembro, terça-feira, às 8h. A última reunião do ano está marcada para 8 e 9 de dezembro.
Se a Selic cair, o meu financiamento antigo fica mais barato?
Não se a taxa do contrato for fixa: a parcela segue a regra assinada. A queda da Selic afeta as novas contratações, e mesmo assim de forma parcial, como mostram os dados de janeiro a agosto de 2026. Para saber a sua situação, confira no contrato a taxa de juros e o indexador de correção do saldo.
Os cortes de 2026 já reduziram o rendimento da poupança?
Não, porque a Selic seguiu acima de 8,5% e a parcela de juros continuou em 0,5% ao mês. O que varia é a TR: em 2026, o rendimento mensal da poupança com aniversário no dia 1º foi de 0,6213% (no período iniciado em 1º de fevereiro) a 0,6744% (no iniciado em 1º de março).
Por que o Copom não corta os juros mais rápido?
Porque juros mais baixos estimulam crédito e consumo, e a inflação ainda está acima da meta. No comunicado de 16 de setembro de 2026, o comitê afirmou que o cenário, “caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados”, demanda “serenidade e cautela”. Entre os riscos de alta para a inflação, citou estímulos ao consumo que levem a economia a crescer acima do seu potencial e um câmbio mais depreciado por mais tempo.
Fontes
- Banco Central: comunicados das decisões do Copom (276ª a 281ª reuniões)
- Banco Central: série 432, meta Selic definida pelo Copom
- Banco Central: série 1178, Selic efetiva anualizada
- Banco Central: Comunicado 43.383, calendário do Copom em 2026
- Banco Central: Boletim Focus de 9 de outubro de 2026
- Banco Central: histórico de metas para a inflação
- IBGE: IPCA fica em 0,82% em setembro
- Lei 8.177/1991, art. 12: remuneração da poupança
- Banco Central: série 195, rentabilidade da poupança
- Banco Central: estatísticas monetárias e de crédito, nota de 29 de setembro de 2026
- Banco Central: série 22022, juros do cartão rotativo
- Banco Central: série 20742, juros do crédito pessoal não consignado
- Banco Central: série 20772, financiamento imobiliário com taxas de mercado
- Banco Central: série 20773, financiamento imobiliário com taxas reguladas
- Lei 14.690/2023, art. 28: limite de juros do rotativo
- Banco Central: taxas de juros por instituição





